TRF3 Lança Curso Intensivo sobre IA Generativa para Magistrados e Servidores

O Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF3) iniciou um curso focado na aplicação prática de Inteligência Artificial (IA) Generativa no ambiente do Judiciário, visando capacitar magistrados e servidores para o uso ético e eficiente dessas novas tecnologias. O treinamento, intitulado “Soluções de Inteligência Artificial (IA) Generativa Aplicadas ao Judiciário: Técnicas Básicas e Avançadas de Engenharia de Prompt”, começou em 4 de março de 2026 e se estenderá até o dia 6 do mesmo mês, sendo realizado no edifício-sede da Corte em São Paulo.
Objetivos e Estrutura do Treinamento em IA
O principal objetivo do curso é fornecer aos participantes as habilidades necessárias para utilizar ferramentas de IA generativa, com ênfase especial na engenharia de prompt. Esta técnica é fundamental para otimizar a análise de processos, a gestão de acervos e a elaboração de minutas processuais, áreas cruciais para a produtividade no Judiciário Federal.
Com uma carga horária total de 9 horas-aula, o treinamento foi segmentado em dois módulos distintos: um básico e um avançado. Essa divisão visa atender tanto aqueles que estão em contato inicial com a tecnologia quanto os que buscam aprimorar o domínio de técnicas mais complexas de interação com os sistemas de IA.
Conteúdo Programático e Foco Ético
A grade curricular foi cuidadosamente elaborada para garantir que o uso da IA esteja alinhado com as diretrizes legais e éticas vigentes. Os conteúdos abordam desde os conceitos básicos da tecnologia até as práticas seguras e éticas de aplicação no cotidiano jurídico. Um ponto central do curso é o respeito rigoroso às normas de proteção de dados e aos limites legais aplicáveis ao tratamento de informações sensíveis no âmbito judicial.
A iniciativa está intrinsecamente ligada ao lançamento recente da LIA 3R, a plataforma de Inteligência Artificial desenvolvida internamente pelo próprio TRF3. A LIA 3R, que utiliza a técnica de Recuperação Aumentada por Geração (RAG), foi criada para ser um instrumento de apoio direto às rotinas de trabalho, auxiliando em pesquisa jurídica, análise documental e produção de minutas, sempre integrada ao Processo Judicial Eletrônico (PJe).
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Apoio da Presidência e Colaboração Interinstitucional
A abertura oficial do treinamento contou com a presença do presidente do TRF3, desembargador federal Johonsom di Salvo, que ressaltou a importância da tecnologia para a gestão do acervo processual da Corte. Ele enfatizou que a IA é uma ferramenta poderosa para a eficiência administrativa e jurisdicional.
A desembargadora federal Daldice Santana, presidente da Comissão Permanente de Informática do TRF3, reforçou o papel do conhecimento como catalisador da união e do uso adequado da IA. Ela destacou a colaboração técnica estabelecida com as equipes dos Tribunais Regionais Federais da 1ª Região (TRF1) e da 5ª Região (TRF5) no desenvolvimento e na capacitação sobre estas soluções.
O curso está sendo ministrado pelo juiz federal Náiber Pontes de Almeida, gestor dos Sistemas Judiciais do TRF1, evidenciando a troca de experiências entre os tribunais na adoção de inovações tecnológicas.
Governança e o Futuro da IA no TRF3
Esta capacitação faz parte de um projeto maior do TRF3, que visa a melhoria da usabilidade do sistema PJe e a consolidação da governança e gestão eficaz das soluções de IA generativa. O objetivo final é padronizar os fluxos de trabalho, garantindo que a tecnologia sirva como um aliado, e não como um substituto, da atividade humana.
É importante notar que o desenvolvimento da LIA 3R foi guiado por três pilares fundamentais: ética e governança, autonomia institucional e responsabilidade orçamentária. A responsabilidade final pelas decisões judiciais permanece integralmente com magistrados e servidores, cabendo à IA a função de organizar dados, otimizar fluxos e reduzir o retrabalho, liberando tempo para análises jurídicas mais complexas.
A disponibilização da ferramenta LIA 3R no PJe está condicionada à participação e aprovação no curso de capacitação oferecido, assegurando que o corpo funcional esteja apto a utilizar a nova tecnologia de forma consciente e alinhada às políticas do tribunal.
