Xiaomi Enfrenta Onda de Processos por Violação de Patentes em Celulares

Xiaomi sob Pressão Judicial por Uso Indevido de Tecnologia em Smartphones
A gigante chinesa de tecnologia Xiaomi está no centro de uma crescente controvérsia legal que ameaça a venda de seus smartphones em mercados-chave da Europa e Ásia. A empresa enfrenta uma série de processos judiciais por suposta violação de patentes essenciais, com alegações de uso não autorizado de tecnologias cruciais em seus dispositivos móveis. As ações judiciais, movidas por detentores de patentes, buscam indenizações milionárias e podem resultar em proibições de venda dos produtos da marca. O cerne da disputa reside na alegação de que a Xiaomi utilizou indevidamente patentes relacionadas à tecnologia 4G e a sistemas de feedback háptico em vários modelos de celulares.
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Processos de Violação de Patentes LTE-A Atingem Múltiplos Mercados
O principal litígio que a Xiaomi enfrenta envolve a tecnologia LTE-Advanced (LTE-A), um padrão avançado de comunicação 4G que permite velocidades de internet mais rápidas e melhor desempenho em comparação com o LTE padrão. A Sun Patent Trust, uma empresa de patentes com sede em Delaware que detém mais de 3.000 patentes oriundas da Panasonic, acusa a Xiaomi de usar essa tecnologia patenteada em seus dispositivos 4G desde o final de 2018 sem a devida licença.
As ações judiciais foram protocoladas em tribunais de alta instância em dois mercados estratégicos: o Tribunal Superior de Delhi, na Índia, e o Tribunal Judicial de Paris, na França. A Sun Patent Trust alega que tentou negociar um acordo de licenciamento com a Xiaomi por mais de quatro anos, sem sucesso. O valor total das indenizações pleiteadas nos processos ultrapassa os 300 milhões de dólares (aproximadamente 24,978 crore INR), representando um risco financeiro significativo para a empresa chinesa.
Disputa de Patentes de Feedback Háptico e Outras Controvérsias
Paralelamente ao caso LTE-A, a Xiaomi também foi alvo de processos judiciais por violação de patentes de tecnologia háptica, fundamental para o sistema de vibração e resposta tátil dos celulares. A Immersion Corporation, uma das principais desenvolvedoras mundiais de tecnologias hápticas, moveu ações contra a Xiaomi na Alemanha, França e Índia. A Immersion acusa a Xiaomi de infringir patentes relacionadas a efeitos táteis e ao motor de vibração CyberEngine, presente em modelos como o Xiaomi 12, Xiaomi 12T Pro e Redmi K50 Gaming.
O CEO da Immersion, Eric Singer, declarou que, embora seja lisonjeiro ver a Xiaomi adotar a tecnologia háptica, é imperativo proteger a propriedade intelectual na qual a empresa investiu pesadamente. A Immersion busca indenizações e medidas cautelares que poderiam proibir a venda dos smartphones infratores nos mercados europeus e asiáticos.
Repercussões e Precedentes Legais
Os processos judiciais de patentes representam um desafio complexo para a Xiaomi, que busca expandir sua presença global e competir diretamente com gigantes como Apple e Samsung. A disputa pelo licenciamento de patentes essenciais (SEPs) é um tema recorrente na indústria de smartphones, e as decisões judiciais nesses casos podem criar precedentes importantes para futuras negociações.
Embora as negociações tenham se arrastado por anos, a recusa da Xiaomi em chegar a termos justos levou à escalada legal. A escolha da França como jurisdição para um dos processos de patentes LTE-A é vista como uma abordagem estratégica por parte da Sun Patent Trust, visando uma resolução que possa influenciar outras jurisdições.
Além das disputas de patentes em celulares, a Xiaomi também enfrentou recentemente uma controvérsia de publicidade enganosa em seu veículo elétrico SU7 Ultra. Um tribunal chinês rejeitou o recurso da Xiaomi e manteve uma condenação por publicidade enganosa em relação a um capô de fibra de carbono que não possuía as funcionalidades anunciadas. Embora não seja um celular, o caso do SU7 Ultra estabelece um precedente legal que pode encorajar uma onda de processos semelhantes por parte de outros clientes insatisfeitos.
