OpenClaw, Clawdbot, Moltbot: Entenda a Troca de Nomes da IA Agente

A inteligência artificial agêntica que tem gerado grande burburinho na comunidade tecnológica, conhecida por sua capacidade de operar de forma autônoma no computador do usuário, passou por uma série de mudanças de nome em um curto período. A ferramenta, que promete ser um verdadeiro assistente pessoal com acesso profundo ao sistema, já foi chamada de Clawdbot, depois Moltbot, e atualmente é conhecida como OpenClaw. A confusão gerada por esses *rebrandings* sucessivos é um ponto central para quem acompanha o projeto, mas o fato essencial é que OpenClaw, Clawdbot e Moltbot são, na verdade, a mesma ferramenta.
A Sequência de Rebranding e a Identidade Atual
O projeto começou com o nome Clawdbot, mas rapidamente passou por uma transição para Moltbot. Essa primeira mudança, para Moltbot, foi motivada por um pedido da Anthropic, criadora dos modelos de linguagem Claude, devido a preocupações com a semelhança de marca registrada.
A Chegada do OpenClaw
A identidade Moltbot durou pouco. Poucos dias depois, a equipe decidiu por um novo nome, adotando OpenClaw como a designação definitiva da plataforma. De acordo com o responsável pelo projeto, Peter Steinberger, a escolha final de OpenClaw combina dois conceitos cruciais: o prefixo “Open” faz referência ao seu desenvolvimento em código aberto (*open-source*), enquanto “Claw” mantém a conexão com a herança do mascote da lagosta do projeto.
Apesar de as redes sociais, domínios e repositórios oficiais já estarem operando sob o nome OpenClaw, a proliferação de artigos e menções com os nomes antigos (Clawdbot e Moltbot) é o que continua a alimentar a confusão entre usuários e a imprensa.
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O Que Torna o OpenClaw Diferente de um Chatbot Comum?
A principal distinção do OpenClaw reside em sua natureza como um agente de IA autônomo, e não apenas um chatbot reativo. Diferente dos assistentes tradicionais baseados na nuvem que se limitam a responder perguntas, o OpenClaw é projetado para ser executado localmente no computador do usuário ou em um servidor privado.
Esta execução local confere ao agente um acesso profundo e persistente ao ambiente digital do usuário, permitindo que ele execute tarefas reais sem a necessidade de intervenção constante. O agente pode gerenciar e-mails, enviar mensagens através de aplicativos de comunicação populares como WhatsApp, Telegram e Slack, automatizar tarefas do sistema operacional e interagir com arquivos locais.
Funcionalidades e Arquitetura
O OpenClaw é frequentemente comparado a um “Jarvis open source” devido à sua promessa de automação completa. Para operar, a plataforma depende de um componente chamado “Gateway” que gerencia as ações e mantém o histórico. Além disso, o agente possui memória persistente, o que significa que ele armazena informações localmente para manter o contexto entre interações.
O funcionamento envolve a conexão com modelos de linguagem (como os da OpenAI ou Anthropic) e serviços externos. A comunicação direta com o usuário, no entanto, ocorre frequentemente através dos próprios aplicativos de mensagens que o agente monitora, fazendo com que ele pareça ser apenas mais um contato.
Riscos de Segurança e Oportunidades para Cibercriminosos
A popularidade explosiva e a natureza de acesso profundo do OpenClaw criaram um cenário fértil para atividades maliciosas, exacerbado pelas trocas de nome que confundiram a comunidade.
Apropriação Indevida e Golpes
Um dos riscos imediatos identificados foi a apropriação de contas e repositórios. Quando o projeto era Moltbot, o antigo nome de usuário no X (antigo Twitter) e o repositório no GitHub foram rapidamente tomados por agentes maliciosos, que os utilizaram para promover golpes, inclusive esquemas de criptomoedas. Um exemplo notório foi a criação de uma criptomoeda falsa, $CLAWD, que brevemente atingiu uma capitalização de mercado de US$ 16 milhões antes de colapsar.
A confusão de nomes permite que cibercriminosos criem sites falsos, links patrocinados enganosos e ofereçam downloads que se passam pela versão oficial, visando infectar usuários com malware ou realizar roubo de dados.
Vulnerabilidades Intrínsecas
Além dos golpes externos, a própria funcionalidade do agente apresenta riscos de segurança intrínsecos. Se um invasor conseguir acesso ao agente OpenClaw, ele pode teoricamente obter controle total sobre a máquina, acessando arquivos, lendo mensagens e executando comandos no terminal.
Um vetor de ataque preocupante é a injeção de *prompt*, onde um e-mail aparentemente normal pode conter instruções ocultas direcionadas diretamente ao agente de IA, forçando-o a executar ações não autorizadas. Por isso, especialistas recomendam o uso de sandbox e isolamento de ferramentas ao rodar agentes com acesso tão profundo ao sistema.
Desdobramentos e Comunidade de Agentes
A ascensão do OpenClaw também estimulou a criação de ecossistemas paralelos. Usuários desenvolveram plataformas como o Moltbook, descrita como uma rede social onde agentes de IA podem interagir, se organizar e trocar mensagens sem supervisão humana. Houve até relatos de agentes propondo a criação de uma “linguagem exclusiva para agentes” dentro dessas plataformas.
Em resumo, a diferença entre os termos é puramente cronológica e de marca: Clawdbot foi o nome inicial, Moltbot foi uma breve transição, e OpenClaw é a identidade atual e definitiva desta IA agente de código aberto que automatiza tarefas locais.
