B3 Investe Pesado em Requalificação para Proteger Empregos da IA

A B3, bolsa de valores do Brasil, intensificou seus investimentos em programas de requalificação profissional, com foco em Inteligência Artificial (IA), dados e computação em nuvem, como estratégia central para proteger os empregos de seus cerca de 3.000 funcionários diante do avanço da automação. A iniciativa visa preparar o quadro interno para as transformações digitais do mercado financeiro e garantir a empregabilidade a longo prazo.
Em 2025, a companhia destinou mais de 150 mil horas à capacitação técnica, sendo 43% desse total voltado para tecnologias estratégicas. A média de formação por colaborador atingiu 45,7 horas, um volume 74% superior à média nacional, conforme apontado pela pesquisa Panorama. O investimento médio anual em capacitação técnica por funcionário foi de R$ 2.531, valor 110% acima da média do mercado brasileiro.
Estratégia de Capacitação Abrangente
O programa de treinamento da B3, iniciado em 2023, é abrangente e segmentado em níveis básico, intermediário e avançado, com trilhas personalizadas por área e função. As equipes de tecnologia recebem maior profundidade nos conteúdos.
Foco em IA, Dados e Nuvem
- Inteligência Artificial: Mais de 13 mil horas de treinamento foram dedicadas à IA, distribuídas em 120 cursos, cobrindo desde conceitos introdutórios até aplicações avançadas.
- Dados: A formação em dados totalizou 12 mil horas de desenvolvimento, alcançando mais de 700 profissionais, incluindo equipes fora da área de tecnologia.
- Computação em Nuvem (Cloud): Foram mais de 8 mil horas de treinamento em nuvem, com 31% das certificações emitidas em níveis intermediário e avançado.
Para fortalecer sua oferta educacional, a B3 estabeleceu parcerias estratégicas com instituições e empresas de tecnologia renomadas, como Alura, Microsoft, Oracle e AWS. Essas colaborações ampliam o acesso dos colaboradores a mais de dois mil conteúdos educacionais, incluindo cursos e plataformas de educação continuada.
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Proteção de Empregos e Aumento de Produtividade
Renata Caffaro, diretora de Pessoas da B3, enfatiza que o investimento em requalificação é uma resposta direta ao risco de perda de funções para a automação, especialmente em cargos de entrada. A visão da B3 é que, ao automatizar tarefas repetitivas, os profissionais podem ser direcionados para atividades de maior valor agregado, que exigem criatividade, empatia e tomada de decisão complexa.
A estratégia da B3 é manter e atualizar as competências de seus funcionários, aproveitando o conhecimento institucional já adquirido. Caffaro argumenta que treinar quem já conhece a operação é mais vantajoso do que contratar novos talentos de fora, especialmente em uma empresa com baixa rotatividade e alto valor atribuído ao conhecimento interno.
Os resultados práticos da requalificação já são percebidos em áreas com alto volume operacional, como o setor jurídico, onde a IA tem contribuído para ganhos de produtividade. A empresa continua desenvolvendo métricas para quantificar esses benefícios de forma sistemática.
Desdobramentos e Perspectivas para 2026
A B3 tem se destacado na adoção de IA, implementando soluções como o B3 GPT, uma plataforma interna que oferece recursos como AskPDF para resumir documentos e GPT-4 para criação de código de programação. A empresa também utiliza o CloudAI para o onboarding de funcionários.
Em 2025, a bolsa anunciou a adoção “massiva” de agentes de IA em produtos e serviços, visando transformar a experiência de clientes e colaboradores. Um exemplo já em operação é o Digital Coach, um agente de IA que monitora centrais de atendimento, analisa interações e sugere melhorias nos processos.
Thiago Suzano, diretor de engenharia de software e dados da B3, explica que o objetivo é aumentar a capacidade operacional da companhia, liberando os funcionários para trabalhos intelectuais, que são a grande diferença do ser humano para a IA.
Para o mercado em geral, a diretora de Pessoas da B3, Renata Caffaro, vê o movimento de requalificação como inevitável. Uma pesquisa da FGV/Ibre de abril indica que a IA já impacta na redução de emprego e renda de jovens brasileiros, reforçando a urgência de programas de capacitação para novas habilidades.
A B3 acredita que a colaboração entre humanos e máquinas será essencial para maximizar os benefícios da automação, focando na combinação do potencial da inteligência artificial com a criatividade e empatia humanas.
