FAB debate impactos da IA na pesquisa científica em workshop no DCTA

A Força Aérea Brasileira (FAB), por meio do Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA) e do Instituto de Estudos Avançados (IEAv), realizou nos dias 11 e 12 de junho de 2026 o XXV Workshop Anual de Pesquisa e Desenvolvimento (XXV WAI). O evento reuniu especialistas, pesquisadores e estudantes para debater os múltiplos impactos da Inteligência Artificial (IA) na pesquisa científica, abordando oportunidades, desafios e a aplicação da tecnologia na produção de conhecimento e no desenvolvimento de soluções estratégicas para o País.
Com o tema central “Inteligência Artificial e Transformação da Pesquisa Científica”, o workshop promoveu uma profunda reflexão sobre a integração da IA no ambiente acadêmico e de pesquisa, destacando a necessidade de uma abordagem responsável. As discussões abrangeram aspectos cruciais como inovação, ética, governança de dados, transparência, rastreabilidade e a confiabilidade dos sistemas inteligentes, evidenciando o compromisso da FAB com uma incorporação consciente da IA em suas atividades científicas.
Relevância e Participação no XXV WAI
A cerimônia de abertura do XXV WAI contou com a presença de importantes figuras como o Vice-Diretor do DCTA, Major-Brigadeiro do Ar Eric Breviglieri, e o Diretor do IEAv, Coronel Engenheiro Bruno Giordano de Oliveira Silva. Suas participações reforçaram a relevância estratégica do tema para o ecossistema de ciência, tecnologia e inovação da Força Aérea Brasileira.
Ao longo da programação, especialistas de diversas instituições, tanto civis quanto militares, compartilharam suas experiências e perspectivas sobre a utilização da Inteligência Artificial em atividades de pesquisa, desenvolvimento e inovação. Os debates foram abrangentes, partindo de conceitos fundamentais da tecnologia até questões complexas relacionadas à integridade científica e à formação de novos pesquisadores.
No segundo dia do workshop, pesquisadores e colaboradores do IEAv apresentaram os resultados recentes de seus projetos de pesquisa e desenvolvimento. Foram submetidos 45 trabalhos científicos, demonstrando a diversidade e a contribuição do Instituto para o avanço científico e tecnológico nacional. O encerramento incluiu uma mesa-redonda focada na aplicação da IA em P&D no IEAv, fomentando o intercâmbio de experiências e identificando oportunidades de colaboração entre diferentes áreas do conhecimento.
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Avanços da FAB na Inteligência Artificial
A discussão no XXV WAI se insere em um contexto de crescente investimento e aplicação da Inteligência Artificial pela Força Aérea Brasileira em diversas frentes. A FAB tem demonstrado um papel de vanguarda na adoção dessa tecnologia para aumentar a eficiência, segurança e inovação em suas operações e pesquisas.
Criação do Laboratório de IA (LabIA)
Um marco significativo foi a aprovação, em novembro de 2024, e a implementação, em agosto de 2025, do primeiro Laboratório de Inteligência Artificial (LabIA) da FAB. Instalado em São José dos Campos (SP), o projeto recebeu um investimento inicial de R$ 6,5 milhões e visa revolucionar áreas estratégicas como defesa cibernética, logística, simulação de combate e manutenção preditiva de aeronaves. O LabIA, fruto de um convênio inédito, é equipado com supercomputadores de última geração (HPC) para executar modelos complexos de IA em tempo real, garantindo autonomia tecnológica e soberania sobre informações sensíveis.
IA em Operações e Pesquisa Específica
- Operações Aeroespaciais: O Comando de Operações Aeroespaciais (COMAE) da FAB, por meio do Centro Conjunto de Operações Aeroespaciais (CCOA), introduziu a IA em suas operações desde 2024. A tecnologia aprimora o planejamento de missões, a alocação de recursos, a análise de dados em tempo real e a gestão de riscos, tornando as operações mais ágeis e eficientes.
- Busca e Salvamento: Pesquisas desenvolvidas no Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) em parceria com a FAB utilizam IA para otimizar a detecção de destroços de aeronaves. Apresentada em fevereiro de 2025, essa pesquisa pioneira incorpora aspectos da realidade brasileira, como biomas nacionais, para aprimorar as operações de busca e resgate.
- Previsão Meteorológica: Em setembro de 2025, o Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA) firmou parceria com o Google para desenvolver um algoritmo de IA capaz de processar dados volumétricos de radares meteorológicos, melhorando a previsão do tempo.
- Treinamento e Simulação: A IA é utilizada em treinamentos de oficiais, especialmente em simulações de combate e jogos de guerra, ampliando o aprendizado e reduzindo custos.
Desafios e Governança da IA na Pesquisa
A rápida evolução da IA também impõe desafios significativos. O debate sobre a ética, a transparência e a confiabilidade dos sistemas de IA é global. No Brasil, o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) publicou, em março de 2026, a Portaria nº 2.664, que institui a Política de Integridade na Atividade Científica, regulamentando o uso da IA generativa na pesquisa científica. A política foca na transparência e na responsabilidade ética, visando minimizar a ocorrência de “citações alucinadas” e outros equívocos gerados por ferramentas de IA.
Além disso, o acesso a ferramentas avançadas de IA representa um desafio financeiro para pesquisadores brasileiros, devido aos altos custos de assinatura em dólar. Programas nacionais, como o Industr.IA, lançado em junho de 2026, buscam mitigar essa lacuna, prevendo a formação de até 180 pesquisadores e a criação de núcleos de pesquisa em IA, com um investimento de R$ 46 milhões ao longo de quatro anos.
O que acontece agora
A Força Aérea Brasileira continua a investir na capacitação de seus profissionais. Em março de 2026, pesquisadores do LabIA da FAB participaram do NVIDIA GTC, uma conferência global sobre inteligência artificial na Califórnia, EUA. A participação buscou acompanhar as tendências tecnológicas e discutir aplicações de ponta da IA para fortalecer a soberania e a capacidade operacional do Sistema de Tecnologia da Informação da Aeronáutica, com foco em IA generativa, sistemas baseados em agentes e segurança da informação.
A integração da IA nas Forças Armadas brasileiras, embora em estágio inicial, é reconhecida como estratégica pelo governo, com o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações reunindo esforços para investir no setor. A Estratégia Brasileira de Inteligência Artificial (EBIA), publicada em 2021, norteia o uso da IA pelo Estado, incentivando o desenvolvimento e lidando com os desafios inerentes a essas ferramentas.
