Crise de Memória: IA derruba ações da Qualcomm e ARM em 8%

As ações da Qualcomm e da Arm Holdings sofreram quedas expressivas, superando 8% nas negociações após o fechamento do mercado, em reação a resultados trimestrais e projeções que apontaram um gargalo crítico no fornecimento de componentes essenciais para smartphones.
A principal causa identificada para o revés não é a demanda por dispositivos móveis, mas sim uma severa escassez de chips de memória, exacerbada pelo frenesi em torno da Inteligência Artificial (IA).
O Conflito de Prioridades: IA vs. Fornecimento Móvel
A crise de abastecimento está diretamente ligada à realocação de recursos de produção pelas maiores fabricantes globais de memória, como Samsung Electronics, SK Hynix e Micron.
Essas empresas estão direcionando agressivamente sua capacidade de fabricação para a produção de memória de alta largura de banda (HBM), um componente crucial para os data centers e servidores que sustentam as aplicações de Inteligência Artificial.
Esse pivô estratégico no setor de semicondutores resultou em uma redução significativa na capacidade de fabricação de componentes mais tradicionais, como a DRAM móvel padrão e a memória flash NAND, que são vitais para a montagem de smartphones.
Impacto Direto na Produção de Celulares
A consequência imediata dessa escassez é a limitação no volume de produção de novos aparelhos móveis. Executivos de empresas do setor confirmaram as projeções de que o fornecimento limitado de memória definirá o “limite superior geral” do mercado global de smartphones ao longo do ano fiscal.
O CEO da Qualcomm, Cristiano Amon, declarou que todo o setor está sendo afetado, e que os fabricantes de equipamentos originais (OEMs) chineses já sinalizaram que seus volumes reais de produção serão menores do que o originalmente planejado devido à incapacidade de garantir a memória necessária.
Analistas e lideranças de outras empresas do ecossistema, como a Intel, indicaram que a escassez não mostra sinais de diminuição e pode se estender, com projeções pessimistas apontando que as pressões de abastecimento podem perdurar potencialmente até 2027.
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Consequências para a Arm Holdings
A Arm Holdings, que projeta a arquitetura fundamental utilizada na maioria dos chips para smartphones, incluindo os da Qualcomm, também sentiu o impacto nas expectativas de receita.
A previsão é que as receitas de royalties da Arm no ano fiscal possam ser prejudicadas em até 2% devido à desaceleração prevista nas vendas de microprocessadores destinados a dispositivos móveis. Embora a Arm tenha registrado uma receita recorde, o mercado reagiu negativamente às perspectivas futuras e à dependência do segmento de consumo.
A receita de licenciamento da Arm ficou ligeiramente abaixo das expectativas de Wall Street, o que, combinado com o alerta da Qualcomm sobre a cadeia de suprimentos de celulares, aumentou a pressão sobre as ações da companhia.
Aposta na Diversificação para IA
Apesar da dependência histórica dos royalties de chips para consumo, a Arm tem investido na diversificação para chips de IA usados em data centers e servidores. Contudo, o sucesso dessa transição ainda é visto como incerto pelo mercado, que continua a precificar a empresa majoritariamente com base no desempenho do setor móvel.
Estratégia de Mercado em Meio à Escassez
Em um cenário de oferta restrita, observa-se uma mudança estratégica por parte dos fabricantes de smartphones. Para maximizar as margens de lucro com o estoque limitado de memória disponível, há uma clara priorização da produção de modelos topo de linha em detrimento dos dispositivos de entrada ou econômicos.
Essa estratégia, embora reduza o volume total de unidades vendidas, pode ser um fator de mitigação para empresas como a Qualcomm, que se beneficiam da venda de seus processadores Snapdragon mais caros e avançados para esses aparelhos premium.
Apesar disso, a notícia sinaliza um momento de cautela para o setor de tecnologia móvel, onde o avanço da IA, embora seja um motor de inovação, está impondo desafios logísticos e de fornecimento que impactam diretamente a capacidade de entrega de produtos essenciais ao consumidor final.
