Bitcoin em Queda Livre: Fed Rígido e Liquidações em Massa Abalam Cripto

O mercado de criptoativos enfrenta um período de extrema fragilidade, com o Bitcoin (BTC) lutando para manter níveis cruciais de suporte, pressionado por um cenário macroeconômico adverso. A principal ameaça reside no espectro de uma política monetária mais restritiva vinda do Federal Reserve (Fed) dos EUA, exacerbada por uma onda significativa de liquidações em massa no mercado de derivativos, que forçaram vendas compulsórias e ampliaram a queda dos preços.
Neste cenário de aversão ao risco, o Bitcoin chegou a negociar na região dos US$ 72.000, marcando seu preço mais baixo em 15 meses, com perdas acumuladas superiores a 40% em relação ao seu topo histórico registrado em outubro. O medo domina o setor, com o Índice de Medo e Ganância atingindo um de seus pontos mais baixos desde o final de 2025, sinalizando um sentimento de pânico entre os investidores.
O Efeito da Política Monetária Restritiva do Fed
O catalisador central para a atual desvalorização é a incerteza gerada pelas expectativas sobre a condução da política monetária americana. A nomeação de Kevin Warsh para a presidência do Federal Reserve tem sido apontada como o principal gatilho. Warsh é amplamente visto como um defensor de uma postura mais rigorosa no combate à inflação e tem um histórico de criticar as compras de ativos (quantitative easing) realizadas pelo banco central.
A perspectiva de um Fed mais rígido implica taxas de juros reais mais altas e um foco na redução do balanço patrimonial da instituição. Essa mudança no horizonte monetário penaliza ativos de alta volatilidade, como as criptomoedas, que dependem historicamente de liquidez abundante e dinheiro barato para sustentar seus ralis.
Choque de Liquidez e o Dólar Forte
A possibilidade de uma política monetária restritiva iminente agrava a preocupação com um choque de liquidez. A redução acelerada do balanço do Fed, que retira dinheiro do sistema, somada a um “muro de vencimento da dívida” corporativa e governamental, diminui a quantidade de capital disponível no mercado. Consequentemente, a demanda por ativos que não geram rendimento, como o Bitcoin, cai, forçando investidores a reduzir posições.
Adicionalmente, a reação imediata à nomeação de Warsh foi a valorização do dólar americano, que se fortaleceu contra outras moedas. Como o Bitcoin é cotado em dólar, um dólar mais forte exerce pressão vendedora direta sobre o ativo digital.
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Liquidações em Cascata e a Pressão dos Derivativos
A volatilidade acentuada desencadeada pelas notícias macroeconômicas levou a um efeito cascata no mercado de derivativos, resultando em liquidações em massa. Em um período recente, foram registradas ondas de vendas forçadas que ultrapassaram US$ 2,56 bilhões em posições liquidadas, sendo a maior parte composta por apostas compradas (longs) com alta alavancagem.
Um episódio notável de liquidação, que chegou a ser o maior desde o colapso da FTX, envolveu cerca de US$ 1,68 bilhão em futuros de Bitcoin, desencadeado por uma queda rápida de US$ 88.000 para abaixo de US$ 85.000. Essas liquidações são mecânicas: quando a alavancagem estoura as margens de segurança, as corretoras são forçadas a encerrar as posições, adicionando nova pressão vendedora ao mercado e acelerando a queda do preço.
Contágio para Outros Ativos e Fluxos de ETFs
O impacto da crise de liquidez no Bitcoin se estendeu a outros ativos de risco, como o ouro e a prata, que também sofreram quedas expressivas. Analistas indicam que parte da venda de metais preciosos foi uma reação em cadeia, onde investidores liquidaram ouro para cobrir chamadas de margem geradas pelo colapso das posições em criptomoedas.
Outro fator de pressão significativa são os ETFs de Bitcoin à vista nos EUA, que, após atuarem como fonte de demanda no início do ano, passaram a registrar saídas líquidas recordes, drenando liquidez do mercado. A saída de capital institucional, somada à redução do número de participantes ativos, aponta para um enfraquecimento da base compradora do ativo.
Contexto e Perspectivas Futuras
O atual recuo do Bitcoin o levou a patamares abaixo de suportes técnicos importantes, como a média móvel de 365 dias, o que, para alguns analistas, sugere uma deterioração do quadro estrutural no curto prazo. A situação contrasta com o ouro, que se beneficiou de tensões geopolíticas e fiscais, mas que também sofreu com a realização de lucros e o dólar forte.
Apesar do cenário de medo, alguns analistas mantêm uma visão construtiva para o longo prazo, argumentando que as preocupações estruturais com a desvalorização das moedas fiduciárias persistem. Contudo, para o curto prazo, o mercado permanece em um momento de desalavancagem forçada e reajuste de expectativas, aguardando sinais claros sobre a política do novo comando do Fed e a estabilização dos fluxos de capital dos ETFs.
