Pânico na Bolsa: Novas IAs da Anthropic Derrubam Ações de Cibersegurança

As ações de gigantes da cibersegurança despencaram no mercado financeiro após a Anthropic anunciar um novo recurso integrado ao seu modelo de inteligência artificial, o Claude, projetado para identificar e sugerir correções para vulnerabilidades de software. O movimento acentuou o medo entre investidores sobre a rápida disrupção tecnológica, gerando o temor de que empresas tradicionais do setor se tornem “perdedoras da IA”.
O anúncio oficial, que ocorreu em meados de fevereiro de 2026, provocou uma onda de vendas que afetou diversas companhias de renome. Empresas como CrowdStrike, Cloudflare, Zscaler, SailPoint e Okta registraram quedas significativas em suas cotações, refletindo a ansiedade do mercado sobre a canibalização de seus serviços por ferramentas nativas de IA mais avançadas.
O Impacto do Claude Code Security
O cerne da turbulência foi o lançamento do Claude Code Security, uma funcionalidade que permite ao modelo Claude realizar uma varredura completa em bases de código em busca de falhas de segurança. Segundo a Anthropic, a ferramenta é capaz de validar as descobertas para minimizar falsos positivos e propor correções direcionadas, atuando de maneira similar a um pesquisador de segurança experiente.
A empresa divulgou que, durante testes internos, o modelo Claude Opus 4.6 já havia identificado mais de 500 vulnerabilidades de alta gravidade em projetos de código aberto que, supostamente, resistiram a auditorias humanas e ferramentas tradicionais por décadas. A atualização, inicialmente disponibilizada em uma prévia de pesquisa limitada, sinaliza uma mudança de paradigma: a segurança se movendo de um modelo reativo (detecção e resposta a incidentes) para uma postura proativa, focada na correção automatizada de vulnerabilidades na fase de desenvolvimento do software.
Reações do Mercado e Quedas Notáveis
A reação do mercado foi imediata e severa, em um ambiente já volátil para ações de software devido à ascensão da IA generativa. O ETF Global X Cybersecurity, que acompanha o setor, registrou um recuo expressivo, caminhando para o que poderia ser seu maior tombo trimestral desde a crise financeira de 2008. A liquidação foi generalizada:
- Ações da CrowdStrike sofreram uma das maiores quedas, chegando a recuar 18% em alguns relatos, resultando na evaporação de cerca de US$ 20 bilhões em valor de mercado.
- A Cloudflare e a Okta também viram suas ações caírem na faixa de 8% a 9%.
- A Zscaler e a SailPoint seguiram a tendência, com quedas notáveis.
- Outras gigantes como Palo Alto Networks e Fortinet também sentiram a pressão vendedora.
Analistas interpretaram o movimento como uma continuação da liquidação impulsionada por narrativas de disrupção. Um trader ouvido pelo mercado resumiu o sentimento: “Hoje é a vez de segurança sofrer um mini ‘flash crash’ por causa de uma manchete”.
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Contexto da Disrupção na Tecnologia
A queda das ações de cibersegurança não ocorreu isoladamente. O temor de que a IA possa tornar obsoletos produtos e serviços existentes tem afetado todo o setor de tecnologia. Pouco antes, a própria Anthropic havia lançado ferramentas que impactaram outras áreas, como a modernização de sistemas legados.
Um exemplo claro foi o impacto sobre a IBM, que registrou sua maior queda diária desde 2000 após a Anthropic anunciar que o Claude poderia automatizar a modernização de códigos em COBOL, linguagem central em muitos sistemas bancários e governamentais. Empresas como Accenture e Cognizant, fortes em migração de COBOL, também tiveram perdas significativas.
A Visão dos Analistas: Transformação vs. Substituição
Embora o pânico tenha sido evidente, analistas buscaram trazer um contraponto à narrativa de substituição total. Especialistas argumentam que a liquidação é, em parte, uma reação exagerada a uma visão simplista de que a IA irá eliminar a necessidade de soluções de segurança estabelecidas.
O Papel Complementar da Cibersegurança Tradicional
Diferentemente das ferramentas focadas em desenvolvimento, as plataformas de cibersegurança consolidadas operam em estágios cruciais que a IA, no momento, não substitui integralmente. O CEO da CrowdStrike, George Kurtz, por exemplo, questionou o Claude sobre a substituição da plataforma Falcon, recebendo a resposta de que um simples script não poderia substituir a infraestrutura massiva da empresa.
A distinção fundamental reside no escopo de atuação. Enquanto o Claude Code Security foca em encontrar e corrigir vulnerabilidades no código-fonte (fase de desenvolvimento), as soluções líderes de mercado atuam na proteção em tempo real de endpoints, detecção de invasões ao vivo e resposta a ataques em andamento (fase operacional). Como sintetizou um analista, a mensagem para o mercado é que “se você quer implantar IA, precisa de segurança”. A IA tende a transformar o cenário de segurança, mas dificilmente o substituirá por completo, indicando que o setor pode ser um vencedor líquido a longo prazo, apesar da volatilidade de curto prazo.
