Presidente da Microsoft Alerta: Subsídios da China em IA Preocupam EUA

O presidente da Microsoft, Brad Smith, emitiu um alerta contundente sobre a crescente vantagem competitiva das empresas chinesas no setor de inteligência artificial (IA) devido ao robusto apoio financeiro do governo de Pequim. Falando durante o AI Impact Summit em Nova Délhi, Índia, Smith declarou que as companhias de tecnologia americanas devem manter uma certa “preocupação” com os subsídios chineses, que podem distorcer a concorrência global.
A declaração sublinha a intensificação da rivalidade tecnológica entre os Estados Unidos e a China, onde o apoio estatal chinês é visto como um fator desestabilizador para o mercado. Smith reconheceu que os EUA ainda detêm uma vantagem significativa no acesso aos chips mais avançados e em outras inovações tecnológicas essenciais para o desenvolvimento da IA.
O Paralelo Histórico com as Telecomunicações
Brad Smith baseou seu alerta em experiências passadas, traçando um paralelo direto com a forma como a China desorganizou o mercado global de telecomunicações. Segundo ele, o apoio estatal maciço, que incluiu fundos de investimento multibilionários e vouchers de energia subsidiada para atender às altas demandas de computação, permitiu que empresas chinesas, como a Huawei e a ZTE, se expandissem globalmente com preços agressivos.
O executivo da Microsoft relembrou as consequências desse apoio anterior para os concorrentes ocidentais. “Algumas empresas americanas desapareceram. Empresas europeias como Ericsson e Nokia foram colocadas na defensiva”, observou Smith. Essa estratégia, segundo ele, parece estar sendo replicada no campo da inteligência artificial, onde os subsídios permitem que os concorrentes chineses pratiquem subcotação de preços nos seus serviços.
A Vantagem Competitiva dos Modelos Abertos e Subsidiados
O alerta de Smith ganha relevância em um momento em que empresas chinesas têm lançado uma série de novos modelos de IA. Especificamente, modelos de IA de baixo custo, muitas vezes disponibilizados com licenças de código aberto, têm se mostrado particularmente atraentes em nações em desenvolvimento e no Sul Global, onde a acessibilidade financeira é um fator decisivo.
Pesquisas recentes da própria Microsoft indicaram que a adoção de modelos chineses, como o da startup DeepSeek, acelerou significativamente em mercados emergentes, como a África, devido à sua gratuidade ou custo muito reduzido. Isso contrasta com a abordagem de gigantes americanas como OpenAI, Google e Anthropic, que tendem a manter controle mais estrito sobre suas tecnologias mais avançadas, monetizando-as através de assinaturas e contratos corporativos.
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A Necessidade de Resposta e Apoio Governamental
Para Smith, a resposta a essa concorrência subsidiada não pode vir apenas do setor privado. Ele defendeu que, para que as empresas americanas consigam competir de forma justa, é necessário o apoio dos governos ocidentais.
O executivo destacou que a infraestrutura de centros de dados de empresas chinesas, como Huawei e Alibaba, já está disseminada globalmente, facilitando a extensão dos subsídios governamentais a essas operações internacionais. Smith argumenta que, para enfrentar tal estratégia industrial estatal, as empresas americanas precisam de medidas equivalentes para equilibrar o campo de jogo.
A preocupação se estende à possibilidade de que, sem uma competição equitativa, a China possa dominar a infraestrutura tecnológica mundial. Um especialista citado em um dos relatórios mencionou que, em um futuro próximo, a maior parte da população mundial poderia estar utilizando infraestrutura tecnológica chinesa.
Contexto Adicional: Foco na Utilidade da IA
Embora o foco principal da declaração de Brad Smith seja a competição geopolítica e os subsídios, é relevante notar que a liderança da Microsoft também tem enfatizado a necessidade de a IA provar seu valor prático. O CEO da Microsoft, Satya Nadella, em eventos paralelos, alertou que a tecnologia precisa entregar benefícios tangíveis e mensuráveis para a sociedade, caso contrário, corre o risco de perder o apoio público e ser vista como uma “bolha” ou um desperdício de recursos energéticos escassos.
A visão de Nadella reforça a importância de a IA ser aplicada em áreas cruciais como saúde, educação e eficiência pública, garantindo que o investimento justifique o custo energético e tecnológico.
Desdobramentos e o Caminho a Seguir
O alerta de Smith serve como um chamado à ação para Washington e para o ecossistema de tecnologia dos EUA. A competição na IA não é apenas sobre quem desenvolve o modelo mais inteligente, mas também sobre quem consegue escalar e implementar essa tecnologia globalmente, e os subsídios estatais chineses adicionam uma camada de desafio econômico que exige uma resposta estratégica coordenada.
