Um Quarto da População Considera Relacionamento com Robôs, Aponta Pesquisa

Uma pesquisa recente revelou que uma parcela significativa da população está aberta à ideia de um relacionamento com máquinas. O levantamento indica que 1 em cada 4 pessoas consideraria ter um envolvimento afetivo ou romântico com um robô ou inteligência artificial (IA). Os dados, divulgados pelo portal Metrópoles, apontam para uma crescente interseção entre tecnologia e intimidade, redefinindo as fronteiras das relações humanas na era digital.
A pesquisa, realizada no Reino Unido, destaca uma mudança cultural e geracional. Enquanto os jovens demonstram maior abertura e curiosidade em relação a interações românticas e sexuais com robôs, a rejeição predomina entre os indivíduos acima de 55 anos.
Avanço da IA e a Busca por Conexão
A crescente aceitação de relacionamentos com máquinas está intrinsecamente ligada aos avanços da inteligência artificial. A IA emocional, por exemplo, já é capaz de simular reciprocidade emocional de forma convincente, utilizando algoritmos avançados para imitar comportamentos humanos e interpretar emoções através de texto, vídeo ou áudio.
Especialistas apontam que a tecnologia está ocupando lacunas emocionais na vida das pessoas, oferecendo uma forma de conexão e acolhimento. A evolução da IA, com modelos generativos que compreendem contexto, ironia, emoção e intenção, tem transformado a ficção científica em uma realidade palpável.
Robôs Companheiros e a CES 2026
A Consumer Electronics Show (CES) de 2026, por exemplo, demonstrou o progresso significativo na robótica, com a apresentação de robôs projetados para interagir emocionalmente com humanos. Modelos como o Takway Sweekar, que reconhece a voz do dono e armazena memórias, simulam um vínculo personalizado e um ciclo de vida completo, desde a incubação até a autonomia.
A expectativa é que robôs humanoides, com capacidade de aprender e evoluir, se tornem cada vez mais presentes no cotidiano, saindo dos ambientes industriais para as casas.
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Implicações Sociais e Éticas
A ascensão dos relacionamentos humano-máquina levanta importantes questões éticas e sociais. Embora possam oferecer companhia e conforto emocional, especialmente para grupos como idosos, há preocupações sobre a banalização dos vínculos afetivos e a dependência emocional de máquinas.
A jurista Mireille Hildebrandt alerta que a personificação de robôs e IAs pode trivializar as relações humanas, principalmente se a legislação começar a reconhecer esses relacionamentos como válidos. Além disso, a forma como robôs humanoides são frequentemente projetados com características femininas estereotipadas pode reforçar padrões de objetificação e exploração.
Outros estudos indicam que o risco principal desses relacionamentos parassociais é a substituição de interações humanas reais por vínculos digitais artificiais, o que pode levar ao isolamento social e à perda de habilidades essenciais como empatia e resolução de conflitos.
Cenário Global: Tendências Similares
A tendência de abertura a relacionamentos com IA não se restringe ao Reino Unido. Uma pesquisa do YouGov Institute for Family Studies, realizada nos Estados Unidos e citada pelo Instituto Humanitas Unisinos (IHU), revelou que 10% dos entrevistados estavam abertos a ter uma amizade com IA, e um quarto acreditava que a IA tem o potencial de substituir relacionamentos românticos na vida real.
Essa pesquisa também apontou que pessoas que tiveram relacionamentos humanos ausentes ou rompidos, ou que já recorrem a substitutos digitais, mostraram-se mais dispostas a um relacionamento com robôs. Famílias desunidas também se mostraram mais vulneráveis a tecnologias que oferecem substitutos para companhias e romances humanos.
O Que Acontece Agora?
O debate sobre o futuro das relações humanas em tempos de inteligência artificial continua. A questão central não é se a IA substituirá a essência humana, mas como podemos garantir que ela potencialize, e não dilua, o que há de mais valioso em nossas conexões.
O desenvolvimento de robôs e IAs mais sofisticados, capazes de simular emoções e interagir de maneira cada vez mais complexa, exige uma reflexão contínua sobre os limites éticos, psicológicos e sociais dessa nova era de relacionamentos. A sociedade está diante de um desafio de equilibrar inovação tecnológica com a preservação da profundidade e autenticidade das interações humanas.
