McKinsey: Crescimento da IA Exige Inclusão Urgente para Evitar Desigualdade

O avanço exponencial da Inteligência Artificial (IA) tem o potencial de impulsionar a economia global a patamares sem precedentes, mas o crescimento gerado por essa tecnologia deve ser mais inclusivo para evitar o aprofundamento das desigualdades. Essa é a visão de Bob Sternfels, sócio-diretor global da McKinsey & Company, que tem reiterado a necessidade de ações deliberadas para garantir que os benefícios da IA sejam amplamente distribuídos.
A discussão sobre a inclusão no contexto da IA ganhou destaque em fóruns globais recentes, como o Fórum Econômico Mundial em Davos, no início de 2026, onde Sternfels e outros líderes debateram como as inovações tecnológicas podem acelerar o crescimento inclusivo, em vez de miná-lo.
Potencial Econômico da IA e o Risco da Concentração
Estudos da McKinsey Global Institute (MGI) indicam que a IA, especialmente a generativa, pode adicionar trilhões de dólares anualmente à economia global, com estimativas variando entre 2,6 trilhões e 4,4 trilhões de dólares apenas para os casos de uso analisados. Esse valor poderia dobrar ao considerar a integração da IA generativa em softwares já existentes.
No entanto, Sternfels alerta que, sem uma abordagem consciente, esses ganhos econômicos podem se concentrar em um número restrito de setores, empresas, países e indivíduos. A desigualdade entre países tem diminuído nas últimas décadas, mas a desigualdade local tem aumentado, e a IA pode exacerbar essa tendência se não houver um planejamento estratégico para a inclusão.
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A Imperativa da Inclusão e a Transformação do Trabalho
Para que o crescimento da IA seja verdadeiramente inclusivo, a McKinsey enfatiza que a distribuição dos ganhos dependerá menos da tecnologia em si e mais das decisões dos líderes sobre onde investir, como estabelecer parcerias e com que rapidez transformar ambições em execução.
A IA está remodelando fundamentalmente o mercado de trabalho, alterando a natureza das atividades e exigindo novas competências. Relatórios da McKinsey e do Fórum Econômico Mundial preveem que uma parcela significativa das habilidades essenciais dos trabalhadores mudará até 2027, com o pensamento analítico, a alfabetização em IA e o aprendizado contínuo tornando-se capacidades críticas.
Desafios e Oportunidades na Força de Trabalho
- Requalificação e Adaptação: Milhões de trabalhadores precisarão de apoio para aprender novas habilidades e, em alguns casos, mudar de ocupação. A gestão eficaz dessas transições é crucial para um crescimento inclusivo.
- Valor do Trabalho: O valor econômico está migrando da execução (trabalho braçal, técnico e repetitivo) para a decisão e a emoção. O mercado passa a valorizar a interpretação de dados e a liderança da mudança, em vez da simples execução de tarefas.
- Habilidades Humanas Insuncetíveis à IA: Bob Sternfels destaca três habilidades humanas que a IA não pode replicar: a capacidade de aspirar (definir grandes objetivos), o julgamento (tomar decisões baseadas em valores e normas sociais) e a criatividade genuína (pensar de forma “ortogonal”, fora dos padrões existentes).
Investimento Estratégico e Resiliência
A resiliência e a inclusão são agora inseparáveis, segundo a McKinsey. O capital tende a fluir para ambientes que oferecem políticas previsíveis, compartilhamento de riscos credível e coalizões focadas na execução. Investimentos estratégicos em áreas como infraestrutura digital e capacitação da força de trabalho são essenciais para desbloquear produtividade, gerar empregos e promover uma participação mais ampla no crescimento.
A consultoria aponta que fechar a lacuna em infraestrutura digital exigirá mais de 19 trilhões de dólares em investimentos até 2040, grande parte em mercados historicamente subinvestidos. Com esses aportes, os retornos podem ser transformadores.
McKinsey na Era da IA: Um Exemplo Interno
A própria McKinsey está passando por uma transformação impulsionada pela IA. A empresa emprega 25.000 “agentes de IA” ao lado de 40.000 funcionários humanos, com a expectativa de que esses números se igualem até o final do ano. Essa abordagem, que Sternfels chama de “25 ao quadrado”, demonstra como a IA está alterando a anatomia do trabalho mesmo em empresas de consultoria de ponta.
A produtividade interna da McKinsey aumentou significativamente, com a IA economizando 1,5 milhão de horas em trabalho de pesquisa e síntese no ano passado e gerando 2,5 milhões de gráficos em seis meses. Isso permite que os consultores se concentrem em problemas mais complexos e em atividades de maior valor.
A empresa também está reavaliando seus processos de contratação, priorizando a resiliência e a adaptabilidade em detrimento de registros acadêmicos impecáveis, utilizando a IA para analisar dados de contratação e identificar traços que preveem o sucesso a longo prazo.
Desdobramentos e Perspectivas Futuras
A adoção da IA continua a se expandir, mas a transição de projetos-piloto para um impacto escalável ainda é um desafio para muitas organizações. Embora a maioria das empresas esteja utilizando IA em pelo menos uma função de negócio, apenas uma minoria conseguiu integrar a tecnologia profundamente em seus fluxos de trabalho para obter benefícios materiais em nível empresarial.
O futuro do crescimento impulsionado pela IA dependerá da capacidade dos líderes em equilibrar a inovação tecnológica com a responsabilidade social, garantindo que a produtividade e a riqueza geradas sejam compartilhadas de forma mais equitativa. A mensagem de Bob Sternfels é clara: a inclusão não é apenas uma questão ética, mas um imperativo econômico para um futuro próspero e estável.
