Meta Planeja Reconhecimento Facial em Óculos IA: ‘Name Tag’ Gera Alerta

A Meta, gigante da tecnologia proprietária do Facebook e Instagram, está desenvolvendo planos para integrar uma controversa função de reconhecimento facial em seus óculos inteligentes, produzidos em parceria com a EssilorLuxottica (Ray-Ban e Oakley). O recurso, identificado internamente como “Name Tag”, visa permitir que os usuários identifiquem pessoas em seu campo de visão e acessem informações biográficas sobre elas por meio do assistente de inteligência artificial da empresa, o Meta AI.
A informação, baseada em um documento interno obtido pelo jornal *The New York Times*, indica que a empresa planeja o lançamento da tecnologia ainda em 2026, aproveitando um suposto “ambiente político dinâmico” nos Estados Unidos para minimizar a resistência de grupos de defesa dos direitos civis.
Detalhes do Projeto Name Tag e IA
O projeto “Name Tag” representa um passo significativo na evolução dos eletrônicos vestíveis da Meta, buscando diferenciar seus produtos em um mercado emergente de *wearables* com IA. O objetivo central, segundo o CEO Mark Zuckerberg, é aumentar a utilidade prática dos óculos, transformando o Meta AI em um consultor social capaz de fornecer contexto imediato sobre indivíduos encontrados.
Fontes ligadas ao projeto revelam que a Meta explora dois níveis principais de identificação:
- Reconhecimento de Conexões: O primeiro nível foca em identificar pessoas que já possuem algum tipo de vínculo com o usuário nas plataformas da Meta, como amigos no Facebook ou seguidores no Instagram.
- Identificação de Desconhecidos: O segundo nível, mais sensível, envolveria a capacidade de identificar desconhecidos, desde que possuam perfis públicos nas redes sociais da companhia.
Apesar da intenção de diferenciar os produtos, a empresa afirma que está considerando opções para limitar o alcance da tecnologia, com o objetivo de não permitir a identificação de estranhos aleatórios nas ruas.
Contexto e Mudança de Postura da Meta
A inclusão do reconhecimento facial marca uma reversão notável na postura da Meta. Em 2021, a empresa desativou o reconhecimento facial automático usado para marcar pessoas em fotos no Facebook, citando obstáculos técnicos e fortes críticas éticas e regulatórias.
Documentos internos mostram que a ideia de integrar essa função já havia sido considerada para a primeira geração dos Ray-Ban Meta em 2021, mas foi barrada devido ao clima político desfavorável da época. Além disso, a empresa já enfrentou sérios problemas legais relacionados ao tema, tendo pago bilhões de dólares em acordos por coletas de dados faciais sem permissão em estados como Illinois e Texas.
Um documento interno sugere que a Meta avalia que o momento atual é oportuno para o lançamento, pois espera que “muitos grupos da sociedade civil que nós esperaríamos que nos atacassem estariam com os recursos focados em outras preocupações”.
Veja também:
Preocupações com Privacidade e Segurança
A perspectiva de um recurso de reconhecimento facial em óculos de uso diário gerou imediatas preocupações entre especialistas em privacidade e liberdades civis. A União Americana pelas Liberdades Civis (ACLU) classificou a tecnologia como uma ameaça “singularmente grave ao anonimato prático” e “pronta para abuso”.
A Questão do Aviso Visual
Os óculos Ray-Ban Meta atuais possuem uma luz LED branca que acende para sinalizar quando a câmera está gravando. No entanto, relatos indicam que a eficácia desse aviso é questionável, visto que tutoriais e adesivos para desativar ou cobrir o LED já circulam online.
A Meta ainda está ponderando se a luz indicadora deve permanecer acesa durante a utilização do sistema “Name Tag”, o que adiciona uma camada de incerteza sobre a transparência da nova funcionalidade.
Experimentos e Concorrência
O potencial de mau uso já foi demonstrado por estudantes de Harvard em 2024, que integraram os óculos Ray-Ban Meta com o serviço de busca facial PimEyes para identificar estranhos no metrô de Boston em tempo real, expondo a fragilidade do sistema de sinalização atual. Este experimento viralizou e reforçou os temores sobre a vigilância constante em espaços públicos.
A Meta também estaria trabalhando em um conceito chamado “super sensing”, que envolveria óculos que rodam câmeras e sensores continuamente para manter um registro do dia do usuário, sumarizando interações de forma semelhante a ferramentas de anotações de IA.
Próximos Passos e Lançamento
Embora o desenvolvimento esteja em andamento e Mark Zuckerberg deseje a implementação como um diferencial competitivo, a Meta declarou publicamente que está “ainda pensando em opções e terá uma abordagem ponderada se e antes de lançar qualquer coisa”.
Originalmente, havia um plano para lançar a funcionalidade primeiro para participantes de uma conferência destinada a pessoas com deficiência visual, visando um propósito de acessibilidade, antes de uma distribuição mais ampla, mas esse cronograma não foi seguido.
Apesar do sucesso comercial recente dos óculos Ray-Ban Meta, que venderam mais de sete milhões de unidades em 2025, a introdução do reconhecimento facial promete intensificar o debate sobre os limites entre inovação tecnológica e o direito fundamental à privacidade no espaço público.
