Hypera: Votorantim Cresce em Aporte de R$ 1,5 Bilhão

A Hypera Pharma surpreendeu o mercado ao anunciar um aumento de capital privado de até R$ 1,5 bilhão, uma operação que visa primariamente reduzir o endividamento líquido da companhia e reforçar sua posição de caixa para futuras oportunidades de crescimento, sejam elas orgânicas ou inorgânicas. A notícia, classificada por alguns analistas como inesperada e até como uma “desalavancagem amarga”, provocou uma queda acentuada nas ações HYPE3 na B3, que desvalorizaram cerca de 10% após o anúncio.
Detalhes da Operação de Subscrição Privada
A operação consiste na emissão privada de até 70,6 milhões de novas ações ordinárias, precificadas a R$ 21,25 por papel. Este valor representa um desconto significativo, de aproximadamente 17% em relação ao preço de fechamento da véspera, e um deságio de 10,7% sobre a média ponderada dos últimos 30 pregões, uma estratégia adotada para incentivar a subscrição. Caso a emissão seja totalmente subscrita, o montante total alcançará R$ 1,5 bilhão, implicando uma diluição potencial de cerca de 10% para os acionistas atuais.
A Hypera estabeleceu um valor mínimo de homologação de R$ 1,15 bilhão para que a operação seja considerada bem-sucedida. A empresa, dona de marcas conhecidas como Benegrip, Doril e Buscopan, justifica a injeção de capital como uma medida para melhorar a eficiência operacional e financeira no médio e longo prazo, além de aumentar a flexibilidade para movimentos estratégicos.
Veja também:
O Papel da Votorantim como Âncora
Um ponto central no anúncio é o forte apoio do bloco de controle e, em especial, do Grupo Votorantim. O bloco de controle, que detém 53% do capital social, comprometeu-se a exercer integralmente seus direitos de preferência na subscrição das novas ações. A Votorantim, que possui participação de 11% na Hypera, assumiu um compromisso de subscrever ações no valor de até R$ 1 bilhão.
Crescimento da Participação da Votorantim
O compromisso da Votorantim é tão robusto que ela atuará como investidora âncora, pronta para absorver sobras. Para que a Votorantim atinja o aporte máximo de R$ 1 bilhão, os demais acionistas do bloco de controle — notadamente o fundador João Alves de Queiroz Filho (Júnior) e a holding mexicana Maiorem — teriam que abrir mão de parte de seus direitos de preferência.
Fontes próximas ao Grupo Votorantim indicam que a intenção é que, ao final da transação, a Votorantim aumente sua participação, ficando com um patamar mais próximo ao do acionista majoritário Júnior. O movimento, portanto, é visto como uma oportunidade para a Votorantim crescer em sua fatia acionária na farmacêutica, consolidando sua influência no quadro societário.
Repercussão e Análise do Mercado
Apesar do objetivo de redução da alavancagem — que deve cair em cerca de 0,5 vez o múltiplo Dívida Líquida/EBITDA projetado para 2026, de 2,7 vezes para 2,0 vezes —, o mercado reagiu negativamente. Analistas de bancos como Bradesco BBI e BTG Pactual questionaram a necessidade de uma operação com tamanha diluição, argumentando que a companhia possuía geração de caixa suficiente para reduzir o endividamento de forma mais orgânica.
Críticas e Perspectivas Financeiras
O BTG classificou a manobra como uma “desalavancagem amarga”, sugerindo que, embora reforce o balanço, a diluição a um desconto relevante pressiona as estimativas de Lucro por Ação (EPS). O Bradesco BBI, por exemplo, revisou para baixo o EPS projetado para 2026, elevando levemente o múltiplo Preço/Lucro estimado.
A notícia também reacendeu especulações sobre possíveis movimentos inorgânicos, como a aquisição da Medley, embora a administração da Hypera não tenha confirmado tais planos. O forte sinal de confiança do bloco de controle, no entanto, é um fator positivo destacado pela empresa em seus comunicados.
