Futuros de NY Mistos: Fim do Shutdown e Foco no Balanço da Dona do Google

Os índices futuros dos Estados Unidos apresentaram uma operação mista, refletindo um cenário de cautela entre os investidores que digeriam o fim de uma paralisação parcial do governo federal americano (o shutdown) e se preparavam para a divulgação dos resultados financeiros da Alphabet, a controladora do Google.
A ausência de direção única nos futuros de NY, com alguns índices em leve alta e outros em leve baixa, demonstrou a divisão no sentimento do mercado, que equilibrava o alívio político com a expectativa de grandes divulgações corporativas, especialmente no setor de tecnologia.
Contexto Político: O Fim do Shutdown
O principal fator de alívio no curto prazo foi a resolução da crise orçamentária que levou a uma paralisação parcial do governo dos EUA. A paralisação, que durou quatro dias em um evento recente, chegou ao fim após o presidente Donald Trump sancionar um amplo pacote de financiamento aprovado pelo Congresso.
Historicamente, paralisações governamentais, mesmo curtas, geram incertezas no mercado, pois podem atrasar a divulgação de indicadores econômicos cruciais, como dados de inflação e emprego, que são essenciais para as decisões de política monetária do Federal Reserve (Fed). Embora o impacto de um shutdown curto seja considerado menos severo, o episódio anterior, mais longo, chegou a ser estimado em reduzir o PIB trimestral em cerca de 0,3 ponto percentual, segundo análises de mercado.
O fim da instabilidade política, no entanto, tende a aumentar o apetite por risco no mercado global, podendo beneficiar ativos considerados mais arriscados, como as ações de tecnologia, que haviam sofrido quedas na sessão anterior ao fim da paralisação. O alívio político também pode aliviar a pressão sobre mercados emergentes, embora fatores macroeconômicos globais continuem a influenciar o câmbio e o fluxo de investimentos.
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O Foco Corporativo: Resultados da Alphabet (Google)
A principal pauta econômica que ofuscava o humor dos investidores era a iminente divulgação dos resultados financeiros da Alphabet, dona do Google. O mercado estava em compasso de espera, com projeções indicando um crescimento robusto, mas com grande atenção voltada para os planos de investimento futuro da gigante de tecnologia.
Expectativas e Desempenho Pré-Balanço
As projeções de Wall Street apontavam para um aumento significativo na receita da Alphabet, com estimativas chegando a US$ 111,37 bilhões, o que representaria um crescimento de 15,5% em relação ao período anterior. A receita total do último trimestre divulgado foi de US$ 114,00 bilhões, com lucro líquido de US$ 34,45 bilhões, segundo dados de relatórios anteriores.
No entanto, o mercado não olhava apenas para o passado recente. Os investidores estavam particularmente focados em três pontos cruciais que seriam revelados no balanço:
- Gastos com Inteligência Artificial (IA): A magnitude dos investimentos previstos para 2026 em infraestrutura de IA e computação, visando fortalecer o Google DeepMind e o Google Cloud.
- Demanda por Cloud Computing: A saúde do Google Cloud, que vinha demonstrando forte crescimento, com um backlog (carteira de pedidos) que chegou a dobrar ano a ano.
- Receita de Publicidade: O desempenho do YouTube, que em relatórios anteriores havia ficado ligeiramente abaixo das expectativas, refletindo comparações difíceis com períodos de fortes gastos eleitorais.
Em um balanço subsequente, a empresa de fato confirmou um lucro por ação (LPA) de US$ 2,82, superando as estimativas de US$ 2,63, com receita total de US$ 113,83 bilhões. Contudo, a reação inicial das ações no after market foi de queda, pois a empresa surpreendeu ao projetar um gasto de capital (Capex) entre US$ 175 bilhões e US$ 185 bilhões para o ano, um valor significativamente acima das previsões de Wall Street.
Impacto dos Gastos em IA no Mercado
O anúncio de gastos maciços em infraestrutura de IA, destinados a suportar o crescimento do Google Cloud e a expansão das capacidades de IA, gerou uma reação mista no setor de tecnologia. Enquanto as ações da Alphabet caíram inicialmente, empresas ligadas à infraestrutura de IA, como a Nvidia, viram seus papéis subirem no after market, indicando que o mercado vê o investimento pesado como um sinal de confiança no futuro da tecnologia, apesar da pressão sobre as margens de lucro no curto prazo.
Desempenho dos Mercados Futuros e Globais
No momento da apuração, o desempenho dos principais índices futuros americanos mostrava a oscilação mencionada:
- Dow Jones Futuro: Leve alta, com +0,16%.
- S&P 500 Futuro: Estabilidade ou leve avanço, com +0,03%.
- Nasdaq Futuro: Leve recuo, com -0,14%, refletindo a cautela com as gigantes de tecnologia até a consolidação da reação ao balanço.
Em contraste, os mercados da Ásia-Pacífico fecharam em sua maioria com ganhos, apesar das perdas recentes em Wall Street, enquanto as bolsas europeias operavam em alta, impulsionadas por balanços corporativos de outras grandes empresas, como Novartis e Santander.
Em suma, o mercado de Nova York navegava entre a normalização política após o shutdown e a grande incerteza gerada pelas ambiciosas projeções de investimento em IA da Alphabet, o que manteve a cautela e a volatilidade nos pregões na manhã seguinte.
