Scorsese Adota IA FLUX para Otimizar Storyboards no Cinema

O renomado diretor Martin Scorsese, uma das figuras mais influentes do cinema contemporâneo, anunciou uma parceria com a empresa alemã Black Forest Labs, especializada em inteligência artificial generativa. A colaboração visa integrar a tecnologia de IA, especificamente o modelo FLUX, no processo de pré-produção de seus filmes, com foco na criação de storyboards e pré-visualização de cenas.
A notícia, divulgada em 2 de junho de 2026, revela que Scorsese se juntou à Black Forest Labs como conselheiro e parceiro, endossando publicamente o uso da ferramenta para aprimorar a comunicação visual entre o diretor e sua equipe criativa.
A Visão de Scorsese: Eficiência e Evolução
Martin Scorsese justificou sua adesão à inteligência artificial como uma evolução natural do meio cinematográfico. Em declarações, o diretor de 83 anos afirmou que, ao longo de 70 anos de carreira, a comunicação de sua visão mental para a equipe sempre foi um desafio.
“Sempre houve esse problema de como você comunica o que vê em sua cabeça para seu elenco e equipe. Há algumas coisas que você precisa ver e sentir”, explicou Scorsese. Ele ressaltou que o FLUX permite que ele compartilhe suas visualizações “de forma mais clara e eficiente” com diretores de arte, designers de produção e diretores de fotografia, proporcionando uma base mais rica para o trabalho da equipe.
O cineasta destacou os benefícios práticos da IA na otimização da pré-produção. “Durante o processo de pré-produção, tempo custa dinheiro, e isso nos permitiu mover mais rápido sem sacrificar a qualidade ou o ofício”, afirmou. Ele também mencionou a redução do “desgaste da equipe” como um ponto positivo.
Scorsese, conhecido por sua mente inovadora e abertura a novas tecnologias, citou exemplos anteriores de sua carreira, como o uso de 3D em “Hugo” e a tecnologia de rejuvenescimento digital em “O Irlandês”, para contextualizar sua postura. “Lembrem-se, o cinema é um meio jovem, com apenas cerca de 125 anos, então temos que estar abertos a como ele pode evoluir”, pontuou.
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A Tecnologia FLUX e Seus Usos Práticos
A Black Forest Labs, startup alemã fundada em 2024, desenvolveu o modelo FLUX, uma ferramenta de geração de imagens por IA generativa. Em um vídeo gravado em seu escritório em Nova York, Scorsese demonstrou o uso do FLUX para criar storyboards.
A demonstração incluiu a recriação da famosa sequência do Steadicam no Copacabana, do filme “Os Bons Companheiros”, ilustrando como a ferramenta pode condensar o complexo processo de encenação e comunicação exigido por cenas intrincadas. Além disso, o diretor revelou que está utilizando o FLUX na pré-produção de seu próximo filme, “What Happens at Night”, estrelado por Leonardo DiCaprio e Jennifer Lawrence.
Robin Rombach, CEO da Black Forest Labs, co-fundador da empresa, destacou a participação de Scorsese como uma “grande prova de que isso funciona”. A introdução de Scorsese à empresa foi facilitada pela firma de investimentos BroadLight Capital, co-fundada por seu empresário Rick Yorn, e por Michael Ovitz, co-fundador da CAA e investidor na Black Forest Labs.
Reações e o Debate da IA em Hollywood
A decisão de Martin Scorsese de abraçar a IA generativa gerou um debate intenso na comunidade cinematográfica. Por um lado, sua adesão é vista como um endosso significativo à tecnologia por um diretor de seu calibre, potencialmente direcionando a discussão da IA em Hollywood de questões éticas abstratas para aplicações práticas no fluxo de trabalho.
Por outro lado, a parceria provocou reações negativas de parte da comunidade, que expressa preocupação com a possível perda de empregos para artistas de storyboard e a desvalorização da criatividade humana. Alguns críticos nas redes sociais expressaram “decepção” e “desgosto” com a decisão do diretor, especialmente considerando sua imagem de tradicionalista e suas críticas anteriores à “não-cinema” dos filmes de super-heróis.
A discussão sobre a IA no cinema é um tema divisor. Enquanto cineastas como James Cameron (membro do conselho da Stability AI) também exploram a tecnologia, outros, como Guillermo del Toro e Christopher Nolan, manifestaram forte oposição ao uso da IA generativa na criação artística.
Desdobramentos e o Futuro da Criação Visual
A entrada de Martin Scorsese no cenário da IA generativa para cinema sinaliza uma aceleração na adoção dessas ferramentas por parte de grandes nomes da indústria. Embora Scorsese restrinja seu uso à fase de pré-produção, principalmente para storyboards, sua influência pode legitimar e expandir a experimentação com IA em outras áreas da produção cinematográfica.
A Black Forest Labs, com o apoio de uma figura como Scorsese, ganha um impulso considerável, posicionando o FLUX como uma solução viável para otimizar processos criativos. O desafio, no entanto, permanece em equilibrar a eficiência tecnológica com a preservação da arte e dos empregos de profissionais humanos, um debate que continuará a moldar o futuro do cinema.
