Diretor do Magalu aponta

Caio Gomes, diretor de inteligência artificial e dados do Magazine Luiza (MGLU3), classificou como “besteira” parte do hype atual em torno de certas aplicações de Inteligência Artificial (IA), como a busca pela Inteligência Artificial Geral (AGI) e o experimento conhecido como a “religião dos agentes”.
Em sua participação no evento Imersão Money Times, em parceria com a Global X, Gomes destacou que, enquanto muitos prometem inovações, o Magalu já está colhendo lucros significativos com seus modelos proprietários de IA generativa, superando, em faturamento gerado, gigantes como OpenAI (dona do ChatGPT), Google e Anthropic, que ainda operam com grandes prejuízos com a tecnologia.
Ceticismo com o Hype da Inteligência Artificial
O executivo do Magalu demonstrou ceticismo em relação a algumas narrativas predominantes no mercado de IA. Ele mencionou especificamente a afirmação de Jensen Huang (CEO da Nvidia) sobre a existência da AGI, rotulando-a como “besteira”.
Gomes também citou o experimento da “religião dos agentes”, que tenta demonstrar a capacidade de IAs criarem culturas e ideologias, como outro exemplo de conteúdo que ele considera exagerado e sem relevância prática imediata.
O Erro Comum: IA sem Propósito Definido
Segundo o diretor, o erro que muitas empresas cometem é tentar aplicar a IA sem um objetivo claro e prático. Ele enfatizou que o foco do Magalu nunca foi apenas “colocar inteligência artificial no produto”, mas sim resolver um problema central: transformar a experiência de compra do consumidor.
- O Magalu estruturou uma diretoria dedicada exclusivamente a IA e dados, com mais de 100 pessoas focadas no desenvolvimento de modelos generativos e discriminativos.
- A atuação da equipe é transversal, passando por todas as áreas da companhia.
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Como o Magalu Transforma IA em Lucro
A estratégia do Magazine Luiza tem se concentrado em aplicações que geram valor imediato e escalável, contrastando com o foco de muitas *big techs* em pesquisa de longo prazo, que ainda gera custos elevados.
O WhatsApp da Lu como Interface Principal
O principal produto de IA da varejista é o aprimoramento de sua assistente virtual, a Lu, que agora opera via WhatsApp com um modelo de IA generativa avançado.
Este sistema permite uma jornada de compra completa, do início ao pagamento, baseada puramente na conversação natural do usuário. O diferencial reside na capacidade do sistema de interpretar comandos complexos e contextuais, indo além da busca tradicional por palavras-chave.
- Um exemplo citado internamente é a capacidade do sistema de sugerir produtos com base em descrições subjetivas, como pedir uma “pedaleira de guitarra com sonoridade semelhante à banda Van Halen”.
- A empresa está aumentando a conversão de vendas em até três vezes graças a este modelo, mesmo estando em uma fase inicial de divulgação massiva.
Este desenvolvimento coloca o Magalu na vanguarda do que a empresa chama de “AI-commerce”, uma evolução onde a IA generativa atua como a principal interface de consumo.
Contexto Estratégico: O Ciclo 2026
A aposta pesada em IA está alinhada ao novo ciclo estratégico do Magazine Luiza, que se inicia em 2026. O CEO, Frederico Trajano, já havia sinalizado que esta nova fase seria marcada por uma disrupção tecnológica comparável ao surgimento do e-commerce e dos aplicativos móveis.
A conclusão do ciclo anterior, focado na construção do ecossistema de negócios (que inclui aquisições e o Magalu Cloud), deixou a companhia mais resiliente a fatores macroeconômicos.
Aplicações Além do Varejo
Caio Gomes indicou que a IA será expandida por toda a operação do Magalu no novo ciclo. Além de otimizar a experiência de compra, a tecnologia visa ganhos em otimização de custos e melhorias em áreas como logística, incluindo a otimização de rotas e operações em centros de distribuição.
Desdobramentos e Perspectiva Futura
O diretor de IA e Dados do Magalu comparou a fase atual da IA com o ano de 1998 na era da internet: um momento em que o potencial disruptivo é claro, mas a plena compreensão de uso ainda está em desenvolvimento.
Enquanto o mercado debate o futuro da AGI e o alto custo de desenvolvimento de modelos por empresas líderes, o Magazine Luiza foca na aplicação pragmática e lucrativa da IA generativa, utilizando sua infraestrutura própria, como o Magalu Cloud, que já atende cerca de 300 clientes corporativos.
A abordagem da varejista brasileira, focada em resultados tangíveis e na melhoria da conversão de vendas através de interações conversacionais sofisticadas, posiciona a empresa como um caso de estudo relevante na adoção corporativa de inteligência artificial no varejo global.
