Apple Confirma: Nova Siri Usará Gemini, IA do Google, em Acordo Plurianual

A Apple confirmou oficialmente uma das parcerias mais significativas da era da inteligência artificial (IA), anunciando que utilizará os modelos Gemini, desenvolvidos pelo Google, para alimentar a próxima geração da sua assistente virtual, a Siri, e outras funcionalidades de IA generativa nos seus dispositivos. A confirmação veio através de um comunicado conjunto das duas gigantes da tecnologia, encerrando meses de especulação sobre qual seria a Large Language Model (LLM) escolhida para dar o salto de capacidade desejado pela empresa de Cupertino.
A Escolha do Gemini e a Estratégia da Apple
Na declaração obtida pela imprensa, a Apple justificou a decisão, afirmando que, após uma avaliação cuidadosa, concluiu que a tecnologia do Google oferece a base mais capaz para os seus Apple Foundation Models (Modelos Fundacionais da Apple). A empresa expressou entusiasmo pelas novas experiências que esta integração irá desbloquear para os seus utilizadores. Este movimento marca um ponto de viragem, especialmente porque a Apple tem investido no desenvolvimento dos seus próprios modelos de IA, conhecidos internamente como parte do projeto Apple Intelligence.
A integração do Gemini surge após a Apple ter adiado uma grande atualização da Siri, que prometia capacidades de IA generativa mais robustas. A versão inicial da Apple Intelligence, apresentada em junho de 2024, já incluía alguma integração com o ChatGPT da OpenAI para certas consultas, mas a necessidade de uma base tecnológica mais potente para as tarefas mais complexas da Siri levou à busca por um parceiro externo.
Detalhes do Acordo e Privacidade
O acordo selado entre Apple e Google é descrito como uma colaboração plurianual. Embora os valores exatos não tenham sido divulgados publicamente no comunicado oficial, relatos anteriores indicavam que o contrato poderia envolver um pagamento anual de cerca de 1 bilhão de dólares ao Google. A parceria não se restringe apenas ao modelo de IA; ela também inclui o uso da infraestrutura de nuvem do Google para executar alguns desses modelos.
Um ponto crucial destacado por ambas as empresas é a manutenção dos padrões de privacidade da Apple. O processamento das requisições mais complexas que utilizarem o Gemini será realizado apenas nos servidores da nuvem privada da Apple (Private Cloud Compute). Isso visa garantir que os dados dos utilizadores não serão armazenados nem partilhados com o Google, mantendo o controle da experiência dentro do ecossistema da Apple.
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Impacto na Siri e Funcionalidades Esperadas
A integração do Gemini é esperada para dar à Siri capacidades significativamente aprimoradas, especialmente em tarefas que exigem raciocínio complexo, resumo de informações, planejamento e automação de ações dentro de múltiplas aplicações no dispositivo. O Gemini, particularmente em suas versões mais avançadas, foi escolhido por demonstrar desempenho superior em lidar com essas solicitações abrangentes, quebrando-as em ações mais simples para a assistente executar.
Espera-se que a nova Siri, alimentada pelo Gemini, seja lançada ainda este ano, possivelmente com uma atualização do sistema operacional prevista para o início de 2026. Esta reformulação visa tornar a assistente mais contextual, autônoma e alinhada com a visão de um agente digital completo que a Apple tem promovido.
Repercussão no Mercado de IA
A escolha da Apple pelo Gemini representa uma vitória notável para o Google na corrida da IA, especialmente contra a OpenAI. Relatos indicam que a decisão foi um revés para a OpenAI, cuja tecnologia já possuía um papel, ainda que secundário, na estrutura inicial da Apple Intelligence. Com este acordo, o ChatGPT tende a ficar mais posicionado para consultas opcionais e complexas, enquanto o Gemini se torna a camada de inteligência padrão para as funcionalidades centrais da Siri.
A parceria consolida a posição do Gemini como um dos modelos de IA mais competitivos do mercado, impulsionando também a estratégia do Google em licenciar sua tecnologia para grandes fabricantes, como já ocorre com a linha Galaxy AI da Samsung. A Apple, ao optar por uma solução externa robusta, busca acelerar sua presença no setor de IA generativa, onde vinha sendo percebida como atrasada em relação aos concorrentes diretos.
