Crise na Agrogalaxy: Tauá Assume Gestão em Meio a Saídas Chave

A rede de distribuição de insumos agrícolas Agrogalaxy está no centro de uma reestruturação significativa após relatos de que a Aqua Capital, sua acionista majoritária, estaria repassando a gestão para a Tauá Partners. A notícia inicial, veiculada pelo The AgriBiz, sugeria uma cessão de gestão e até mesmo do controle de fato para a Tauá. No entanto, a situação foi rapidamente esclarecida em comunicados subsequentes, onde a Agrogalaxy negou a transferência de controle societário, afirmando que a Tauá foi contratada estritamente como prestadora de serviços especializada em turnaround para auxiliar na reorganização operacional e financeira da companhia, que se encontra em processo de recuperação judicial.
Mudanças Drásticas na Liderança Executiva
O contexto da movimentação gerencial foi marcado por uma debandada de altos executivos, o que intensificou os rumores de uma venda de controle. Na véspera dos boatos, a Agrogalaxy anunciou a renúncia simultânea de figuras-chave da administração. Entre os que deixaram seus cargos estavam o CEO, Eron Martins, o CFO, Luiz Conrado Sundfeld, e a diretora Marina Alves. Além disso, Sebastian Popik, fundador da Aqua Capital e figura central na gestão da Agrogalaxy, renunciou à presidência do Conselho de Administração.
Nova Estrutura de Comando
Em resposta às saídas, a Agrogalaxy promoveu mudanças técnicas para reforçar a gestão durante a reestruturação. Luiz Gabriel Piovezani Silva, que era o vice-presidente de Suprimentos desde outubro, assumiu interinamente como diretor-presidente, acumulando também as funções de CFO e diretor de Relações com Investidores. No Conselho de Administração, a cadeira de Popik foi ocupada por Ruy Flaks Schneider, um executivo com histórico em grandes corporações brasileiras, como Eletrobras e Petrobras, indicando um foco em experiência em reestruturações complexas.
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O Papel da Tauá Partners e o Turnaround
A Tauá Partners, conhecida no mercado por atuar na estruturação de ativos e empresas em dificuldades, confirmou sua atuação, mas limitou seu escopo ao turnaround. A consultoria iniciou seus trabalhos no quarto trimestre de 2025, dentro do plano de reorganização da Agrogalaxy. Fontes ligadas ao Aqua Capital confirmaram que a venda do controle da Agrogalaxy é, sim, uma das hipóteses estratégicas avaliadas pelo fundo para revitalizar a empresa, mas não é a única nem a medida já concretizada. A Aqua Capital, que detém uma participação significativa na companhia, busca ativamente “soluções estratégicas” para a rede de revendas.
Contexto de Dificuldade Financeira da Agrogalaxy
A necessidade de um processo de reestruturação e a mudança de gestão ocorrem em um momento delicado para a Agrogalaxy. A empresa, que atua na distribuição de insumos agrícolas, já havia recebido um aporte de R$ 150 milhões em equity do Aqua Capital no final de 2023, por meio de um instrumento de adiantamento para futuro aumento de capital (AFAC). Na época, o objetivo era reforçar a liquidez e cumprir cláusulas de endividamento, visando reduzir o índice de alavancagem para 3 vezes no fim daquele ano. No entanto, a companhia enfrenta desafios que levaram à necessidade de readequação operacional, incluindo a suspensão das operações de sua unidade de beneficiamento de sementes, a Sementes Campeã, em Goiás e Bahia, priorizando unidades com melhor eficiência.
A situação da Agrogalaxy também reflete um cenário mais amplo de pressão no setor de revendas agrícolas, com movimentos de cooperativas adquirindo ativos de concorrentes. A intervenção da Tauá Partners, focada em reestruturação técnica, sinaliza um esforço concentrado para reverter o quadro financeiro e operacional da empresa, enquanto o controlador, Aqua Capital, mantém a opção de uma venda futura em aberto como parte das “soluções estratégicas” em análise.
