Sindicato critica Martin Scorsese por apoio à IA: ‘Traição ao Cinema’

O renomado cineasta Martin Scorsese se tornou alvo de fortes críticas do Art Directors Guild (IATSE Local 800), sindicato que representa diretores de arte e designers em Hollywood. A entidade classificou o apoio de Scorsese ao uso de inteligência artificial generativa em produções cinematográficas como uma “traição à natureza colaborativa do cinema”. A polêmica surgiu após o diretor assumir um papel de consultor na empresa Black Forest Labs e promover a ferramenta de IA FLUX para a criação de storyboards.
Em um comunicado divulgado nesta quarta-feira, 10 de junho de 2026, o sindicato expressou profunda indignação com a iniciativa do diretor de 83 anos. A Art Directors Guild argumenta que a endosso de Scorsese à IA generativa “vira as costas para os artistas humanos que, ao longo de sua carreira, o ajudaram a criar suas obras mais memoráveis”.
A Crítica do Sindicato: Desvalorização Humana e Direitos Autorais
A principal preocupação do Art Directors Guild reside na percepção de que a tecnologia promovida por Scorsese pode substituir funções tradicionalmente desempenhadas por profissionais da área. O sindicato enfatiza que a ferramenta FLUX, ao ser usada para storyboarding, invade a jurisdição de diretores de arte, artistas gráficos, ilustradores, designers de produção, artistas cênicos e designers de sets – todos profissionais humanos que colaboram com diretores há décadas para visualizar filmes.
Além da questão da substituição de mão de obra, a entidade levantou sérias preocupações éticas e legais sobre a forma como as IAs generativas são treinadas. O comunicado do sindicato afirma que a “inteligência cinematográfica” produzida por essas ferramentas é gerada “ao ingerir grandes quantidades de trabalho protegido por direitos autorais, provavelmente coletado da internet sem consentimento, crédito, compensação ou transparência”. Para o Art Directors Guild, sugerir que as contribuições profissionais de seus artistas podem ser “imitadas ou ofuscadas” por IA é uma desvalorização de seu trabalho.
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A Posição de Martin Scorsese: Inovação e Eficiência
Martin Scorsese, por sua vez, defendeu seu envolvimento com a Black Forest Labs, comparando a adoção da inteligência artificial a outras inovações tecnológicas que ele incorporou em seus filmes. O diretor mencionou o uso de tecnologia 3D em “A Invenção de Hugo Cabret” e as técnicas de rejuvenescimento digital em “O Irlandês” como exemplos de sua abertura a novas ferramentas.
Scorsese explicou que seu interesse na IA se limita, por enquanto, ao processo de pré-produção, especificamente para a criação de storyboards. Ele argumenta que a ferramenta FLUX pode ajudar a comunicar suas ideias visuais de forma mais clara e eficiente para a equipe de produção, incluindo diretores de fotografia e designers de produção. Em declarações, o cineasta afirmou que “cinema é um meio jovem, com apenas cerca de 125 anos, então temos que estar abertos a como ele pode evoluir”, sugerindo que a IA pode reduzir a pressão de tempo sobre as equipes.
O Debate em Hollywood e Desdobramentos
A controvérsia em torno de Martin Scorsese e a IA é o mais recente episódio em um debate crescente e polarizado dentro da indústria cinematográfica. Sindicatos e artistas expressam temores de deslocamento de empregos, desvalorização da arte humana e questões de direitos autorais. Por outro lado, defensores da IA, incluindo alguns diretores, veem a tecnologia como uma ferramenta para otimizar processos, reduzir custos e expandir as possibilidades criativas.
A Art Directors Guild (IATSE Local 800) se junta a outras vozes em Hollywood que têm se posicionado contra o uso desregulado da IA. A postura do sindicato representa uma escalada tática, com a nomeação pública de figuras proeminentes da indústria, aumentando o risco reputacional para cineastas que consideram parcerias com empresas de IA.
Até o momento, representantes de Martin Scorsese não emitiram uma resposta pública direta à declaração do sindicato. O caso sublinha a tensão contínua entre inovação tecnológica e a preservação do trabalho e dos direitos dos artistas no cenário de Hollywood.
