Xiaomi Adia Alta de Preços no 1º Trimestre, Mas Avisa: Celulares do 2º Trimestre Sairão Mais Caros

A Xiaomi anunciou que conseguiu adiar os repasses de custos para o consumidor no primeiro trimestre (Q1) de 2026, mas confirmou que os próximos lançamentos de smartphones, previstos para o segundo trimestre (Q2), já virão com preços elevados. A decisão reflete a pressão contínua no mercado global de componentes, especialmente os chips de memória, impulsionada pela demanda explosiva por Inteligência Artificial (IA).
O Contexto da Pressão nos Custos de Componentes
A indústria de smartphones enfrenta um cenário desafiador desde o final de 2025, com o custo dos chips de memória RAM (DRAM) e armazenamento (NAND) disparando. Segundo executivos da Xiaomi, incluindo o Presidente Lu Weibing, a principal causa é a priorização da produção de memória para data centers de IA, que estão em franca expansão e representam o mercado mais lucrativo para os fabricantes de chips.
Essa alta na demanda por componentes essenciais elevou significativamente o Custo de Materiais (BoM – Bill of Materials) dos smartphones. Analistas indicam que os contratos de DRAM subiram mais de 75% em um ano, adicionando cerca de 8% a 10% ao custo de fabricação de cada aparelho somente devido à memória.
Por que o 1º Trimestre Foi Poupa do Repasse?
Apesar do cenário de custos já elevado no início de 2026, a Xiaomi conseguiu absorver temporariamente parte da pressão ou utilizar estoques adquiridos anteriormente. O adiamento da alta de preços para o Q2 indica uma estratégia de gestão de estoque e de mercado para não afastar consumidores no início do ano fiscal.
Em janeiro de 2026, por exemplo, lançamentos no Brasil, como o Redmi Note 15 Pro, tiveram movimentos mistos, com a versão mais robusta ficando até R$ 200 mais barata em uma jogada estratégica da distribuidora nacional, enquanto outros modelos tiveram aumentos.
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Aumento Inevitável no Segundo Trimestre
A confirmação oficial de que os aparelhos do Q2 serão mais caros veio como um alerta para o mercado. O presidente da Xiaomi, Lu Weibing, já havia sinalizado que a pressão seria muito maior em 2026 do que no ano anterior, e que aumentos de preço seriam inevitáveis para digerir os custos crescentes.
- Foco da Alta: Espera-se que o impacto seja sentido em toda a linha, desde modelos de entrada até os topos de linha, como a esperada série Xiaomi 18.
- Estimativas de Mercado: Pesquisas projetavam aumentos de preços de cerca de 6,9% no mercado global, mas o mercado chinês poderia ver subidas entre 15% e 25% em modelos competitivos.
- Duração da Crise: A tendência de preços altos na memória deve ser um fator de longo prazo, com novas saídas de produção esperadas apenas por volta de 2027.
Estratégias da Xiaomi Contra a Alta
A Xiaomi, tradicionalmente focada em oferecer um forte custo-benefício nas linhas Redmi e POCO, busca alternativas para não repassar integralmente o aumento ao consumidor, embora admita que o repasse será necessário.
Medidas Consideradas
Para tentar amenizar o choque nos preços finais, a empresa explora diferentes abordagens:
- Absorção Parcial: A empresa tentará gerenciar a pressão de custos através de vários métodos antes de aplicar aumentos integrais.
- Foco no Premium: A Xiaomi tem escalado sua linha de produtos para modelos mais premium (como a série Mi 17), que possuem margens de lucro maiores para absorver melhor os choques de custo.
- Diversificação de Receita: O bom desempenho da divisão de veículos elétricos (EV) tem sido citado como um fator que pode ajudar a subsidiar o departamento de smartphones.
- Redução de Acessórios: Uma das opções avaliadas é a redução de itens inclusos na caixa dos smartphones, como a possível ausência de carregadores em futuros modelos POCO.
Desdobramentos e Impacto no Setor
A situação da Xiaomi não é isolada. O aumento nos custos de componentes pressiona toda a indústria de eletrônicos, incluindo gigantes como Samsung e Apple.
Analistas preveem que a escassez de chips levará a uma contração nas vendas globais de smartphones em 2026, com estimativas variando para uma queda de 2% a 12,9% no volume de remessas.
Para os consumidores brasileiros, que já viram alguns modelos com reajustes no início do ano, a expectativa é de que os lançamentos do meio do ano em diante reflitam o custo real dos componentes. Especialistas aconselham que usuários que buscam modelos de entrada ou intermediários com especificações robustas podem se beneficiar ao considerar modelos de 2025 ou do início de 2026, antes que os novos preços do Q2 se consolidem.
A Xiaomi, apesar de ser forte no segmento intermediário, é vista como mais vulnerável que Apple e Samsung, pois estas últimas possuem bases de clientes premium mais estáveis para absorver aumentos.
