Stuhlberger: Derrota de Trump em Novembro Pode Reverter Fluxo Favorável ao Brasil

O renomado gestor Luis Stuhlberger, sócio-fundador da Verde Asset Management, alertou que uma eventual derrota de Donald Trump nas eleições de novembro nos Estados Unidos pode reverter o fluxo de capital estrangeiro atualmente favorável aos mercados emergentes, incluindo o Brasil. A análise, veiculada pelo Valor Econômico, sugere que a atual dinâmica de desvalorização do dólar e a consequente atração de investimentos para o Brasil estão intrinsecamente ligadas à agenda econômica do presidente americano, especialmente sua política de enfraquecimento da moeda norte-americana.
Contexto da Análise: Dólar e a Agenda Trump
A perspectiva de Stuhlberger se baseia na observação de que o mercado financeiro tem se beneficiado de uma tendência de dólar mais fraco, impulsionada, segundo o gestor, pelos esforços de Trump para desvalorizar a moeda. Em eventos recentes, Stuhlberger chegou a estimar um preço justo para o dólar em torno de R$ 4,40, indicando que a moeda norte-americana ainda estava desalinhada em patamares mais altos, como R$ 5,20.
A política de Trump, que inclui a pressão sobre o Federal Reserve (Fed) por taxas de juros mais baixas e a defesa de tarifas de importação, cria um cenário macroeconômico que, paradoxalmente, tem favorecido a realocação de investimentos globais para ativos de risco em países como o Brasil. Esse movimento tem sido evidenciado pela forte entrada de capital estrangeiro na B3, impulsionando o Ibovespa a patamares recordes.
A Incerteza das Eleições de Meio de Mandato
O ponto crucial da preocupação de Stuhlberger reside nas eleições legislativas de meio de mandato que ocorrerão em novembro. O gestor levanta a possibilidade de que, caso o partido de Trump perca o controle da Câmara ou do Senado, o presidente fique enfraquecido politicamente. Esse enfraquecimento poderia levar a uma revisão das políticas atuais, ou, no mínimo, a uma mudança na percepção de risco e continuidade das políticas que têm impulsionado o real.
Para Stuhlberger, essa potencial mudança no equilíbrio de poder em Washington representa um risco significativo para o fluxo de capitais. A questão central que o gestor ainda tenta entender é se os Estados Unidos retornariam ao cenário anterior à ascensão de Trump, e se a tendência de desvalorização do dólar e alta do ouro seria revertida. A incerteza eleitoral, portanto, é vista como um fator de risco que pode interromper o atual ciclo positivo para os ativos brasileiros.
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Posicionamento da Verde Asset
Apesar do alerta sobre o cenário eleitoral futuro, Stuhlberger não recomendou uma mudança drástica de alocação no momento da declaração. O fundo Verde, carro-chefe da gestora, já havia aumentado sua exposição a opções de compra no real e mantido posições compradas em uma cesta de moedas contra o dólar e em ouro, indicando uma aposta na continuidade da tendência de dólar fraco no curto prazo.
Contudo, em relação à renda variável brasileira, o gestor demonstrou cautela, sugerindo que a bolsa já teria “andado muito”, o que desencorajaria novas posições significativas em ações. A estratégia parece focar mais em proteção cambial e ativos que se beneficiam da dinâmica internacional, como o ouro, enquanto se monitora de perto o desenrolar político nos EUA.
Perspectivas para o Fluxo de Capitais no Brasil
O fluxo de capital estrangeiro tem sido um motor importante para o mercado brasileiro, com ingressos robustos na B3, que sustentam a valorização do Ibovespa. Esse movimento de realocação global de investimentos, que tira parte do dinheiro concentrado historicamente nos EUA, é favorecido por um dólar enfraquecido globalmente, um cenário que Stuhlberger associa à gestão de Trump.
Uma derrota em novembro, no entanto, introduz a variável de que essa política econômica americana pode ser alterada ou ter seu ímpeto reduzido. Se o dólar voltar a se valorizar ou se o humor global de risco mudar drasticamente, o fluxo de saída de emergentes pode ser ativado, impactando diretamente a taxa de câmbio e o desempenho da bolsa local. Investidores devem, portanto, atuar com cautela, balanceando as apostas no cenário atual favorável com o risco político que se materializará em novembro.
