Alphabet Emite Título de 100 Anos para Turbinar Corrida da IA

A Alphabet, controladora do Google, está realizando uma manobra financeira de grande magnitude ao preparar a emissão de um raro título de dívida com vencimento em 100 anos. Esta operação, a primeira desse tipo por uma empresa de tecnologia desde o final da década de 1990, época da bolha pontocom, visa especificamente financiar os investimentos exponenciais necessários para manter a liderança na corrida pela Inteligência Artificial (IA).
A emissão histórica faz parte de um esforço maior de captação de recursos em múltiplos mercados e moedas, sinalizando a necessidade urgente de capital para sustentar os planos ambiciosos da companhia no setor de IA. A expectativa é que o montante levantado apoie o aumento drástico no investimento em infraestrutura, incluindo data centers e aquisição de chips, essenciais para o desenvolvimento e operação de modelos avançados de inteligência artificial.
A Necessidade de Capital para a Era da IA
A decisão da Alphabet de buscar financiamento de tão longo prazo está diretamente ligada ao seu plano de gastos de capital (Capex) para o ano corrente. A empresa anunciou a intenção de investir até US$ 185 bilhões em 2026, um valor que representa o dobro do montante investido no ano anterior.
Esse volume de investimento é crucial para a infraestrutura de computação necessária para treinar e operar os sistemas de IA. A corrida tecnológica é intensa, com concorrentes como Meta e Microsoft também anunciando planos de gastos elevados.
Detalhes da Emissão Multimoeda
A operação de dívida não se restringe apenas ao mercado americano. O título centenário será denominado em libras esterlinas e faz parte de um pacote maior de emissões na mesma moeda, além de outras tranches em francos suíços.
- A emissão em libras esterlinas inclui o “century bond” (título centenário), com vencimento em 2126.
- A estratégia multi-divisa visa acessar um grupo mais vasto de investidores e potencialmente obter taxas de juro mais competitivas, aproveitando as condições atuais do mercado de dívida em libras.
- A última vez que uma empresa de tecnologia se aventurou a emitir dívida com prazo de 100 anos foi em 1997, com a Motorola, e antes disso, a IBM em 1996.
A emissão em libras, com a qual a Alphabet estreia nesse mercado específico, foi recebida com forte interesse, superando as expectativas iniciais de demanda.
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Contexto Financeiro e Risco
A emissão de dívida corporativa com vencimento em um século é considerada uma operação rara e arriscada para empresas, pois seus modelos de negócio e relevância podem mudar drasticamente em cem anos.
No entanto, o mercado de títulos centenários é tradicionalmente dominado por governos e instituições com vida útil muito longa, como universidades. Para empresas de tecnologia, a volatilidade e a rápida obsolescência tecnológica representam desafios inerentes a um prazo tão estendido.
Demanda e o Mercado de Dívida Tech
Apesar dos riscos percebidos, a demanda por títulos da Alphabet tem sido robusta. A empresa já havia levantado US$ 20 bilhões no mercado de dívida dos EUA em uma oferta anterior, superando a meta inicial de US$ 15 bilhões, com ordens que ultrapassaram US$ 100 bilhões.
A captação de dívida por grandes empresas de tecnologia, conhecidas como hyperscalers (incluindo Amazon, Microsoft e Meta), tem sido massiva. Analistas estimam que esses gigantes devem captar cerca de US$ 400 bilhões em 2026, um salto significativo em relação aos US$ 165 bilhões de 2025.
Essa onda de financiamento, embora necessária para a infraestrutura de IA, levanta preocupações entre estrategistas de crédito sobre a percepção de risco crescente no mercado.
Riscos da IA e Estratégia de Financiamento
Em um movimento de transparência, a própria Alphabet reconheceu publicamente, em seu relatório financeiro anual à SEC, os novos riscos associados ao investimento maciço em IA. A empresa alertou que o desenvolvimento acelerado da tecnologia pode impactar diretamente sua principal fonte de receita, a publicidade, e levantou a possibilidade de excesso de capacidade em seus data centers caso os investimentos não se concretizem como esperado.
Apesar disso, a empresa está firmando contratos de arrendamento de longo prazo para atender às necessidades imediatas de computação para IA, o que adiciona custos e complexidade operacional.
A emissão de títulos de longo prazo, como o de 100 anos, é vista como uma forma de alinhar o custo do capital com o horizonte de longo prazo dos investimentos em IA, garantindo que a infraestrutura necessária seja financiada sem comprometer a liquidez imediata ou a flexibilidade de caixa para outras operações.
