Amazon Investe Pesado: Mega Loja ‘Big Box’ Omnichannel nos EUA

A Amazon anunciou uma nova e ambiciosa investida no varejo físico, revelando planos para a construção da maior loja de sua história, um empreendimento no formato ‘big box’ omnichannel localizado em um subúrbio de Chicago, nos Estados Unidos. Esta megaloja, com impressionantes 21 mil metros quadrados de área de vendas, sinaliza uma mudança estratégica da gigante do e-commerce, que busca ganhar tração em um segmento de mercado ainda dominado por gigantes tradicionais como Walmart e Costco, que ainda representa cerca de 80% das compras dos consumidores americanos.
O Novo Conceito: Integração de Físico e Digital
O projeto da nova unidade é notavelmente maior que as ‘big boxes’ de seus concorrentes diretos, superando a média de 16 mil m² do Walmart e sendo equivalente a quase duas lojas de porte médio da Target, que possui cerca de 11 mil m².
A estrutura da loja foi pensada para ser um verdadeiro hub híbrido, dividindo seu espaço em duas grandes metades funcionais:
- Varejo e Alimentação: Aproximadamente 50% da área será dedicada à venda de produtos de consumo recorrente, como fraldas e papel toalha, além de uma seção focada em alimentos e refeições preparadas na hora.
- Fulfillment Integrado: A outra metade do espaço funcionará como um centro de fulfillment (separação de pedidos), dedicado exclusivamente ao atendimento de pedidos feitos online e aqueles realizados dentro da própria loja.
A proposta central é criar uma experiência omnichannel fluida. Segundo a advogada que representa a Amazon em reuniões com autoridades locais, a loja foi desenhada para atender às demandas atuais do consumidor de varejo. Isso se traduz em funcionalidades como a possibilidade de o cliente encontrar um produto na prateleira, usar um totem digital para solicitar outra cor ou tamanho, e retirar o item ou finalizar a compra de supermercado no caixa, tudo de forma integrada.
Um aspecto logístico notável é a facilidade para itens volumosos: consumidores poderão solicitar que produtos pesados, como grandes sacos de ração para pets, sejam entregues diretamente no carro, evitando que precisem circular com eles pelo interior da loja.
Veja também:
Revisão da Estratégia de Varejo Físico da Amazon
Este movimento de aposta em escala no formato ‘big box’ ocorre após um período de revisão e encolhimento das iniciativas anteriores da Amazon no varejo presencial.
Fechamentos e Experimentações Anteriores
Nos últimos anos, a empresa vinha testando diversos formatos menores e mais automatizados, como as lojas de conveniência Amazon Go (que utilizam tecnologia de ‘pegue e leve’ sem caixas) e as unidades de supermercado Amazon Fresh, além da loja de vestuário Amazon Style.
Entretanto, muitas dessas operações tiveram expansão interrompida ou foram fechadas. A Amazon chegou a admitir que, em alguns modelos, como o Amazon Go, não conseguiu criar uma experiência de cliente verdadeiramente diferenciada com o modelo econômico adequado para expansão em larga escala.
A rede Amazon Go, que chegou a ter mais de 30 unidades em 2023, viu esse número cair para menos da metade. A aquisição da rede de supermercados Whole Foods Market em 2017, que inicialmente parecia ser a base para a estratégia de alimentos, também não serviu como um hub de entrega consistente devido à inconsistência dos formatos de loja.
Apesar dos ajustes, a empresa mantém o compromisso com o varejo físico, conforme evidenciado pelo fato de que a receita dessa vertical cresceu apenas 10% desde a aquisição do Whole Foods, representando uma parcela minoritária do resultado total da companhia.
Contexto e Expectativas de Mercado
A decisão de investir em uma megaloja de grande porte é vista por analistas como um movimento mais alinhado à escala da operação online da Amazon. Um analista sênior sugeriu que a empresa pode alavancar o vasto volume de dados de assinantes do programa Amazon Prime para estocar as novas lojas com os produtos de maior frequência de compra na região.
O projeto da loja em Chicago já recebeu aprovação do conselho administrativo local e pode iniciar a construção ainda neste ano, com previsão de abertura para o ano seguinte. A iniciativa demonstra a crença da Amazon de que o futuro do varejo exige uma integração robusta entre o digital e o físico, reconhecendo que a experiência presencial ainda é fundamental para o consumidor.
Apesar do foco principal da nova loja ser nos Estados Unidos, o movimento reforça a visibilidade global da estratégia da Amazon no varejo, que busca competir diretamente com os modelos de lojas de massa já estabelecidos.
