Lara Croft Quase Teve Redesign ‘Estilo Mangá’ para o Japão em 1996

Uma descoberta recente nos bastidores do desenvolvimento do primeiro Tomb Raider (1996) revelou que a icônica exploradora Lara Croft quase teve um visual drasticamente diferente para o mercado japonês. O co-criador da franquia, Paul Douglas, compartilhou detalhes sobre uma proposta de redesign no estilo mangá que foi apresentada pela editora japonesa do jogo, Victor Interactive Software, com o objetivo de tornar a personagem mais atraente para o público local.
A revelação reacendeu o debate sobre as diferenças de design de personagens entre os mercados ocidental e oriental nos primórdios dos jogos 3D. O conceito descartado mostra uma Lara Croft com traços mais suaves, olhos maiores e proporções de cabeça/corpo que remetem diretamente à estética de animes e mangás da época.
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Contexto da Proposta: A Preocupação com o Mercado Japonês
De acordo com Douglas, a proposta de redesign surgiu em um momento crucial do desenvolvimento do jogo original. A editora japonesa expressou preocupações de que o design ocidental de Lara Croft não seria bem recebido no Japão. Naquela época, era comum que personagens ocidentais fossem adaptados para o mercado japonês, muitas vezes com mudanças significativas. Exemplos notórios incluem a suavização de mascotes como Crash Bandicoot e Spyro the Dragon em suas versões japonesas.
A Victor Interactive Software chegou a enviar por fax os designs propostos para a equipe da Core Design. A intenção era alterar o modelo 3D de Lara Croft dentro do jogo, dando-lhe características de anime, como olhos grandes e uma cabeça proporcionalmente maior. A editora acreditava que essa mudança seria fundamental para o sucesso comercial do título na região.
A Recusa de Toby Gard e a Decisão Final
Apesar da pressão da editora, a proposta de redesign foi veementemente rejeitada por Toby Gard, o criador original de Lara Croft. Gard, que havia concebido a personagem como uma exploradora britânica realista (dentro dos padrões da época), não queria alterar a identidade visual fundamental de Lara. A equipe de desenvolvimento da Core Design concordou que a personagem deveria manter sua aparência original em todas as regiões.
Como um compromisso final, os designs no estilo mangá acabaram sendo utilizados apenas no manual de instruções e em materiais promocionais da versão japonesa do jogo. Essa decisão permitiu que a editora japonesa tentasse atrair o público local com a arte conceitual, enquanto mantinha a integridade do design original de Lara Croft no jogo em si.
O Legado do Design Descartado
A revelação do conceito de arte descartado gerou curiosidade entre os fãs, muitos dos quais debateram se a mudança teria sido positiva ou negativa para a franquia. Embora alguns tenham achado o visual de mangá atraente, a maioria concordou que a decisão de manter o design original foi crucial para estabelecer Lara Croft como um ícone global, com uma identidade visual consistente que transcendeu as barreiras culturais.
A história serve como um fascinante vislumbre de como as decisões de design e marketing nos primórdios da indústria de videogames poderiam ter alterado drasticamente o curso de franquias de sucesso. O design descartado de Lara Croft permanece como uma nota de rodapé interessante na história da personagem, mostrando um caminho que a franquia optou por não seguir.
