IA cria mais empregos que elimina, afirma CEO da The Atlantic

A Inteligência Artificial (IA) tem um balanço positivo na criação de empregos, superando as perdas de postos de trabalho. A afirmação é de Nicholas Thompson, CEO da renomada revista The Atlantic, em entrevista recente ao jornal O GLOBO. Segundo Thompson, a tecnologia, apesar dos desafios, potencializa a geração de novas oportunidades, especialmente na busca por informação de qualidade e na otimização de processos.
A declaração de Thompson reflete um otimismo cauteloso sobre o futuro do trabalho na era da IA, um tema de intenso debate global. Ele destaca que, no jornalismo, a IA pode ser uma ferramenta poderosa para identificar novas matérias, encontrar dados relevantes e modificar a forma como o público se conecta com as notícias.
Otimismo da The Atlantic e a Reconfiguração do Jornalismo
Nicholas Thompson, que lidera a The Atlantic desde 2021, compara a experiência do jornalista atual a uma maratona imprevisível, onde o percurso e os obstáculos mudam constantemente. Nesse cenário, a IA surge como um recurso valioso para auxiliar os profissionais, permitindo que se concentrem em tarefas mais complexas e criativas, enquanto a tecnologia automatiza aspectos repetitivos.
A The Atlantic já emprega a IA em diversas frentes, desde o marketing pago para identificar interesses dos leitores até a gestão interna para otimizar tarefas e aumentar a eficiência. Essa integração tem permitido à publicação expandir sua equipe, contratando mais editores e engenheiros, o que Thompson aponta como um impacto positivo direto na estrutura da empresa.
Um dos pontos cruciais levantados pelo CEO é a crescente dificuldade em distinguir o real do falso na era da IA. Ele enfatiza a necessidade de a indústria jornalística associar marcas e reputação ao que publica, criando mecanismos para validar as notícias e manter a confiança do público.
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Perspectivas Globais sobre IA e Emprego em 2026
A visão de Nicholas Thompson encontra eco em diversos estudos e análises recentes sobre o impacto da IA no mercado de trabalho em 2026:
Criação vs. Eliminação: O Balanço Geral
- Organização Internacional do Trabalho (OIT): Um estudo da OIT de 2023 sugere que a IA tem mais chances de complementar do que substituir empregos. A maioria das profissões e indústrias estaria apenas parcialmente exposta à automação, com o maior impacto sendo nas mudanças na qualidade dos postos de trabalho, como intensidade e autonomia.
- Fórum Econômico Mundial: Previsões de 2025 indicam que, embora a IA possa eliminar 92 milhões de empregos até 2030, ela tem o potencial de criar 170 milhões de novos postos.
- PwC Global Workforce Hopes and Fears Survey 2025: O estudo aponta que o otimismo em relação ao potencial da IA supera amplamente a ansiedade entre os trabalhadores. A tecnologia não significa necessariamente uma perda líquida de empregos, mas sim uma evolução de determinadas funções.
- Snowflake e Omdia (2026): Uma pesquisa global revelou que 77% das organizações estão aumentando suas contratações devido à adoção de IA, mesmo com alguns cortes simultâneos, resultando em um crescimento líquido do pessoal.
Desafios e Reconfiguração de Funções
Apesar do otimismo, a transição não é isenta de desafios. Tarefas repetitivas e operacionais, como atendimento básico e entrada de dados, estão sendo automatizadas. Contudo, novas funções surgem, como especialistas em IA, analistas de dados e engenheiros de prompt.
Estudos da OCDE (2022) e do FGV IBRE (2026) mostram que, em países avançados, não há sinais claros de desaceleração da demanda agregada de emprego atribuível à IA, mas sim uma mudança na composição dos empregos. Funções que exigem julgamento, interação humana e supervisão da própria IA estão em alta demanda.
Por outro lado, relatórios do Goldman Sachs e Morgan Stanley de abril de 2026 indicam que, nos Estados Unidos, a IA tem eliminado cerca de 25 mil empregos por mês, enquanto cria 9 mil, resultando em uma perda líquida de 16 mil postos mensais. Essa perda tem afetado desproporcionalmente os trabalhadores mais jovens em funções de maior risco, como entrada de dados e suporte ao cliente.
O Que Acontece Agora: Adaptação e Novas Habilidades
A inteligência artificial já é uma parte essencial do funcionamento das empresas em 2026, com investimentos globais previstos para ultrapassar US$ 300 bilhões. Para se preparar para esse cenário, é fundamental desenvolver novas habilidades e buscar formação que una prática, tecnologia e visão de futuro.
Competências humanas como pensamento crítico, criatividade, comunicação, empatia e gestão emocional tornam-se ainda mais valorizadas. O mercado de trabalho está mais dinâmico e orientado à aprendizagem contínua, com a procura por profissionais híbridos, que combinam competências técnicas e humanas, em ascensão.
Empresários como Mark Cuban reforçam a ideia de que a IA é uma ferramenta evolutiva que impulsiona novas frentes de atuação profissional, comparando-a a transições tecnológicas anteriores. A mensagem é clara: prosperam aqueles que aprendem a direcionar a IA, não apenas a usá-la.
