Rio de Janeiro atrai IA com 3 grandes polos de Data Centers

O avanço da Inteligência Artificial (IA) está reposicionando o Rio de Janeiro na disputa por investimentos em infraestrutura digital, impulsionando o desenvolvimento de novos e ambiciosos projetos de data centers no estado. O Rio busca ampliar sua participação no setor, que cresceu 20% na América Latina em 2025, segundo a consultoria JLL.
Embora São Paulo e Barueri (SP) liderem o mercado brasileiro, concentrando cerca de 45% da capacidade instalada, o Rio de Janeiro ocupa a terceira posição, com 13%. Para mudar esse cenário, o estado concentra esforços em três frentes geográficas principais: a capital (Barra da Tijuca), o Porto do Açu (São João da Barra) e Niterói, aproveitando a conectividade e a infraestrutura energética como diferenciais competitivos.
Rio AI City: O Megaprojeto na Capital
O empreendimento de maior destaque é o Rio AI City, um polo planejado na região do Parque Olímpico, na Barra da Tijuca, fruto de uma parceria entre a Prefeitura do Rio e a Elea Data Centers.
Escopo e Capacidade
- Objetivo: Transformar o Rio no maior hub de data centers da América Latina e um dos dez maiores do mundo.
- Capacidade: A primeira fase prevê uma capacidade inicial de 1,5 GW (Gigawatt), com potencial de expansão para até 3,2 GW até 2032. Um dos anúncios anteriores mencionava 1,8 GW até 2027 e 3 GW até 2032.
- Infraestrutura: O projeto visa ser totalmente abastecido por energia limpa e renovável, aproveitando a infraestrutura de fibra óptica de alta velocidade herdada dos Jogos Olímpicos de 2016 e a proximidade com cabos submarinos.
- Fases de Entrega: O primeiro centro (RJO1) já está em operação. O RJO2, com 80 MW, deve começar a operar em 2026, seguido pelos RJO3 e RJO4, somando mais 120 MW, antes de completar a meta inicial de 1,5 GW adicionais.
A Elea Data Centers, apoiada pelo Goldman Sachs, está focada na consolidação da infraestrutura elétrica, em parceria com a Axia Energia (antiga Eletrobras) e a Light, que já garantiu 250 MW para o complexo inicial.
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Porto do Açu: O Polo Logístico e Energético
Fora da capital, o Porto do Açu, em São João da Barra, surge como um forte candidato a sediar grandes centros de dados. A proposta para o complexo portuário se baseia em ativos logísticos robustos, grande disponibilidade de área para expansão e acesso à água, além de energia.
- Estudos estão sendo realizados em parceria com empresas como Consag e Vertin para a implantação de data centers com capacidade de até 1 GW.
Niterói e a Baixada Fluminense
Outras regiões também se movimentam para capturar a demanda por processamento de dados:
- Niterói: O projeto do Distrito de Inovação da Cantareira prevê a criação de um centro de processamento de dados de alto desempenho, conectado a iniciativas de pesquisa e desenvolvimento em IA.
- São João de Meriti (Baixada Fluminense): A multinacional norte-americana CloudHQ assinou um protocolo de intenções para instalar um data center com investimento de R$ 1,7 bilhão, focado em infraestrutura segura e qualidade para tecnologia. O empreendimento, com capacidade de 36 MW, tem previsão de operação em setembro de 2025.
Desafios e Contexto do Mercado
Apesar do entusiasmo e dos anúncios bilionários, especialistas alertam que o Rio ainda precisa superar entraves fiscais e regulatórios para se consolidar como um polo tecnológico de peso, competindo com a infraestrutura já estabelecida em São Paulo.
A demanda por data centers está intrinsecamente ligada ao crescimento da IA e da computação em nuvem. Enquanto centros de nuvem tradicionais exigem entre 30 e 50 MW, as instalações dedicadas à Inteligência Artificial demandam volumes significativamente maiores, podendo alcançar 300 a 500 MW.
O Brasil, que já lidera a América Latina no setor, atrai investimentos globais devido à sua interligação elétrica e fontes renováveis. O governo federal, por sua vez, trabalha na Política Nacional de Data Centers (Redata) para impulsionar o país, que já é o 12º no ranking global.
