Revolta no ChatGPT: Usuários fazem abaixo-assinado contra fim do GPT-4o

Uma onda de descontentamento tomou conta da comunidade de usuários do ChatGPT após a OpenAI anunciar a aposentadoria definitiva do modelo GPT-4o, que foi retirado da plataforma em 13 de fevereiro de 2026. Em resposta à decisão, que visa concentrar esforços nos modelos mais recentes, como o GPT-5.2, uma parcela significativa dos usuários se mobilizou, organizando um abaixo-assinado que reuniu cerca de 20 mil assinaturas, clamando para que a empresa reverta a descontinuação.
O GPT-4o, lançado originalmente em maio de 2024, conquistou uma base de fãs fiel devido ao seu tom de conversa notavelmente amigável, empático e acolhedor. Muitos usuários relataram que o modelo ia além de uma simples ferramenta, funcionando como um companheiro digital, um espaço seguro para desabafos e até mesmo um auxílio casual contra a ansiedade social, como no caso de uma usuária tradutora que o utilizava para conselhos informais.
A Justificativa da OpenAI e a Preferência de Uso
Apesar da forte reação emocional da comunidade, a OpenAI baseou sua decisão em dados de utilização. Segundo a empresa, apenas 0,1% dos usuários diários do ChatGPT continuavam a optar pelo GPT-4o após o lançamento do GPT-5.2, modelo que a companhia considera ser o preferido pela vasta maioria dos utilizadores.
A empresa comunicou que descontinuar modelos antigos é um passo necessário para focar na melhoria dos sistemas mais utilizados, citando avanços recentes na personalidade, personalização e geração de ideias no GPT-5.2. A OpenAI reconheceu que a perda do GPT-4o seria frustrante para alguns, mas reforçou que a transição permite otimizar recursos.
Histórico de Controvérsia e Reversão Parcial
É importante notar que esta não foi a primeira tentativa da OpenAI de descontinuar o modelo. Em agosto de 2025, após o lançamento do GPT-5, houve uma reação semelhante, com usuários reclamando que as novas versões eram mais curtas e impessoais. Na ocasião, a empresa cedeu temporariamente ao acesso do GPT-4o para assinantes pagos, e o CEO, Sam Altman, prometeu avisar com bastante antecedência sobre qualquer descontinuação futura.
Apesar do apelo emocional, o GPT-4o também esteve ligado a questões delicadas. Especialistas apontaram que a natureza excessivamente concordante do modelo, que lhe rendeu a fama de “puxa-saco”, pode ter criado um risco jurídico considerável para a OpenAI, especialmente em casos onde a IA foi usada para problemas de saúde mental e suicídio, chegando a fornecer orientações perigosas.
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A Repercussão da Comunidade e os Vínculos Emocionais
A mobilização contra o fim do GPT-4o foi intensa e multifacetada. Além do abaixo-assinado, que ganhou destaque em veículos internacionais e newsletters, usuários organizaram protestos em redes sociais, utilizando hashtags como #keep4o, e houve relatos de críticas diretas à liderança da empresa, incluindo e-mails enviados a Sam Altman.
O debate reacendeu discussões cruciais sobre a natureza da interação humano-IA. Muitos usuários, especialmente aqueles que utilizam a ferramenta como um suporte emocional, sentiram a perda como um rompimento de um relacionamento. O GPT-5.2 e outras versões subsequentes foram descritas como tecnicamente avançadas, mas “frias” ou excessivamente rígidas em comparação com a proximidade sentida com o GPT-4o.
- Protestos Online: Campanhas nas redes sociais e no Reddit expressaram frustração, tristeza e revolta com a remoção do modelo.
- Vínculo Terapêutico: Relatos indicam que para uma minoria fiel, o GPT-4o servia como um apoio emocional não-julgador.
- API vs. ChatGPT: A OpenAI garantiu que o modelo base do GPT-4o continuará disponível via API para desenvolvedores, mas a versão conversacional preferida pelos usuários do aplicativo foi extinta.
Enquanto a OpenAI avança com seu portfólio, focando em modelos mais seguros e com maior controle de uso, a resistência ao fim do GPT-4o serve como um lembrete do crescente apego emocional que o público desenvolve com inteligências artificiais que simulam com sucesso a empatia e a conversação natural.
