BofA Sinaliza Risco de Bolha nas Ações Brasileiras com Ibovespa em Alta

O Bank of America (BofA) emitiu um alerta significativo para o mercado acionário brasileiro, indicando que as ações do Brasil e de outros países da América Latina estão se aproximando de níveis que podem ser classificados como “tipo bolha”. O sinal de cautela surge em um momento de forte valorização do Ibovespa, que recentemente renovou máximas históricas, impulsionado majoritariamente pelo fluxo de capital estrangeiro e pela performance de setores específicos, como o de metais.
A Análise do Indicador de Risco de Bolha (BRI)
A preocupação do BofA é fundamentada no seu Indicador de Risco de Bolha (Bubble Risk Indicator – BRI), uma métrica proprietária desenvolvida pelo banco para detectar dinâmicas de preços que se assemelham a formações especulativas. Este indicador consolida em uma única leitura, numa escala de 0 a 1, fatores cruciais como retornos, volatilidade, momentum (volume transacionado) e a fragilidade de um ativo.
Segundo o relatório, os ativos brasileiros e latino-americanos apresentaram o maior salto no BRI ao longo da última semana, aproximando-se de uma “zona de bolha”. O banco considera que níveis historicamente elevados nesta métrica estão associados a um risco maior de dinâmicas de preços insustentáveis.
Contexto da Alta do Ibovespa
O Ibovespa atingiu picos próximos a 187.333 pontos, fechando em patamares recordes, com a forte alta sendo majoritariamente puxada pelas ações da Vale (VALE3), que registraram valorizações expressivas, e pelo ingresso robusto de capital internacional na B3.
Em janeiro, o fluxo estrangeiro na Bolsa brasileira somou R$ 26,3 bilhões, um volume que superou o total captado durante todo o ano de 2025. Este aporte é visto como parte de uma rotação global de ativos, onde investidores têm liquidado posições nos Estados Unidos (o chamado “Sell America”) em favor de mercados emergentes e commodities.
Veja também:
Fatores que Sustentam a Valorização e o Alerta
O Bank of America identifica uma combinação de fatores macroeconômicos e de mercado que explicam o rali, mas que, em conjunto, elevam o risco percebido:
- Dólar Fraco: A desvalorização da moeda americana torna os ativos brasileiros mais atrativos para o capital estrangeiro, que enxerga o Brasil como “barato”.
- Alta das Commodities: A valorização de metais preciosos e terras raras, que também exibem alertas de bolha mais urgentes na visão do BofA, impulsiona o fluxo para emergentes, beneficiando empresas brasileiras ligadas ao setor.
- Expectativa de Juros: A perspectiva de queda na taxa Selic, juntamente com juros menores no exterior, favorece a migração de capital para ativos de risco.
- Geopolítica: Tensões geopolíticas, incluindo ações do presidente dos EUA, Donald Trump, têm fomentado a realocação de recursos para fora dos EUA em direção a mercados emergentes.
Rali Latino-Americano
O movimento de alta não se restringe ao Brasil. O BofA aponta que o rali é regional, com países como Peru e Colômbia registrando valorizações em dólar superiores a 20% desde o início do ano, enquanto o Brasil avança cerca de 19%.
Visões Divergentes e Desdobramentos
Embora o BofA sinalize o risco de bolha, outras análises no mercado brasileiro demonstram visões mais matizadas. Especialistas locais reconhecem o exagero de curto prazo, mas não necessariamente uma bolha estrutural.
O economista-chefe da Austin Rating, Alex Agostini, por exemplo, argumenta que a alta é uma consequência direta da intensa entrada de investidores estrangeiros, mas sugere que o ritmo de crescimento deve se tornar mais moderado, pois os fundamentos internos não sustentam um avanço acentuado sem ajustes fiscais.
A sustentabilidade do desempenho do mercado brasileiro depende, em parte, da continuidade do fluxo externo e das expectativas sobre a política fiscal doméstica. O BofA, ao levantar a questão da bolha, implicitamente questiona se o mercado já precificou demais os ganhos futuros, especialmente se o cenário de ajuste fiscal no Brasil não se concretizar.
Em suma, o mercado acionário brasileiro vive um momento de euforia sustentada por fatores externos favoráveis, o que levou uma instituição de peso como o Bank of America a acender um sinal de alerta máximo no seu indicador de risco, sugerindo que a euforia pode estar atingindo níveis de sobrevalorização que historicamente precedem correções acentuadas.
