IA Generativa Agiliza Processos em Tribunais Brasileiros

Tribunais brasileiros estão cada vez mais adotando a inteligência artificial (IA) generativa para otimizar e agilizar processos judiciais. Essa tecnologia, que permite a criação de novos conteúdos como textos, imagens e vídeos a partir de comandos dos usuários, tem o potencial de transformar o sistema judiciário, automatizando tarefas repetitivas e melhorando a eficiência na análise de documentos. No entanto, a implementação da IA generativa também traz desafios relacionados à governança, transparência, ética e possíveis vieses algorítmicos.
Contexto e Implementação da IA Generativa nos Tribunais
O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) tem monitorado o avanço da inteligência artificial no Poder Judiciário desde 2020. Em fevereiro de 2025, o CNJ aprovou uma regulamentação pioneira para o uso de IA generativa nos tribunais brasileiros. Essa medida estabelece diretrizes claras para a adoção de ferramentas comerciais de IA e o desenvolvimento de sistemas próprios, visando garantir a segurança e a eficiência nos processos judiciais. A regulamentação abrange desde definições e fundamentos para o uso de IA até a categorização de riscos e medidas de governança, supervisão e implementação.
Em maio de 2025, o CNJ anunciou a disponibilidade da Apoia (Assistente Pessoal Operada por Inteligência Artificial), a primeira ferramenta de IA generativa integrada à Plataforma Digital do Poder Judiciário Brasileiro (PDPJ-Br). Desenvolvida pelo Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2), a Apoia auxilia magistrados e servidores na criação de relatórios e ementas, revisão de textos jurídicos, geração de sínteses processuais, triagem temática, visualização de acervos e detecção de litigância predatória e ações repetitivas. A Apoia busca promover mais agilidade e precisão na análise e produção de conteúdos jurídicos, oferecendo um ambiente controlado e garantindo o uso de IA de forma responsável e ética, em conformidade com a proteção de dados sensíveis.
Outros tribunais também estão desenvolvendo e implementando suas próprias soluções de IA generativa. O Superior Tribunal de Justiça (STJ) lançou o “STJ Logos”, um motor de inteligência artificial generativa desenvolvido internamente para modernizar a análise e a elaboração de conteúdos judiciais. O Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região (TRT-RS) desenvolveu o sistema Galileu, que auxilia juízes e desembargadores na elaboração de minutas de sentença e acórdãos. O Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) está testando o Sistema Assistente Virtual de Inteligência Artificial (SAVIA), baseado no Chat GPT, para auxiliar no desenvolvimento de atividades administrativas.
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Benefícios da IA Generativa para o Judiciário
A IA generativa oferece diversos benefícios para o sistema judiciário brasileiro. Um dos principais é o aumento da eficiência e da agilidade no processamento de documentos. A IA pode automatizar tarefas repetitivas, como a revisão de documentos, a análise de contratos e a triagem de processos, reduzindo o tempo necessário para realizar essas atividades e minimizando o risco de erros humanos. Além disso, a IA pode auxiliar na pesquisa jurídica, facilitando a identificação de precedentes relevantes e jurisprudência aplicável a casos específicos.
Outro benefício importante é a otimização de recursos. Com a IA generativa, os tribunais podem reduzir a sobrecarga de trabalho dos magistrados e servidores, permitindo que eles se concentrem em atividades mais intelectuais e estratégicas. A IA também pode auxiliar na gestão do conhecimento jurídico, armazenando e organizando informações relevantes para facilitar o acesso e o compartilhamento entre os profissionais do direito.
Desafios e Riscos da Implementação da IA Generativa
Apesar dos benefícios, a implementação da IA generativa nos tribunais também apresenta desafios e riscos que precisam ser cuidadosamente considerados. Um dos principais é o risco de viés algorítmico e discriminação. Os algoritmos de IA podem reproduzir ou amplificar preconceitos presentes nos dados de treinamento, levando a decisões injustas, especialmente em análises preditivas e reconhecimento facial. Para mitigar esse risco, é essencial garantir a transparência, a responsabilidade e a equidade na utilização de sistemas de IA no Direito.
Outro risco importante é a possibilidade de a IA generativa produzir informações falsas ou imprecisas, as chamadas “alucinações”. A IA pode gerar citações de precedentes inexistentes, conclusões incorretas ou até erros factuais que prejudicam diretamente as partes envolvidas. Por isso, é fundamental que a utilização da IA nos tribunais seja sempre acompanhada de uma supervisão humana criteriosa.
A proteção de dados pessoais e a garantia da privacidade também são desafios importantes na implementação da IA generativa. É preciso garantir que os dados sigilosos não sejam processados em sistemas externos sem garantias de segurança adequadas. A Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) desempenha um papel crucial na proteção de dados pessoais em contextos jurídicos, garantindo a transparência e a justiça no uso da IA.
O Futuro da IA Generativa nos Tribunais Brasileiros
Apesar dos desafios, a tendência é que o uso da IA generativa nos tribunais brasileiros continue a crescer nos próximos anos. O CNJ está trabalhando para regulamentar o uso da IA de forma ética e responsável, garantindo a transparência, a proteção de dados e a supervisão humana. A colaboração entre tribunais, universidades e empresas de tecnologia é fundamental para desenvolver soluções de IA que atendam às necessidades do sistema judiciário brasileiro e promovam a justiça e a eficiência.
A IA generativa tem o potencial de transformar o sistema judiciário brasileiro, agilizando processos, otimizando recursos e melhorando a qualidade das decisões. No entanto, é preciso estar atento aos desafios e riscos associados à sua implementação, garantindo que a tecnologia seja utilizada de forma ética, responsável e transparente.