Autor de Foto Falsa de Onça na ETA Piraí Admite Engano com IA

Uma fotografia que circulou intensamente em grupos de WhatsApp e redes sociais, supostamente mostrando uma onça-pintada nas dependências da Estação de Tratamento de Água (ETA) Piraí, em Joinville, Santa Catarina, foi desmentida pelas autoridades. A Polícia Militar Ambiental confirmou que a imagem não é um registro real do animal no local, mas sim uma criação gerada por ferramentas de inteligência artificial (IA).
O esclarecimento oficial, emitido na quinta-feira (26), veio após a corporação investigar a origem da foto que gerou preocupação e grande repercussão na comunidade local. O responsável pela montagem da imagem digital foi identificado e, ao ser contatado pelas autoridades, confessou ter produzido o conteúdo falso com o intuito de fazer uma brincadeira.
A Identificação do Autor e a Confissão
A investigação conduzida pela Polícia Militar Ambiental foi rápida e eficaz para rastrear a origem da notícia falsa. De acordo com as fontes, o autor da imagem é um funcionário terceirizado da Companhia Águas de Joinville. Após ser localizado, o indivíduo assumiu a autoria, explicando que seu objetivo inicial era apenas pregar uma peça a colegas em um grupo de mensagens internas da empresa.
A Companhia Águas de Joinville também se manifestou sobre o ocorrido. Em nota, a empresa confirmou que o funcionário foi identificado e, posteriormente, orientado sobre as implicações de disseminar reproduções de imagens que possam induzir a população ao erro. A divulgação, contudo, extrapolou o ambiente interno, alcançando rapidamente as redes sociais e gerando um alarme desnecessário.
Contexto da Onça-Pintada em Santa Catarina
A repercussão do caso ganha um peso adicional devido à raridade da onça-pintada (*Panthera onca*) no estado de Santa Catarina. O maior felino das Américas é uma espécie ameaçada e sua presença na região é extremamente incomum. O Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina (IMA) estima que existam menos de 50 indivíduos adultos da espécie em vida livre no estado.
Os registros fotográficos recentes da onça-pintada em Santa Catarina são escassos, com relatos indicando que o último registro comprovado da espécie no território catarinense ocorreu há mais de 40 anos. Essa raridade é o que torna qualquer suposta aparição um evento de grande interesse público e potencial gerador de pânico ou curiosidade.
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O Risco da Desinformação e a Orientação Oficial
O incidente serve como um alerta importante sobre a proliferação de notícias falsas, especialmente aquelas que utilizam a tecnologia de inteligência artificial para criar conteúdos visuais altamente realistas. A disseminação rápida dessas imagens em plataformas de mensagens instantâneas, como o WhatsApp, demonstrou a capacidade de gerar comoção pública em poucas horas.
A Polícia Militar Ambiental aproveitou o episódio para reforçar a importância da checagem de informações. As autoridades ambientais aconselham a população a sempre buscar confirmação de notícias que gerem preocupação ou alarme em canais oficiais antes de proceder com o compartilhamento. Isso é fundamental para evitar a criação de pânico coletivo e a sobrecarga de serviços de emergência com informações infundadas.
Diferença entre Onça-Pintada e Onça-Parda
É relevante notar que, embora a notícia falsa envolvesse uma onça-pintada, Santa Catarina possui registros mais frequentes de onças-pardas (*Puma concolor*), também conhecidas como pumas. A onça-parda, embora seja um grande felino, possui características distintas da pintada. Registros de onças-pardas, inclusive, já ocorreram em áreas próximas a Joinville, como em vídeos de animais atravessando rios na região, mas a onça-pintada permanece um símbolo de extrema raridade no estado.
Desdobramentos e Conclusão
O autor da fotografia criada por IA foi identificado e orientado pelas autoridades e pela empresa contratante. O caso foi encerrado com a desmistificação da imagem e o alerta sobre o uso indevido da tecnologia. A ETA Piraí segue operando normalmente, sem a presença do grande felino, e a população é aconselhada a manter a cautela com conteúdos não verificados que circulam nas mídias sociais.
