Faturamento de Shoppings no Brasil Passa R$ 200 Bi Pela 1ª Vez

O setor de shopping centers no Brasil alcançou um marco histórico em seu desempenho financeiro, superando a marca de R$ 200 bilhões em faturamento pela primeira vez. O resultado, divulgado pela Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce) com base no Censo Brasileiro de Shopping Centers 2025-2026, aponta para uma resiliência e um novo patamar de consumo nos empreendimentos comerciais do país, mesmo diante de um cenário econômico complexo.
De acordo com os dados mais recentes, o faturamento nominal do setor atingiu R$ 201 bilhões em 2025, representando um crescimento de 1,2% em comparação ao ano anterior (2024). Embora o crescimento percentual tenha sido menor que a projeção inicial de 1,6% para 2025, o valor absoluto consolidou o recorde histórico para o segmento. Este marco reflete uma mudança no comportamento do consumidor, que, embora visite os locais com menor frequência, gasta mais por visita.
Desempenho e Indicadores Chave em 2025
O avanço para a casa dos R$ 200 bilhões é visto com otimismo pela liderança da Abrasce, que ressalta que o desempenho do setor se manteve superior a outros segmentos da economia, como a indústria. O presidente da entidade, Glauco Humai, destacou que o resultado de 2025, apesar de um crescimento mais moderado, é positivo e mostra a solidez do mercado de shoppings.
Os indicadores operacionais do setor também apontam para um ambiente saudável:
- Taxa de Ocupação Média: Permaneceu em um nível elevado, atingindo 95,4% em 2025, um patamar considerado saudável pela Abrasce, indicando forte demanda por espaços por parte dos lojistas.
- Número de Lojas: O total de unidades comerciais nos centros de compra chegou a 124,7 mil, um aumento de 1,2% em relação ao ano anterior.
- Inadimplência: A taxa de inadimplência dos lojistas atingiu o menor nível da história, marcando 4,3%, o que sinaliza a boa saúde financeira dos comerciantes dentro dos shoppings.
- Empregos: O setor gerou 1,082 milhão de empregos diretos, com um aumento de 0,9% no quadro de funcionários em 2025.
Apesar do faturamento recorde, é importante notar que o crescimento nominal de 1,2% em 2025 foi inferior ao crescimento registrado em 2024, que foi de 1,9% sobre 2023, conforme dados anteriores da Abrasce.
Mudança no Comportamento do Consumidor
Um fator crucial para sustentar o aumento do faturamento, mesmo com um fluxo de visitantes abaixo do pico pré-pandemia, é a alteração no padrão de consumo. O consumidor atual busca uma experiência mais completa e prolongada nos empreendimentos.
Ticket Médio e Tempo de Permanência
O Censo 2025-2026 revelou métricas importantes sobre como o público interage com os shoppings:
- Ticket Médio: O valor gasto por visita avançou para R$ 126,79.
- Tempo de Permanência: O tempo médio que os visitantes passam dentro dos centros de compras atingiu 80 minutos, o maior índice já registrado pela entidade.
Essa maior permanência sugere que o shopping se consolidou como um destino que combina compras com lazer, alimentação e serviços, compensando a redução no volume de visitas com um maior gasto individual.
Veja também:
Estrutura e Expansão do Setor
O parque de shoppings no Brasil continua em expansão, embora de forma controlada. Em 2025, o país contava com 658 shoppings em operação, distribuídos em 253 cidades. A Área Bruta Locável (ABL) totalizou 18,3 milhões de metros quadrados, com um crescimento de 0,9% no período.
Novas Inaugurações e Projeções Futuras
No ano de 2025, ocorreram 10 novas inaugurações de empreendimentos. Olhando para o futuro, a Abrasce mantém uma perspectiva de crescimento cauteloso, mas positivo.
Projeção para 2026
Para o ano de 2026, a entidade projeta um crescimento nominal de faturamento de 1,4% para o setor. Além disso, estão previstas 11 novas inaugurações de shoppings em território nacional, sendo seis delas concentradas na região Sudeste, que historicamente concentra a maior parte do mercado.
Contexto Econômico e Resiliência
O alcance do faturamento de R$ 200 bilhões ocorre após um período de desafios econômicos significativos. O presidente da Abrasce mencionou que, em anos anteriores, o setor sentiu o impacto do endividamento das famílias, juros em patamares elevados e pressão inflacionária, o que freou o poder de compra. O fato de o setor ter superado a marca em 2025 demonstra sua capacidade de adaptação e a importância contínua dos centros de compras na economia varejista brasileira, reforçando seu papel como um ecossistema diversificado que vai além do varejo tradicional.
