Desenvolvedor de Clair Obscur Aceita Críticas Sobre Batalha Final Fácil

Desenvolvedor de Clair Obscur: Expedition 33 Aceita Críticas de Fãs Completionistas
O desenvolvedor de Clair Obscur: Expedition 33, Michel Nohra, reconheceu publicamente as críticas de jogadores que se sentiram decepcionados com o nível de desafio da batalha final do jogo. O problema principal, segundo o feedback dos fãs, é que jogadores com perfil “completionista” (aqueles que buscam completar todo o conteúdo opcional antes de prosseguir com a história principal) acabam se tornando excessivamente poderosos para o confronto final, resultando em uma experiência anticlimática.
Em uma entrevista recente, Nohra, que atua como designer-chefe do jogo no estúdio Sandfall Games, expressou arrependimento por não ter deixado mais claro que a dificuldade pretendida para o chefe final é alcançada ao enfrentá-lo o mais rápido possível no Ato 3. O desenvolvedor admitiu ter subestimado a tendência dos jogadores de JRPGs de adiar o final da história para completar missões secundárias, o que leva ao overleveling.
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A Dinâmica do Overleveling em JRPGs
A crítica dos fãs de Clair Obscur: Expedition 33 toca em um ponto sensível e recorrente no gênero RPG: o equilíbrio entre a progressão do personagem e a dificuldade dos chefes principais. Em muitos jogos de RPG, especialmente os de inspiração japonesa, o design de mundo aberto ou semiaberto no final do jogo permite que os jogadores explorem vastamente e realizem missões opcionais. No entanto, essa exploração recompensa os jogadores com experiência e equipamentos que podem desequilibrar a dificuldade dos encontros finais da história principal.
No caso de Clair Obscur, os jogadores que optaram por completar o conteúdo secundário no Ato 3, incluindo chefes opcionais e exploração aprofundada, descobriram que suas equipes se tornaram muito mais fortes do que o necessário para o confronto com o chefe final, Renoir. O resultado foi uma batalha que deveria ser épica e desafiadora, mas que se tornou trivial, podendo ser finalizada em poucos turnos ou até mesmo com um único golpe poderoso.
A Resposta da Sandfall Games e a Visão de Design
Michel Nohra explicou que a equipe de desenvolvimento não antecipou que os jogadores se envolveriam tanto com o conteúdo opcional antes de completar a história. Ele ressaltou que a decisão de tornar o final do jogo aberto foi inspirada em JRPGs clássicos do PlayStation 1, como Final Fantasy 10, onde os jogadores tinham a liberdade de se tornarem incrivelmente poderosos antes de enfrentar o chefe final.
No entanto, Nohra reconheceu que a falta de clareza na comunicação sobre a dificuldade pretendida foi um erro. Ele lamentou que os jogadores que buscavam um desafio no final do jogo sentiram-se desapontados por terem investido tempo em todo o conteúdo disponível. A humildade da equipe, que não tinha certeza se o jogo seria tão bem recebido, também contribuiu para o desequilíbrio, pois eles esperavam que a maioria dos jogadores se concentrasse em terminar a história principal.
Impacto na Experiência do Jogador e Lições para o Futuro
A comunidade de jogadores de Clair Obscur: Expedition 33 tem discutido extensivamente o problema do overleveling em fóruns como Reddit e Steam. Muitos jogadores compartilharam a frustração de se prepararem para um confronto final épico, apenas para descobrirem que a batalha não oferecia resistência. Alguns sugeriram que o jogo deveria ter um aviso ou um mecanismo de escalonamento de dificuldade para o chefe final, a fim de preservar o desafio para aqueles que exploram o conteúdo secundário.
A aceitação da crítica por parte da Sandfall Games demonstra a disposição do estúdio em ouvir o feedback da comunidade. Embora Nohra tenha afirmado que não se arrepende da estrutura do jogo, ele reconhece que a comunicação poderia ter sido melhor. Para os jogadores que ainda não terminaram o game, a recomendação implícita é priorizar a batalha final antes de se aprofundar no conteúdo opcional do Ato 3, garantindo assim a experiência de desafio pretendida pelos desenvolvedores.
