CNBB Inicia Grupo de Trabalho sobre Inteligência Artificial com Bispos e Especialistas

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) deu início às atividades de seu Grupo de Trabalho sobre Inteligência Artificial e Tecnologias Emergentes. A primeira reunião do grupo, realizada na sede da CNBB, em Brasília, marcou o aprofundamento da reflexão da Igreja Católica sobre os avanços tecnológicos e suas implicações para a sociedade.
A iniciativa, aprovada durante a 119ª reunião do Conselho Permanente da CNBB em junho de 2026, visa oferecer subsídios às Comissões e à Presidência da Conferência sobre os impactos, riscos e oportunidades decorrentes do desenvolvimento da Inteligência Artificial (IA). O grupo é composto por bispos, sacerdotes, acadêmicos, professores e especialistas, demonstrando a preocupação da Igreja em acompanhar uma das maiores transformações da atualidade.
Objetivos e Composição do Grupo
Presidido por Dom Valdir José de Castro, bispo de Campo Limpo (SP) e presidente da Comissão Episcopal para a Comunicação da CNBB, o Grupo de Trabalho tem como missão principal aprofundar a compreensão da Igreja sobre a IA. Entre os membros de destaque está Dom Edson José Oriolo dos Santos, bispo de Leopoldina (MG), reconhecido por seus estudos sobre Inteligência Artificial na Igreja e na evangelização.
Os objetivos incluem:
- Estudar os impactos, riscos e oportunidades da IA.
- Orientar a Igreja diante das transformações trazidas pelas novas tecnologias.
- Estabelecer fundamentos éticos e pastorais para o uso da IA.
- Discutir como a IA pode ser utilizada a serviço da pessoa humana, sem negligenciar os riscos éticos, sociais e pastorais.
- Abordar os desafios que a IA apresenta para a evangelização, a comunicação eclesial e a formação católica no Brasil.
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Primeiras Atividades e Temas de Estudo
Durante o encontro inaugural, os integrantes do Grupo de Trabalho foram introduzidos à estrutura e à missão institucional da CNBB. A pauta incluiu a análise de documentos da Igreja que abordam as novas tecnologias, com o intuito de solidificar as bases éticas e pastorais para as futuras discussões.
Os primeiros assuntos selecionados para estudo e reflexão abrangem diversas áreas da vida eclesial e social, tais como:
- Ecologia integral;
- Iniciação à vida cristã;
- Comunicação;
- Família;
- Juventude;
- Transformações no mundo do trabalho provocadas pela tecnologia.
Contexto e Preocupações Éticas da Igreja
A criação do grupo reflete uma preocupação global da Igreja Católica com o rápido avanço da Inteligência Artificial. Em maio de 2026, a publicação da encíclica Magnifica humanitas, do Papa Leão XIV, colocou a IA no centro do debate ético da Igreja, enfatizando a necessidade de avaliar a tecnologia à luz da dignidade humana, da solidariedade e do bem comum.
A CNBB também tem acompanhado de perto as discussões sobre IA em suas Assembleias Gerais, com a temática sendo abordada desde pelo menos abril de 2024. O 60º Dia Mundial das Comunicações Sociais, celebrado em 17 de maio de 2026, teve como tema “Preservar vozes e rostos humanos”, escolhido pelo Papa Leão XIV, alertando para os riscos de manipulação e desinformação no ambiente digital.
Dom Valdir José de Castro ressalta que a Igreja deve ser um exemplo no mundo digital, combatendo a manipulação e priorizando o valor humano. Ele enfatiza que a tecnologia, por si só, não é boa nem má, mas seu uso deve ser direcionado para a evangelização e o anúncio dos valores do Evangelho, com critérios claros para evitar a substituição do trabalho humano e a perda da autenticidade.
A Igreja busca promover uma comunicação humanizada, que valorize a escuta, o diálogo e a autenticidade, em um cenário onde algoritmos e bolhas de opinião podem fragmentar a percepção da realidade. A iniciativa do Grupo de Trabalho da CNBB busca, portanto, não apenas compreender a tecnologia, mas orientar seu desenvolvimento e aplicação a partir de uma perspectiva ética e cristã.
Próximos Desdobramentos
Os primeiros resultados dos estudos realizados pelo Grupo de Trabalho sobre Inteligência Artificial e Tecnologias Emergentes da CNBB deverão ser apresentados aos conselhos episcopais da Conferência no primeiro trimestre de 2027. Essa etapa será crucial para a formulação de diretrizes e posicionamentos da Igreja no Brasil diante dos desafios e oportunidades que a Inteligência Artificial continua a apresentar.
