AXIA dispara: Energia no Teto faz gigante elétrica superar o consenso

A AXIA Energia, antiga Eletrobras, está posicionada para um dia de lucros excepcionais, com o preço da energia no mercado de curto prazo atingindo o teto regulatório em um evento raro, o que deve levar a empresa a superar significativamente as expectativas do consenso de mercado. O pico de preço, que chegou a R$ 1.557 por megawatt-hora (MWh) em um determinado horário, é mais de seis vezes o valor negociado em contratos de longo prazo.
O cenário atual de preços elevados no mercado elétrico brasileiro é impulsionado por uma combinação de fatores climáticos e estruturais, colocando a maior geradora hídrica do país em uma posição privilegiada para capitalizar a volatilidade.
O Pico de Preço e a Vantagem da AXIA
O preço da energia no mercado de curto prazo (spot) disparou, tocando o pico de R$ 1.557/MWh, valor muito próximo ao teto regulatório estabelecido pela Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), que é de R$ 1.611/MWh. Este evento, que ocorreu em um horário específico (entre 20h e 21h), é considerado raro, sendo a segunda vez que o teto horário é atingido recentemente, com a primeira ocorrência registrada em junho de 2024.
As usinas hidrelétricas são as que mais se beneficiam desses picos de preço, dada a agilidade com que suas turbinas podem ser acionadas para atender à demanda instantânea. A AXIA Energia detém a maior capacidade instalada de geração hidrelétrica no Brasil, o que lhe confere uma vantagem operacional significativa para lucrar com a modulação de preços.
Fatores por Trás da Alta
A pressão nos preços da energia elétrica é um reflexo da instabilidade no suprimento e da crescente demanda, especialmente em momentos de pico. Os principais catalisadores incluem:
- Condições Climáticas Extremas: O calor intenso na região Sul do país tem elevado o consumo de energia, principalmente devido ao uso de sistemas de refrigeração.
- Baixa Geração Eólica: Condições meteorológicas atípicas têm reduzido a geração de energia eólica no Nordeste, historicamente uma fonte importante no mix nacional.
- Variação Solar/Demanda: O sistema elétrico enfrenta um desafio no final do dia, quando a geração solar diminui drasticamente (com o pôr do sol) justamente no momento em que a demanda cresce com o retorno das pessoas às residências e o uso de aparelhos como ar-condicionado e televisão.
Técnicos do setor indicam que, embora o preço no teto seja um evento excepcional, a tendência é de que os valores no horário de ponta da noite se mantenham mais elevados, configurando um “novo normal” mais volátil para o mercado elétrico.
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Posicionamento Estratégico e Consenso de Mercado
A capacidade da AXIA de “esmurrar o consenso” de mercado reside em sua estrutura de comercialização. A empresa, que anteriormente era conhecida como Eletrobras, possui a maior quantidade de energia descontratada para negociação no curto prazo, ao lado da Copel. Isso significa que uma parcela maior de sua geração pode ser vendida ao preço spot, capturando integralmente os valores máximos atingidos.
Analistas de mercado têm demonstrado otimismo em relação à capacidade da AXIA de gerar resultados acima do esperado. Bancos de investimento revisaram para cima as projeções de lucros e dividendos da companhia, citando justamente o ambiente de preços mais altos do PLD (Preço de Liquidação de Diferenças). Por exemplo, projeções de EBITDA para os próximos anos foram elevadas por algumas instituições, superando as estimativas de consenso em até 20%.
Apesar de a volatilidade trazer riscos inerentes, como a imprevisibilidade e a possibilidade de quedas de preço, a AXIA é vista como bem equipada para gerenciar isso. A empresa, que tem um portfólio diversificado (hidrelétrica, termelétrica, nuclear, eólica e solar), é considerada uma grande geradora hídrica, o que lhe permite responder rapidamente às necessidades do sistema e maximizar os ganhos nos momentos de maior estresse.
Repercussões e Perspectivas Futuras
O ambiente de preços altos no mercado de curto prazo sinaliza uma mudança na dinâmica do setor elétrico brasileiro. Empresas como a AXIA e a Copel estão ajustando suas estratégias de comercialização, optando por reter mais energia descontratada para aproveitar as oportunidades de arbitragem trazidas pela volatilidade, em vez de fixar todos os volumes em contratos de longo prazo.
A perspectiva de preços mais altos e a expectativa de que a volatilidade se torne mais frequente reforçam a tese de investimento em empresas com forte capacidade de geração despachável, como a AXIA. O mercado tem respondido positivamente a essas perspectivas, com a ação da empresa sendo incluída em importantes benchmarks de mercado, o que tende a atrair maior demanda institucional.
Em resumo, o evento de preço de energia no teto não é apenas um pico momentâneo, mas um sintoma de um mercado mais tenso e volátil, que beneficia diretamente a AXIA Energia, permitindo que a companhia demonstre um potencial de geração de caixa e retorno aos acionistas que pode, de fato, “esmurrar” as projeções mais conservadoras do mercado.
