IA no Trabalho: Comissão Debate Impactos e Regulamentação

A Comissão de Trabalho da Câmara dos Deputados promoveu uma audiência pública para debater os impactos da Inteligência Artificial (IA) no mercado de trabalho brasileiro. O evento, realizado nesta terça-feira (26), reuniu especialistas, parlamentares, representantes de entidades de classe e gestores públicos para discutir os desafios e oportunidades que a IA traz para os trabalhadores. A deputada Daiana Santos (PCdoB/RS) presidiu o debate, que teve como tema “O mercado de trabalho e a Inteligência Artificial – IA”.
Desafios e Oportunidades da IA no Mercado de Trabalho
A audiência pública teve como objetivo analisar as mudanças provocadas pela adoção da inteligência artificial nas rotinas profissionais, como a automação de tarefas e a criação de novas funções. A deputada Flávia Morais (PDT-GO), autora do requerimento para a realização do debate, vê a IA como uma força transformadora que demanda atenção imediata do Legislativo.
Durante o evento, os especialistas apresentaram visões que equilibram alerta com otimismo. Foi consenso que a IA é uma realidade irreversível e que sua adoção tende a aumentar a produtividade e criar categorias de empregos, particularmente nas áreas de tecnologia e análise de dados. No entanto, houve forte preocupação com a potencial aceleração da obsolescência de funções que envolvem tarefas repetitivas, tanto manuais quanto cognitivas.
Estudos indicam que a IA pode impactar milhões de postos de trabalho no Brasil. A consultoria LCA 4Intelligence estima que cerca de 31,3 milhões de empregos serão afetados, com 5,5 milhões potencialmente suscetíveis à automação total. O Relatório do Futuro do Trabalho 2025, do Fórum Econômico Mundial, aponta que 41% dos empregadores pretendem reduzir o número de funcionários com a implementação da IA.
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A Necessidade de Preparação e Regulamentação
Um dos pontos centrais debatidos foi a necessidade de o Brasil se preparar para essa transição. Os participantes enfatizaram a importância de investimentos maciços em educação e capacitação profissional, com a reformulação dos currículos escolares e a criação de programas de qualificação alinhados às novas demandas do setor produtivo.
Outro tema recorrente foi a imperiosa necessidade de um marco regulatório para o uso ético e responsável da IA. O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, alertou que, se não for regulada, a inteligência artificial pode provocar um “estrago inimaginável” no mercado de trabalho. Ele defende um debate ético global sobre o tema, citando como exemplo os serviços de autoatendimento nos supermercados e a substituição dos serviços feitos pelos bancários pelo atendimento automático.
A regulamentação da IA é essencial para garantir a proteção dos trabalhadores e evitar o aumento da precarização do trabalho. A Organização Internacional do Trabalho (OIT) estima que a IA pode impactar cerca de 37% dos postos de trabalho no Brasil, um percentual que equivale a 37 milhões de pessoas.
Novas Profissões e Habilidades
Apesar dos desafios, a IA também promove o surgimento de novas profissões, como cientista de dados, engenheiro de aprendizado de máquina e especialista em IA para negócios. Essas funções demonstram como a revolução tecnológica pode criar demandas por qualificação específica.
Para se adaptar a esse novo cenário, os trabalhadores precisam desenvolver habilidades como alfabetização digital, adaptabilidade e flexibilidade. A capacidade de aprender rápido, mudar de rota e criar soluções diante do inesperado é fundamental para se manter relevante no mercado de trabalho.
O Brasil e a Inteligência Artificial
O Brasil tem se mostrado um país engajado no uso da inteligência artificial. Uma pesquisa da PwC revelou que 76% dos brasileiros entrevistados utilizam IA generativa, um percentual superior à média global. Um levantamento da Access Partnership apontou que 91% dos usuários de internet no país utilizam ferramentas com recursos de IA e 76% pretendem ampliar esse uso nos próximos anos.
No entanto, ainda há desafios a serem superados. Muitas empresas brasileiras não fornecem acesso às ferramentas de IA generativa a seus funcionários. Além disso, a falta de regulamentação e a necessidade de requalificação profissional são obstáculos que precisam ser enfrentados.
Conclusão
A audiência pública na Comissão de Trabalho da Câmara dos Deputados representou um importante passo na discussão sobre os impactos da inteligência artificial no mercado de trabalho brasileiro. O debate reuniu especialistas, parlamentares e representantes da sociedade civil para analisar os desafios e oportunidades que a IA traz para os trabalhadores. A necessidade de regulamentação, capacitação e adaptação do mercado de trabalho foram os pontos centrais da discussão.