Brasileira Ana Ulbrich Lidera IA Contra Erros em Prescrições Médicas

A farmacêutica brasileira Ana Helena Ulbrich, natural de Capão da Canoa (RS), está revolucionando a segurança do paciente na saúde com uma solução de inteligência artificial (IA) que ajuda a prevenir erros em prescrições médicas. Co-fundadora da NoHarm.ai, uma plataforma que revisa milhões de receitas mensalmente, Ulbrich foi destaque na Forbes Brasil e reconhecida internacionalmente por seu trabalho inovador e sua abordagem sem fins lucrativos no Sistema Único de Saúde (SUS).
A Origem da NoHarm.ai: Uma Resposta à Segurança do Paciente
A inspiração para a NoHarm.ai surgiu da experiência de Ana Helena Ulbrich, que trabalhou por uma década em um hospital com mais de 800 leitos em Porto Alegre. Durante sua rotina como farmacêutica clínica, ela testemunhava a frequência de erros — muitos deles potencialmente graves — nas prescrições médicas. A falta de tempo para uma análise aprofundada de históricos, exames e evolução clínica dos pacientes impedia a detecção eficaz de falhas de dosagem e interações medicamentosas perigosas.
Em 2017, incomodada com essa realidade, Ulbrich desafiou seu irmão, Henrique Dias, um cientista de dados então doutorando em inteligência artificial, a aplicar seu conhecimento para resolver esse problema crítico. Juntos, começaram a desenvolver uma ferramenta baseada em IA para sinalizar riscos em prescrições. Após publicar um estudo inicial, eles decidiram ir além, fundando a NoHarm em 2019, com o propósito de criar um impacto real na segurança do paciente.
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Como a Inteligência Artificial da NoHarm.ai Funciona
A plataforma da NoHarm.ai utiliza algoritmos avançados de inteligência artificial para analisar prescrições médicas e identificar inconsistências. O sistema é capaz de detectar diversos tipos de erros, incluindo:
- Doses Incorretas: Como a prescrição de 20 comprimidos em vez de 20 miligramas, o que poderia levar a uma sobredose letal.
- Interações Medicamentosas Perigosas: Identificando combinações de medicamentos que podem causar efeitos adversos graves.
- Inconsistências no Prontuário: Cruzando dados para garantir que a medicação seja apropriada para o histórico e condição do paciente.
- Ajuste de Dose: Sugerindo correções para pacientes com comorbidades, como função renal alterada, que exigem dosagens específicas.
A ferramenta atua como um suporte crucial para os profissionais de saúde, oferecendo uma “segunda visão” e agilizando a revisão das prescrições. É importante ressaltar que a decisão final sobre a medicação e o tratamento é sempre do profissional de saúde, com a IA funcionando como um assistente para aumentar a precisão e a segurança.
Impacto e Abrangência Nacional e Internacional
Desde sua implementação, a NoHarm.ai tem demonstrado um impacto significativo. Atualmente, a solução é utilizada em mais de 200 hospitais e unidades de saúde em todo o Brasil, e também na Argentina. A plataforma processa cerca de 5 milhões de prescrições por mês, beneficiando mais de 2,5 milhões de pacientes.
Um dos pilares da NoHarm.ai é seu modelo de negócio social. A tecnologia é distribuída gratuitamente para hospitais do Sistema Único de Saúde (SUS), enquanto instituições privadas pagam uma taxa de uso que ajuda a sustentar a gratuidade no setor público. Essa abordagem reflete a visão de Ana Helena de priorizar a segurança do paciente sobre o lucro, uma postura que a levou a trabalhar sem remuneração até que a organização pudesse cobrir seu salário.
Hospitais que utilizam a ferramenta relatam melhorias substanciais. Por exemplo, o Hospital São Vicente de Paulo, em Passo Fundo (RS), após a implantação da NoHarm.ai em agosto de 2021, conseguiu aumentar a avaliação de prescrições de 45% para 80%, resultando em aproximadamente 6.600 intervenções propostas pelos farmacêuticos e uma economia estimada de quase R$ 700 mil em um ano.
Reconhecimento e Desdobramentos Futuros
O trabalho de Ana Helena Ulbrich e da NoHarm.ai não passou despercebido. Em 2025, a farmacêutica foi listada pela revista Time como uma das líderes globais em inteligência artificial, ao lado de figuras proeminentes da tecnologia como Elon Musk e Mark Zuckerberg. Esse reconhecimento sublinha a relevância de sua contribuição para a saúde global.
A crescente adoção da IA na saúde no Brasil é um tema em ascensão. Pesquisas indicam que médicos e enfermeiros já utilizam IA em suas rotinas profissionais. Iniciativas como a da NoHarm.ai, juntamente com outros projetos que exploram a IA para otimizar a prescrição e a segurança do paciente, como o DrugGPT desenvolvido por especialistas de Oxford e o projeto da UFMG para prescrições acessíveis no SUS, mostram um futuro promissor para a integração da tecnologia na medicina brasileira. A NoHarm.ai continua buscando parcerias, inclusive com o Ministério da Saúde, para ampliar ainda mais o alcance de sua solução no SUS.
