UFMG Lança Diretrizes para Uso Responsável da Inteligência Artificial

A Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) oficializou o lançamento do documento “Princípios e diretrizes para o uso responsável da Inteligência Artificial na UFMG – Orientações práticas”. O material visa estabelecer um arcabouço ético e normativo para a aplicação da Inteligência Artificial (IA) nas atividades acadêmicas e administrativas da instituição.
O lançamento principal ocorreu em 13 de agosto no Auditório da Reitoria, no Campus Pampulha, em Belo Horizonte, com um evento adicional programado para 17 de agosto no Campus Montes Claros. A iniciativa posiciona a UFMG na vanguarda do debate sobre a ética e a responsabilidade no uso da IA no ambiente universitário brasileiro.
Desenvolvimento e Propósito das Diretrizes
O documento foi elaborado pela Comissão Permanente de Inteligência Artificial da UFMG, instituída pela Portaria Nº 10226, de 8 de novembro de 2023, e presidida pelo Professor Virgílio Augusto Fernandes Almeida. A comissão realizou um extenso levantamento de práticas e documentos de outras instituições de ensino e pesquisa internacionais, debatendo tendências, possibilidades e riscos da IA no contexto acadêmico.
O principal objetivo é orientar o uso da tecnologia no ensino superior, incentivando pesquisas, ações de capacitação e parcerias estratégicas, com foco em transparência, privacidade e justiça. As diretrizes buscam priorizar aspectos éticos e responsáveis permanentes, em vez de focar em ferramentas específicas que evoluem rapidamente, garantindo que a IA seja integrada de forma responsável às práticas acadêmicas e administrativas da Universidade.
Veja também:
Principais Áreas e Recomendações
As diretrizes abrangem diversas dimensões do uso da IA, com recomendações específicas para:
Atividades Acadêmicas (Ensino e Pesquisa)
- Transparência e Atribuição: Professores e alunos devem declarar e explicar o uso de ferramentas de IA em trabalhos acadêmicos e pesquisas. Detalhes sobre como a IA foi empregada no processo científico, incluindo prompts e conteúdo gerado, devem ser fornecidos como material suplementar.
- Prevenção de Plágio: A universidade não proíbe o uso de IA, mas enfatiza a necessidade de transparência e de evitar a atribuição indevida. Softwares de detecção de plágio podem ser utilizados, e as ferramentas de IA não podem ser citadas como coautoras de trabalhos.
- Análise Crítica: É crucial que os usuários analisem cuidadosamente os resultados gerados por IA para evitar a disseminação de informações falsas ou dados imprecisos.
- Formação e Letramento: A UFMG propõe investir em cursos de letramento em IA para toda a comunidade acadêmica (docentes, pesquisadores, funcionários e estudantes), visando ao desenvolvimento de uma compreensão fundamental da IA e à avaliação crítica de suas aplicações.
Gestão Administrativa
- O documento também estabelece regulamentações para o uso da IA em tarefas administrativas, reconhecendo a crescente presença dessas ferramentas na gestão universitária.
- A ênfase é na aplicação responsável da IA, com atenção à proteção de dados e privacidade, e à prevenção de vieses discriminatórios.
Contexto e Desdobramentos
A elaboração dessas diretrizes reflete uma preocupação crescente em instituições de ensino superior em todo o mundo com os impactos da IA. A UFMG, além de ser pioneira com este documento, coordena o Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Inteligência Artificial Responsável para Linguística Computacional, Tratamento e Disseminação de Informação (INCT TILD-IAR). Este projeto visa desenvolver IA com foco na cultura brasileira, na língua portuguesa e na sustentabilidade, com uma rede de mais de 80 pesquisadores de 30 instituições brasileiras e colaborações internacionais.
As diretrizes da UFMG representam um primeiro passo para a construção de uma política institucional mais ampla e um comitê de governança permanente, que revisará periodicamente as normas para acompanhar a evolução da tecnologia. A universidade reitera seu papel de acompanhar a evolução tecnológica, garantindo um uso ético e benéfico da Inteligência Artificial para a sociedade.
