CEO do Santander: Brasil não pode aceitar ‘novo Banco Master’

O CEO do Santander Brasil, Mario Leão, manifestou uma posição enfática sobre as consequências da liquidação do Banco Master, afirmando categoricamente que “o país não deveria aceitar que um novo Banco Master pudesse acontecer de novo”. A declaração foi feita durante a teleconferência de resultados do banco espanhol, onde o caso, que se tornou um símbolo de falhas graves de governança e supervisão no sistema financeiro nacional, dominou parte da discussão fora da pauta oficial de resultados.
O Caso Banco Master e a Crise Institucional
O episódio do Banco Master, cuja liquidação foi decretada em novembro do ano passado, expôs um rombo financeiro significativo, estimado em cerca de R$ 47 bilhões, o que consumiu aproximadamente um terço da liquidez do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
Para Mario Leão, o impacto do caso transcende as perdas financeiras diretas de clientes e investidores. O CEO enfatiza que a situação testa a robustez da regulamentação financeira brasileira e a capacidade do sistema de evitar que distorções semelhantes ganhem escala no futuro.
A Questão da Recomposição do FGC
Um dos pontos centrais levantados por Leão é o desafio da recomposição dos recursos do FGC, que exigirá contribuições adicionais dos bancos.
- O executivo mencionou que o Santander corresponde a cerca de 10% dos depósitos do FGC.
- Embora o Santander tenha liquidez suficiente para arcar com adiantamentos de contribuições, Leão ressaltou que a decisão sobre como a recomposição ocorrerá está nas mãos do regulador e do próprio FGC, e não dos bancos.
- Houve um diálogo frequente entre os grandes bancos, o FGC e o regulador sobre o tema, com a expectativa de que uma definição sobre a recomposição fosse alcançada em questão de semanas ou meses.
O executivo foi cauteloso ao comentar o impacto financeiro direto para o Santander, afirmando que não poderia antecipar números específicos, pois o processo está sob análise regulatória.
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Defesa por Mudança nas Regras e Prevenção
A principal lição extraída pelo CEO do Santander é a necessidade urgente de uma evolução nas regras do sistema financeiro para que um evento como o do Banco Master não se repita.
O Banco Master utilizou as garantias do FGC em seus Certificados de Depósitos Bancários (CDBs) como forma de propaganda para se financiar, oferecendo taxas significativamente acima da média do mercado — em alguns casos, 140% do CDI, quando a taxa máxima recomendada era de 115% do CDI.
A declaração de Leão reforça o posicionamento de outros grandes bancos que defendem mudanças nas regras do FGC, visando coibir práticas que possam levar a crises sistêmicas baseadas em falhas de governança e supervisão.
Contexto do Balanço do Santander
As declarações de Mario Leão ocorreram durante a divulgação dos resultados do Santander Brasil referentes ao quarto trimestre de 2025 (4T25), período em que o banco registrou um lucro líquido gerencial de R$ 15,615 bilhões em 2025, um aumento de 12,6% em relação a 2024.
Destaques Financeiros do 4T25
O lucro líquido do quarto trimestre foi de R$ 4,08 bilhões, o melhor desempenho trimestral do banco em quatro anos, e ligeiramente acima das projeções de mercado.
- O ROE (Retorno sobre o Patrimônio) encerrou o trimestre em 17,6%, estável em relação ao mesmo período do ano anterior.
- A receita, contudo, sofreu pressão, com a margem financeira caindo 4% em relação ao 4T24, afetada por fatores de mercado e juros.
- Apesar de uma inadimplência ainda pressionada pelo cenário macroeconômico, o CEO indicou uma melhora nas provisões contra devedores duvidosos em comparação com o trimestre anterior.
Apesar de o lucro vir em linha com o esperado, as ações do banco tiveram um dia de queda na bolsa, reflexo, segundo analistas, da performance da receita e da margem financeira.
Perspectivas Futuras
Mario Leão indicou que a estratégia do banco para o futuro foca em um crescimento mais robusto do lucro antes dos impostos, já que o resultado de 2025 foi beneficiado por otimizações fiscais pontuais que não devem se repetir em 2026.
Apesar dos desafios, o CEO demonstrou otimismo com o cenário de mercado de capitais, vendo potencial para a realização de IPOs no Brasil devido a uma realocação de portfólios globais.
Em resumo, a preocupação do Santander com a recorrência de crises como a do Banco Master direciona o foco para a necessidade de reforço regulatório, enquanto o banco busca consolidar sua performance financeira em um ambiente econômico desafiador.
