Brasil na Mira dos EUA: Decisão sobre Bloco de Minerais Críticos

O Brasil participou de uma reunião nos Estados Unidos, liderada pelo vice-presidente norte-americano, J.D. Vance, que teve como pauta a proposta de criação de um bloco comercial focado em minerais críticos. O encontro, realizado em Washington, buscou avançar na formação de uma aliança entre aliados para garantir o fornecimento estável desses recursos estratégicos, visando reduzir a dependência global da China.
Apesar da presença brasileira, representada pela Embaixada em Washington, o governo federal brasileiro sinalizou que ainda está em fase de avaliação se integrará formalmente a essa iniciativa. Integrantes da administração federal indicaram que qualquer decisão dependerá de uma análise aprofundada sobre os benefícios concretos que tal parceria traria à economia nacional, priorizando sempre o valor agregado no país.
Contexto da Iniciativa Americana e Minerais Estratégicos
A ofensiva diplomática dos Estados Unidos, que incluiu a presença do Secretário de Estado Marco Rubio, visa reorganizar o mercado global de minerais críticos, essenciais para a transição energética, alta tecnologia e defesa.
A urgência dos EUA nesse tema foi intensificada após a China, que domina grande parte da cadeia produtiva global, ter restringido a oferta de terras raras no ano anterior, impactando cadeias de suprimentos vitais, como a automotiva.
A proposta apresentada por Vance em Washington, que contou com a participação de cerca de 55 países e a União Europeia, inclui a sugestão de estabelecer uma “zona preferencial de comércio” para esses insumos. Essa zona envolveria a definição de pisos de preços “aplicáveis”, utilizando tarifas ajustáveis, para tornar o mercado mais previsível e, segundo os americanos, evitar que o mercado seja inundado por oferta externa a preços muito baixos, o que poderia desestimular investimentos.
Potencial Mineral Brasileiro e a Posição de Não Alinhamento
O Brasil detém um vasto potencial geológico, sendo reconhecido por suas reservas significativas de minerais críticos como terras raras (segunda maior reserva conhecida, atrás apenas da China), cobre, níquel e nióbio.
Apesar do interesse despertado no cenário internacional, a cautela brasileira se manifesta na abordagem. Fontes do Palácio do Planalto sugeriram que o Brasil rejeita a ideia de um acordo que funcione como uma “camisa de força” ou que vise isolar a China, preferindo uma abordagem que garanta o controle do processamento e refino no território nacional, em vez de ser apenas um fornecedor de matéria-prima.
O Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) confirmou a presença na reunião, mas manteve silêncio sobre a adesão. O Ministério de Minas e Energia declarou-se aberto ao diálogo e a iniciativas internacionais, contanto que estejam “em consonância com os interesses nacionais e com os princípios do desenvolvimento econômico e social do país”.
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A visão do governo brasileiro é que parcerias, sejam elas com os EUA ou outros parceiros globais, devem focar no desenvolvimento da indústria nacional. O tema dos minerais críticos deve ser um ponto central nas conversas em preparação para uma possível viagem do Presidente Lula a Washington, onde o assunto poderá ser discutido em nível bilateral.
Em paralelo, os Estados Unidos têm investido diretamente em projetos brasileiros. Foi noticiado o financiamento de US$ 565 milhões pela Corporação Financeira dos EUA para o Desenvolvimento Internacional (DFC) para a Serra Verde, única mineradora de terras raras em escala comercial fora da Ásia, visando ampliar sua produção de óxidos de terras raras.
A Mineral Security Partnership (MSP), iniciativa que precedeu o novo fórum, já reconhecia a importância de projetos brasileiros, focando em altos padrões ESG e diversificação das cadeias de suprimentos.
Em resumo, enquanto os EUA pressionam por uma aliança comercial estruturada para garantir o suprimento seguro de minerais críticos, o Brasil adota uma postura estratégica, buscando maximizar o retorno econômico e tecnológico de suas reservas, avaliando cuidadosamente os termos de qualquer compromisso formal com o novo bloco proposto.
