Samsung consolida liderança em 2026 com crise no mercado econômico

O mercado global de smartphones deve enfrentar um ano desafiador em 2026, com previsões de queda nas remessas totais. Analistas de mercado apontam que a principal causa é o aumento acentuado nos custos de componentes, especialmente de chips de memória, impulsionado pela demanda por inteligência artificial. Essa dinâmica de mercado, que pressiona o segmento de dispositivos econômicos, é vista como um fator que consolidará a liderança da Samsung sobre concorrentes como a Xiaomi.
De acordo com a Counterpoint Research e a IDC, a indústria de smartphones deve experimentar uma retração significativa nas remessas globais em 2026. A Counterpoint projeta uma queda de 2,1% nas remessas anuais para 2026, enquanto a IDC apresenta cenários mais pessimistas, com contrações que podem chegar a 5,2%. Essa mudança reverte as expectativas anteriores de crescimento contínuo e reflete as pressões econômicas e de custos que afetam a cadeia de suprimentos.
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A Crise dos Chips de Memória e o Impacto no Segmento de Entrada
O principal motor da crise de 2026 é o aumento dos preços dos chips de memória (DRAM), essenciais para smartphones. O crescimento explosivo da demanda por infraestrutura de inteligência artificial (IA) e data centers fez com que fornecedores de chips priorizassem a produção de memória de alta largura de banda (HBM), resultando em escassez e aumento de custos para o mercado de smartphones.
O impacto desse aumento de custos é sentido de forma desproporcional no segmento de entrada, que engloba dispositivos com preços abaixo de US$ 150. As margens de lucro nesses dispositivos são extremamente apertadas, e os fabricantes, como a Xiaomi, têm dificuldade em absorver o aumento de custos sem repassar o valor ao consumidor. Analistas preveem que os custos de materiais (BoM) para smartphones de baixo custo podem subir entre 20% e 30%, forçando as marcas a reduzir suas linhas de produtos ou aumentar os preços, o que inevitavelmente diminui o volume de remessas.
Premiumização e a Vantagem Estratégica da Samsung
Enquanto o mercado de entrada sofre, o segmento premium continua resiliente. A Samsung, com um portfólio mais diversificado e forte presença em dispositivos de ponta, está em uma posição mais vantajosa para navegar por essa turbulência. A demanda por smartphones de alto valor agregado, como a série Galaxy S e os modelos dobráveis (Galaxy Z Fold e Flip), continua forte, impulsionada por recursos de IA aprimorados e a busca por inovações.
De acordo com dados de mercado, a Samsung manteve sua liderança em remessas em trimestres chave de 2025, impulsionada pelo desempenho robusto de seus flagships e pela recuperação em segmentos de entrada e intermediários (série Galaxy A). A Xiaomi, por outro lado, embora mantenha a terceira posição, viu suas remessas declinarem em 2025, em parte devido à fraqueza no segmento de entrada. A projeção de 2026 indica que essa tendência de premiumização e a crise de custos no mercado de entrada solidificarão a distância entre Samsung e Xiaomi em termos de volume de remessas.
Desafios para a Xiaomi e o Futuro da Competição
A Xiaomi, que historicamente construiu sua base de mercado no segmento de baixo custo, enfrenta o desafio de equilibrar sua estratégia de volume com a necessidade de aumentar a lucratividade e se posicionar no mercado premium. Embora a marca tenha feito progressos em mercados emergentes e na Europa, a dependência do segmento de entrada a torna mais vulnerável à crise de componentes. A empresa busca expandir seu portfólio para o segmento premium e de AIoT (Inteligência Artificial das Coisas) para compensar a desaceleração no mercado de entrada.
O cenário para 2026 aponta para um aumento no preço médio de venda (ASP) dos smartphones, com analistas prevendo um crescimento de 6,9% no ASP global. Isso sugere que, embora o volume de remessas diminua, a receita total do mercado pode se manter estável ou até crescer, beneficiando as marcas com maior participação no segmento premium, como Samsung e Apple. A competição se desloca do volume total para o valor agregado por dispositivo, um campo onde a Samsung possui uma vantagem consolidada.
