Google Nega Busca IA Visa Afastar Usuários de Sites, Apesar de Críticas

O Google refutou veementemente as alegações de que suas novas funcionalidades de busca impulsionadas por inteligência artificial (IA), como as AI Overviews (anteriormente conhecidas como Search Generative Experience – SGE), são projetadas para reter usuários em suas próprias plataformas e, consequentemente, reduzir o tráfego para sites externos. A afirmação foi feita por Pandu Nayak, cientista-chefe de busca do Google, durante sua passagem por São Paulo no evento Google for Brasil, ecoando declarações anteriores da vice-presidente de busca, Liz Reid.
A declaração surge em um momento de crescente escrutínio regulatório e preocupação por parte de editores e criadores de conteúdo, que relatam quedas significativas no tráfego orgânico desde a implementação mais ampla das ferramentas de IA na busca.
Google Defende Propósito da Busca com IA
Pandu Nayak enfatizou que o Google nunca otimizou a busca para manter as pessoas em suas páginas, mas sim para ajudá-las a encontrar o que procuram de forma eficiente. Ele destacou a crença da empresa no ecossistema da web, afirmando que a web possui uma riqueza que nenhuma outra plataforma tem.
Essa perspectiva é corroborada por Liz Reid, que, em uma publicação no blog oficial do Google em agosto de 2025, afirmou que o volume total de cliques orgânicos da Busca Google para sites se manteve “relativamente estável” em comparação com o ano anterior. Reid argumentou que a qualidade média dos cliques aumentou e que o Google tem enviado mais cliques de qualidade para sites. Ela também rebateu relatórios de terceiros que sugerem quedas drásticas no tráfego, atribuindo-as a “metodologias falhas, exemplos isolados ou alterações no tráfego que ocorreram antes da implementação dos recursos de IA na Pesquisa”.
As funcionalidades de IA na busca, incluindo as AI Overviews e o recém-introduzido “AI Mode” (Modo IA), visam fornecer respostas diretas e concisas a consultas complexas, utilizando modelos de linguagem avançados como o Gemini.
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Preocupações de Editores e Estudos de Impacto
Apesar das garantias do Google, diversos estudos e veículos de comunicação têm levantado preocupações sobre o impacto das AI Overviews no tráfego de referência. Pesquisas indicam que as visões gerais de IA podem reduzir a necessidade de os usuários clicarem em links externos, resultando em um aumento das “buscas de clique zero”.
- Um estudo da Propeller Media Works, de novembro de 2023, previu uma queda potencial de até 30% no tráfego de busca devido ao SGE (antigo nome das AI Overviews), com Insight Partners estimando uma redução de 15% a 25%.
- Relatos de maio de 2026 apontam que as AI Overviews foram correlacionadas com uma redução de 58% nas taxas de cliques para os sites que fornecem o conteúdo.
- Um estudo de setembro de 2025, baseado em mais de 200 websites, observou que sites informacionais tiveram as mudanças mais significativas, com alguns experimentando quedas de 20% a 40% no tráfego orgânico para consultas onde o SGE aparecia proeminentemente.
- Dados de junho de 2026 sugerem que, desde o lançamento das AI Overviews, o site médio perdeu cerca de um terço do seu tráfego orgânico, com pequenas empresas sendo as mais afetadas, perdendo cerca de 60% do tráfego.
Esses dados contrastam com a posição do Google e geram um debate intenso sobre a sustentabilidade do modelo de negócio de publishers online, que dependem do tráfego para monetização.
Desdobramentos e Respostas do Google às Críticas
Diante das crescentes críticas e da pressão regulatória, o Google tem implementado e anunciado medidas para mitigar o impacto no tráfego de sites. Em junho de 2026, a empresa buscou acalmar as preocupações dos editores sobre a perda de tráfego, anunciando atualizações nas AI Overviews.
Novas Ferramentas e Opções
- Aumento de Links Inline: O Google aumentou o número de links diretos nas respostas da IA.
- Pré-visualizações de Sites: Foram adicionadas pré-visualizações de sites para incentivar mais cliques nos resultados da busca.
- Fontes Preferenciais: A plataforma introduziu a opção de “Fontes Preferenciais” nas AI Overviews, permitindo aos usuários definir sua própria experiência.
- Controles de Opt-out: O Google também disponibilizou novos controles que permitem aos proprietários de sites optar por não ter seu conteúdo incluído nas AI Overviews.
- Orientações de Otimização: A empresa forneceu dicas sobre como otimizar o conteúdo para aparecer nas respostas da IA, alinhando-as com as práticas tradicionais de SEO.
Escrutínio Regulatório
A atuação do Google com a IA na busca está sob investigação em diversas jurisdições. No Brasil e na Europa, a empresa enfrenta acusações de vantagem competitiva desleal, por supostamente usar conteúdo de terceiros para aprimorar seus próprios produtos sem compensação, e de impactar negativamente os editores ao reduzir o tráfego de seus sites.
A Autoridade de Concorrência e Mercados (CMA) do Reino Unido, por exemplo, emitiu uma ordem legal exigindo que o Google fizesse mudanças nas AI Overviews. Essas ações refletem uma preocupação global com o equilíbrio entre a inovação da IA e a sustentabilidade do ecossistema da web.
Mudança no Comportamento do Usuário
Estudos recentes de maio e junho de 2026 indicam que as AI Overviews alteram significativamente o comportamento do usuário. Eles tendem a permanecer mais tempo na página de resultados do Google e a rolar para cima e para baixo para comparar e reavaliar opções diretamente na SERP (Search Engine Results Page). No entanto, também foi observado que a maioria dos usuários lê apenas cerca de um terço das AI Overviews, sugerindo que a profundidade da interação com as respostas da IA pode ser limitada.
Apesar das controvérsias, o Google continua a investir e expandir suas capacidades de IA na busca, posicionando-a como o futuro da interação dos usuários com a informação online.
