Boeing Desiste de Venda de F-15EX para a Indonésia Após Espera

A gigante aeroespacial Boeing confirmou oficialmente o encerramento de sua campanha de vendas para fornecer caças F-15EX Eagle II à Indonésia. A decisão, revelada durante o Singapore Airshow 2026, marca o fim de um processo de negociação que se arrastava desde 2023, quando um Memorando de Entendimento (MoU) foi assinado para a potencial aquisição de até 24 unidades da aeronave, a ser designada F-15IDN para exportação.
A informação foi divulgada por Bernd Peters, vice-presidente de desenvolvimento de negócios e estratégia da divisão de defesa da Boeing, que declarou que a parceria relativa ao F-15 com Jacarta “não é mais uma campanha ativa” para a empresa. A paralisação do acordo sublinha a incerteza que pairava sobre a aquisição, uma vez que a Indonésia não formalizou a compra com a assinatura de um contrato definitivo, apesar de ter recebido autorizações de Venda Militar Estrangeira (FMS) do Departamento de Estado dos EUA.
Contexto da Negociação e Falta de Contrato
O acordo inicial, anunciado em 2023, previa que a Indonésia se tornaria o primeiro país do Sudeste Asiático a operar o F-15EX, uma versão avançada do icônico caça F-15, conhecido por sua robustez e capacidade de carga. O governo indonésio via o F-15IDN como um pilar fundamental na modernização de sua frota aérea de combate, que ainda inclui aeronaves mais antigas.
Apesar da aprovação do governo norte-americano para a venda, que chegou a incluir a possibilidade de até 36 aeronaves em algumas fases de negociação, o processo nunca saiu da fase de estudos e acordos preliminares. A Boeing, por sua vez, precisava alocar seus slots de produção, especialmente diante de um aumento na demanda de outros clientes, como Israel e Coreia do Sul, para variantes do F-15.
Avanço Paralelo com Outros Caças
Um fator crucial no desfecho da negociação com a Boeing foi o avanço consistente de outros programas de aquisição de caças pela Força Aérea da Indonésia (TNI-AU) durante o período de inação do contrato do F-15EX. Enquanto o acordo americano patinava, Jacarta avançou com a aquisição de 42 caças Dassault Rafale, com as primeiras unidades já em fase de entrega e voos de teste realizados na França.
Além disso, a Indonésia demonstrou forte interesse e firmou acordos para a produção local de caças de quinta geração, como o TAI Kaan (Turquia) e o KAI KF-21 Boramae (Coreia do Sul), com pedidos iniciais de 48 unidades de cada. Essa diversificação e o foco em aeronaves mais modernas ou em desenvolvimento de tecnologia local tornaram a decisão sobre o F-15EX cada vez menos prioritária ou financeiramente viável para o país no cenário atual.
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Repercussão e o Legado do F-15
O F-15, em suas diversas variantes, possui um histórico notável, ostentando o recorde de abates em combate aéreo sem ter sido perdido em um confronto direto contra aeronaves inimigas. A versão F-15EX Eagle II, fabricada pela divisão de St. Louis da Boeing, representa a mais recente iteração, incorporando aviônicos avançados, como o radar AN/APG-82 AESA, e uma capacidade de carga útil superior.
O fim da campanha comercial levanta questões sobre o futuro da estratégia de modernização da TNI-AU. Analistas sugerem que a hesitação da Indonésia em formalizar o contrato do F-15EX, que dependia de aprovação governamental e possivelmente de pacotes financeiros complexos, abriu espaço para que outras nações com processos de aquisição mais definidos avançassem na fila de produção da Boeing.
A Boeing não forneceu detalhes adicionais sobre o encerramento, direcionando questionamentos sobre o futuro da iniciativa aos governos dos Estados Unidos e da Indonésia. Para a indústria de defesa, o caso serve como um lembrete da importância da agilidade na formalização de grandes contratos militares, onde a incerteza pode levar ao abandono de programas por parte dos fornecedores.
