Líderes planejam aumentar equipes, desafiando previsões de extinção de empregos

Uma nova pesquisa global da consultoria imobiliária JLL, divulgada com exclusividade pelo Estadão, revela que 60% dos líderes globais planejam aumentar suas forças de trabalho nos próximos três a cinco anos. O levantamento contraria as projeções pessimistas de extinção em massa de empregos devido ao avanço da inteligência artificial (IA), indicando um cenário de crescimento impulsionado pela tecnologia.
A pesquisa entrevistou 2.200 executivos de 21 países, incluindo 150 da América Latina, onde os líderes brasileiros representaram 33% dos respondentes. Este dado sugere uma mudança de perspectiva no mercado de trabalho, onde a IA é vista como uma alavanca para a expansão dos negócios e o aumento da produtividade, e não apenas uma ferramenta para corte de custos.
IA como Motor de Crescimento e Novas Funções
A premissa de que a inteligência artificial levaria a demissões em larga escala está perdendo força, especialmente em empresas com maior maturidade na implementação da IA. Segundo Andreza Silva, líder de Workplace e Change Management da JLL, os líderes percebem a eficiência gerada pela IA como um motor de crescimento, o que demanda mais pessoas para atuar em conjunto com a tecnologia.
O estudo aponta que a IA deve redesenhar funções existentes e, crucialmente, criar novos cargos. Embora a extinção de algumas áreas não seja descartada, o volume de novas oportunidades supera o de postos de trabalho eliminados. A PwC, em seu Barômetro de Empregos de IA 2026, corrobora essa visão, afirmando que a IA está abrindo um mercado de trabalho de duas vias, onde julgamento e liderança são cada vez mais valorizados e bem remunerados. Empresas que mais ganham produtividade com IA estão contratando mais e pagando salários mais altos.
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Impacto da IA no Perfil Profissional
A inteligência artificial já impacta 89% dos empregos em 2026, segundo pesquisa do CNBC Workforce Executive Council, alterando tarefas e exigindo novas competências. Essa transformação tem levado a uma transição para contratações baseadas em habilidades, em detrimento de diplomas universitários, uma tendência impulsionada pelas ferramentas de IA.
As competências humanas como empatia, discernimento, criatividade e liderança tornam-se ainda mais valiosas à medida que a IA assume tarefas rotineiras. A requalificação profissional é essencial para que os trabalhadores se adaptem a este novo cenário, investindo em educação e treinamento para desenvolver as habilidades demandadas.
Desafios na Atração e Retenção de Talentos
Apesar da intenção de aumentar as equipes, o mercado de trabalho enfrenta o desafio persistente da escassez de talentos qualificados. Uma pesquisa da Robert Half, obtida pelo Estadão, indica que atrair e reter bons profissionais está entre as maiores preocupações de 37% dos executivos.
Para Fernando Mantovani, diretor-geral da Robert Half na América Latina, é necessário rever as estratégias de atração, desde a proposta de valor ao colaborador até processos seletivos mais ágeis. A mobilidade interna, com o desenvolvimento de competências em IA dentro das próprias empresas, surge como uma estratégia inteligente para lidar com a escassez de talentos. Além disso, a experiência do candidato e o ambiente de trabalho, com clareza de objetivos e espaço para aprendizado, são cruciais para a retenção.
O Novo Desenho da Força de Trabalho
O cenário atual também reflete mudanças no comportamento profissional. Muitos trabalhadores buscam maior propósito, flexibilidade e valor atribuído ao seu trabalho. Há uma crescente adesão a estruturas híbridas ou majoritariamente remotas, e modelos de trabalho por projeto ou demanda, baseados em autonomia e responsabilidade.
Empresas precisam focar em desenvolver competências humanas e de IA, reinventar programas de integração e mentoria, e preparar profissionais para decisões mais complexas. A combinação da eficiência da IA com o julgamento humano, entrevistas estruturadas e avaliação de cultura e valores, é o modelo híbrido que líderes mais maduros estão adotando para um recrutamento eficaz em 2026.
