Foco no Estrangeiro: Fluxo Impulsiona Otimismo para IPOs na B3

O mercado brasileiro de ofertas públicas iniciais de ações (IPOs) pode estar à beira de uma retomada, impulsionada significativamente pelo retorno do capital estrangeiro para mercados emergentes. Executivos de peso, como o CEO da B3, Gilson Finkelsztain, expressaram otimismo cauteloso, vendo o fluxo internacional como um fator crucial para destravar as listagens de empresas que aguardam uma janela mais favorável na Bolsa brasileira.
A percepção positiva está ancorada em uma combinação de fatores macroeconômicos, incluindo a expectativa de queda nas taxas de juros no Brasil e um cenário global que favorece o reposicionamento de carteiras de investidores em direção a ativos de risco fora dos Estados Unidos.
O Papel Central do Investidor Estrangeiro
O fluxo de capital estrangeiro tem sido o grande protagonista no início do ano, com volumes de entrada que, em janeiro, já superaram o total acumulado em todo o ano anterior. Este movimento é visto como um sinal de que o apetite por risco está sendo reavivado, o que é fundamental para o sucesso de novas ofertas públicas.
Analistas apontam que, historicamente, o fluxo estrangeiro é o principal motor do mercado de ações brasileiro. A expectativa é que essa entrada de capital se mantenha, embora possa se tornar mais seletiva, concentrando-se em empresas com bons fundamentos e valuations atrativos. A melhora na política monetária doméstica, com a perspectiva de cortes na taxa Selic, reforça esse cenário, tornando a renda variável mais competitiva em relação à renda fixa.
Empresas Prontas e a Janela de Oportunidade
Segundo a liderança da B3, existe uma demanda reprimida por parte das empresas, com mais de 50 companhias já com registro de companhia aberta na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e com governança preparada para ir ao mercado. A decisão de abrir o capital, no entanto, é intrinsecamente ligada ao apetite dos investidores.
O CEO da B3 reconheceu que houve erros em previsões passadas sobre a reabertura do mercado, mas a recente onda de interesse sugere um novo ciclo. Setores considerados mais estáveis, como infraestrutura, energia e saneamento, são frequentemente citados como os prováveis líderes de uma eventual retomada das ofertas.
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O Fenômeno das Listagens no Exterior
Um desdobramento importante que sinaliza a ambição das empresas brasileiras e o interesse global é a recente onda de listagens de companhias nacionais no exterior, notadamente nos Estados Unidos. A abertura de capital de empresas como o PicPay na Nasdaq, por exemplo, foi vista por executivos do mercado como um prenúncio de que uma onda de novas ofertas pode estar a caminho, seja no exterior ou, preferencialmente, no mercado doméstico.
Embora algumas empresas com ambição global possam optar por listagens nos EUA — onde o capital de tecnologia e fintechs demonstrou forte apetite, como evidenciado pela alta demanda na oferta do PicPay —, a expectativa geral é que a maior parte das ofertas ocorra na B3, desde que as condições de mercado se estabilizem.
Perspectivas e Desafios para a Renda Variável
Apesar do otimismo trazido pelo fluxo estrangeiro, o cenário doméstico ainda impõe cautela. O investidor local, embora possa migrar gradualmente da renda fixa, ainda encontra taxas de juros relativamente altas, o que limita o espaço para aportes agressivos em renda variável. Para que os IPOs na B3 quebrem o jejum de anos, é crucial que haja uma participação mais equilibrada entre o capital estrangeiro, os investidores institucionais locais e o varejo.
Bancos de investimento projetam um crescimento nas ofertas de ações em 2026, citando a esperada queda da taxa Selic para patamares próximos a 11,5% ao final do ano, um nível que torna a migração para ações mais atrativa. A combinação de valuations atrativos no Brasil, melhora nos fundamentos das empresas e um ambiente externo mais favorável ao risco emergente sustenta a visão de que a janela de IPOs pode, finalmente, se abrir de forma consistente na Bolsa brasileira.
