IA Acelera Automação em Redes de Telecom na América Latina

A Inteligência Artificial (IA) está impulsionando a automação das redes de telecomunicações na América Latina, com a previsão de que a maioria das redes se tornará 100% autônoma a partir de 2029. Atualmente, grande parte das operadoras na região encontra-se no estágio 2 do TM Forum, onde a automação é baseada em intenção, buscando aprimorar a experiência do cliente e implementar recursos de autocorreção e otimização em redes autônomas.
O Cenário Atual da Automação em Telecomunicações na América Latina
Durante o Telco Transformation Latam, realizado no Rio de Janeiro, especialistas discutiram a digitalização e automação das redes, bem como o uso de IA para otimizar e detectar anomalias. Redes zero touch, ou redes sem intervenção, são o objetivo final, caracterizadas pela autoconfiguração, monitoramento, diagnóstico e reparo autônomo de problemas, minimizando a necessidade de intervenção humana.
Felipe Sevillano, da operadora paraguaia Personal-Flow, relatou a implementação de automações que mantêm os KPIs de latência e experiência do cliente em níveis ideais, com detecção automática de falhas e respostas rápidas. Luis Carlos Couto Souza, da Vivo, mencionou que a empresa está no nível 3 do TM Forum, utilizando programas de automação, virtualização e fundação de dados, com a meta de alcançar o nível 4, onde a rede realiza tarefas de forma autônoma, mas ainda depende de configurações de sistema.
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Aplicações e Benefícios da IA na Automação de Redes
A IA está sendo utilizada para automatizar tarefas repetitivas, otimizar a alocação de recursos energéticos, reduzir o impacto ambiental e os custos operacionais. Além disso, a IA melhora a eficiência operacional, a experiência do cliente e a segurança das redes. No contexto da gestão de redes 5G, a IA facilita o ajuste dinâmico de recursos e largura de banda para atender à demanda e garantir um desempenho ideal.
A automação contínua é vista como uma prioridade para as empresas de telecomunicações, impulsionada pelo avanço da IA e da Rede como Serviço (NaaS). Alejandro Raffaele, da Red Hat, destaca que a automação não é mais opcional, mas a base para qualquer transformação significativa, sinônimo de agilidade, resiliência e escala na nova economia digital.
Exemplos de Implementação e Impacto
A TIM Brasil utiliza IA para atender setores como agronegócio, transporte e logística, visando aumentar a competitividade e reduzir a taxa de churn com soluções proativas baseadas em IA. No setor financeiro, a IA é utilizada para melhorar a experiência do funcionário e a gestão de ativos.
Em relação à segurança, a IA auxilia na prevenção contra ciberataques e na análise eficiente de falhas, contribuindo para a estabilidade e segurança das conexões. Ferramentas automatizadas reduzem o tempo de resposta a incidentes e garantem ações coordenadas com mais precisão.
Desafios e Oportunidades na Adoção de IA
Apesar dos avanços, a América Latina enfrenta desafios na adoção de 5G e IA, incluindo a demora na disponibilização do espectro em alguns países. No entanto, a região tem demonstrado um uso crescente de ferramentas de IA generativas, com taxas de uso significativamente maiores no Brasil e no México em comparação com a média global.
Para garantir o sucesso da implementação da IA, é crucial contar com capacidade de processamento adequada, infraestrutura de rede robusta e escalável, e profissionais especializados. A colaboração entre equipes de negócios, dados e IA também é fundamental.
O Futuro da Automação e IA nas Redes de Telecom
Espera-se que a convergência entre conectividade, edge computing e IA impulsione a transformação das telecomunicações na América Latina, gerando impacto social e econômico significativo. A IA tem o potencial de otimizar a alocação de recursos energéticos, reduzir custos operacionais e melhorar a qualidade do serviço oferecido aos consumidores.
A automação de redes com IA permite diagnósticos, manutenção e gestão mais eficientes, alinhando-se com práticas sustentáveis de ESG. A capacidade da IA de prever e analisar tendências a torna uma aliada fundamental na prevenção contra ciberataques, garantindo a estabilidade e segurança das conexões.