BC Autorizou Daniel Vorcaro a Controlar Banco Mesmo Investigado pela PF

O Banco Central (BC) concedeu autorização para que o empresário Daniel Vorcaro se tornasse sócio controlador do Banco Máxima, instituição que posteriormente foi renomeada para Banco Master, mesmo enquanto ele já era alvo de investigações da Polícia Federal (PF) e do Ministério Público Federal (MPF) por suspeitas de corrupção e desvio de verbas públicas.
A permissão para a aquisição do controle do Máxima, que culminou na criação do Banco Master, ocorreu enquanto Vorcaro já estava sob escrutínio por seu envolvimento em um esquema que envolvia recursos de fundos de previdência municipais.
Contexto da Autorização e Investigações
Daniel Vorcaro recebeu o aval do BC para se tornar controlador do Banco Máxima, que se tornou Banco Master em 2021, enquanto figurava na mira de inquéritos policiais. As apurações da Polícia Federal, notadamente a Operação Fundo Fake, deflagrada em 2020, investigavam suspeitas de desvio de verbas públicas, corrupção e gestão fraudulenta, ligadas a fundos de previdência públicos municipais e estruturas financeiras associadas ao empresário e a pessoas próximas.
Na época em que a autorização foi concedida, Roberto Campos Neto presidia o Banco Central. A legislação brasileira exige que acionistas controladores de instituições financeiras demonstrem idoneidade moral, reputação ilibada e capacidade técnica, requisitos que, em tese, seriam confrontados pela existência de investigações policiais.
Alegações da Defesa de Vorcaro
Em resposta às alegações e investigações, a defesa de Daniel Vorcaro argumentou que seu nome havia sido formalmente excluído dos inquéritos, como o da Operação Fundo Fake. Os advogados afirmaram que as decisões judiciais demonstravam que Vorcaro nunca foi parte dos atos investigados, nem responsável pelas estruturas sob escrutínio.
A defesa também levantou uma questão de temporalidade e causalidade, sustentando que, no período dos fatos analisados nas investigações iniciais, Vorcaro ainda não havia adquirido o controle do Banco Máxima nem mantinha vínculo com a instituição, o que afastaria qualquer relação com os eventos apurados. Em 2021, o Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) chegou a impedir a denúncia criminal contra Vorcaro, e em 2023, o inquérito policial relacionado a ele foi trancado.
Veja também:
Desdobramentos e Outras Operações
Apesar da autorização do BC ter ocorrido antes do encerramento definitivo das investigações, o caso do Banco Master continuou a gerar desdobramentos, envolvendo outras operações policiais e órgãos de controle.
- Operação Barco de Papel: Esta operação passou a apurar investimentos suspeitos de R$ 1 bilhão do Rioprevidência (fundo de previdência do Rio de Janeiro) no Banco Master. No total, previdências públicas teriam aportado quase R$ 2 bilhões na instituição.
- Investigações sobre Operadores: Investigações subsequentes, como a Operação Compliance Zero, focaram em uma rede de fundos financeiros, supostamente estruturada por um operador tático de Vorcaro, para ocultar e transferir valores do banco.
- Transações Cambiais Suspeitas: Relatórios policiais indicaram que o Banco Master (na época Máxima) realizou remessas cambiais de cerca de US$ 531 milhões (aproximadamente R$ 2,8 bilhões) para uma empresa investigada por suposta lavagem de dinheiro para o PCC e o Hezbollah, entre 2018 e 2021.
O Banco Master, instituição controlada por Vorcaro, foi posteriormente liquidado judicialmente pelo Banco Central devido a seu modelo de negócios agressivo e sinais de desequilíbrio, que já eram acompanhados com desconfiança pela autoridade monetária desde 2024.
Repercussão Regulatória e Política
O fato de o BC ter autorizado a aquisição de controle bancário enquanto o empresário era alvo de inquérito gerou questionamentos sobre os processos de verificação de idoneidade da autoridade monetária. O caso também se entrelaça com negociações políticas, como a tentativa de aquisição do Master pelo BRB (Banco de Brasília), que ocorreu sob investigação da PF.
A investigação da PF, em fases posteriores, apontou para um suposto esquema de “engenharia contábil” no Master, envolvendo a aquisição de créditos duvidosos da consultoria Tirreno, sem pagamento, para posterior revenda ao BRB como ativos sólidos.
Até o momento, não há decisão judicial definitiva sobre as responsabilidades penais ou administrativas decorrentes das acusações mais recentes, mantendo o caso em mobilização de órgãos de controle e justiça.
