Honor e Xiaomi Adotam Estratégias Distintas para Copiar o iPhone

Em um mercado de smartphones cada vez mais saturado, a busca por diferenciação se choca com a tendência de imitação do design e das estratégias de marketing estabelecidas pela Apple. Duas gigantes chinesas, Honor e Xiaomi, têm se destacado por abordagens distintas para competir com o iPhone, levantando discussões sobre originalidade e a linha tênue entre inspiração e cópia.
Enquanto a Honor tem sido criticada por replicar o design de hardware do iPhone de forma quase idêntica em alguns de seus modelos mais recentes, a Xiaomi adota uma estratégia que foca na nomenclatura e no posicionamento de mercado para se alinhar diretamente com os produtos da Apple, criando uma rivalidade direta no segmento premium.
Honor: Cópia de Design e a ‘Magic Capsule’
A Honor, que já foi uma submarca da Huawei, tem atraído atenção negativa por lançamentos recentes que parecem ser cópias diretas do design do iPhone. O caso mais notório é o do Honor Power 2, um smartphone intermediário que, segundo vazamentos e análises, apresenta um módulo de câmera traseira quase idêntico ao do iPhone 17 Pro. A semelhança se estende ao formato dos sensores, à posição do flash LED e até mesmo a uma variante de cor que remete ao tom primário do modelo da Apple, gerando críticas de que a Honor estaria agindo sem ‘honra’.
Outro exemplo é o Honor 400 Lite 5G, que foi descrito por críticos como uma ‘cópia carbono’ do iPhone 16 Pro. O dispositivo replica o design do módulo de câmeras traseiras, o recorte frontal semelhante à Ilha Dinâmica (Dynamic Island) da Apple e até mesmo a inclusão de um botão lateral dedicado, posicionado de forma idêntica ao botão de Ação do iPhone.
No entanto, a imitação da Honor não se limita ao hardware. Em seus modelos de ponta, como o Honor Magic 6 Pro, a empresa implementou um recurso de software chamado Magic Capsule. Esta funcionalidade, que exibe notificações interativas em um recorte em forma de pílula na parte superior da tela, é amplamente vista como uma imitação da Ilha Dinâmica do iPhone. A Magic Capsule exibe informações de aplicativos em segundo plano, como chamadas, temporizadores e reprodução de mídia, com animações que espelham o conceito introduzido pela Apple.
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Xiaomi: Alinhamento de Nomenclatura e Marketing Comparativo
A Xiaomi, por sua vez, tem focado em uma estratégia de marketing comparativo mais direta. A empresa chinesa tem sido criticada por adotar nomenclaturas idênticas às da Apple para diferenciar suas variantes de smartphones premium. Com o lançamento da série Xiaomi 17, a empresa introduziu modelos como o Xiaomi 17 Pro Max, espelhando a linha de produtos da Apple (iPhone 17, iPhone 17 Pro e iPhone 17 Pro Max).
Esta escolha de nomenclatura não é acidental; fontes indicam que a Xiaomi intencionalmente pulou a série 16 para se alinhar com o número do modelo da Apple, buscando posicionar seus dispositivos como concorrentes diretos e superiores ao iPhone. A estratégia visa facilitar a comparação direta entre os produtos, permitindo que a Xiaomi destaque suas vantagens de hardware (como baterias maiores, carregamento mais rápido e telas com maior brilho) em relação à Apple, muitas vezes a um preço mais acessível.
Além da nomenclatura, a Xiaomi também adota elementos de design semelhantes, como as laterais planas e recortes frontais que lembram a Ilha Dinâmica, mas a ênfase da crítica recai sobre a estratégia de nomeação, vista como uma tática de marketing agressiva para se aproveitar da familiaridade da marca Apple.
A Lógica por Trás da Imitação
A imitação de design e nomenclatura não é um fenômeno novo no setor de tecnologia, mas a intensidade com que Honor e Xiaomi o fazem reflete a pressão para competir com a Apple, especialmente no lucrativo mercado premium. Ambas as empresas buscam capturar consumidores que desejam a estética e a experiência de um iPhone, mas preferem a flexibilidade e o custo-benefício do ecossistema Android.
Enquanto a Honor se concentra em replicar o visual para atrair consumidores de gama média com a promessa de um design premium a um preço inferior, a Xiaomi utiliza a nomenclatura para se posicionar como uma alternativa de alto desempenho que supera o iPhone em especificações técnicas, mantendo uma identidade de marca que, embora inspirada, busca ser percebida como superior em termos de hardware.
