Ibovespa Cai! Repercussão de Balanços do Santander e Itaú em Foco

O mercado brasileiro, representado pelo Ibovespa, reagiu com cautela e pressão de baixa na sessão de hoje (4), sob a influência direta da divulgação dos resultados trimestrais de gigantes do setor financeiro, com destaque para o Santander (SANB11) e as expectativas em torno do Itaú Unibanco (ITUB4).
A abertura da temporada de balanços dos grandes bancos, um termômetro importante para a economia, gerou movimentos distintos nas ações. Enquanto o Santander divulgou seus números, que ficaram alinhados às expectativas, mas com ressalvas de analistas sobre o potencial de crescimento, o Itaú Unibanco teve seus resultados divulgados após o fechamento do mercado, gerando um dia de incerteza e correção para o setor.
Repercussão Imediata dos Balanços no Setor Financeiro
A divulgação dos resultados do Santander Brasil (SANB11) pela manhã foi o principal gatilho para a movimentação negativa no setor bancário. O banco espanhol reportou um lucro líquido gerencial de R$ 4,086 bilhões no quarto trimestre de 2025, um crescimento de 6,0% em relação ao mesmo período do ano anterior, número que se alinhou à expectativa do consenso de analistas, que era de cerca de R$ 4,09 bilhões.
Apesar de o número estar dentro do esperado, a leitura qualitativa dos analistas apontou dificuldades. Relatórios indicaram que, embora o banco demonstre boa eficiência operacional e crédito seletivo, faltariam “gatilhos necessários para destravar um ciclo mais forte de expansão de lucro antes de impostos”. Essa percepção de um crescimento contido acabou contaminando o humor do mercado em relação a todo o segmento financeiro.
A Queda das Ações e o Efeito Contágio no Ibovespa
O setor financeiro, por ser um dos mais representativos no índice B3, exerceu forte pressão de baixa sobre o Ibovespa. No dia, Itaú Unibanco (ITUB4), que divulgaria seus resultados após o fechamento, já sentiu o ambiente negativo, recuando significativamente, assim como outros grandes bancos como Bradesco (BBDC4) e Banco do Brasil (BBAS3).
- Santander (SANB11): registrou queda de cerca de 2,70% no pregão.
- Itaú Unibanco (ITUB4): caiu aproximadamente 3,3%, sendo apontado como a maior pressão vendedora sobre o índice antes da divulgação de seus próprios números.
- Outras instituições financeiras, como Bradesco, também apresentaram perdas expressivas.
O resultado final foi uma forte correção no Ibovespa, que recuou mais de 2%, sendo negociado na casa dos 181.708 pontos, refletindo uma exaustão do rali de alta observado em janeiro e uma busca geral por proteção no mercado.
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Itaú Unibanco: Resultados e Expectativas
O Itaú Unibanco (ITUB4) divulgou seu balanço após o fechamento do mercado, mostrando um resultado robusto que, em sessões subsequentes, ajudou a reverter parte da queda do setor. O banco registrou um lucro recorrente gerencial de R$ 12,3 bilhões no 4T25, representando um aumento de 13,2% em relação ao mesmo período do ano anterior. O resultado anualizado também foi forte, com lucro fechando em R$ 46,8 bilhões.
O retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) atingiu 24,4% no trimestre, o melhor resultado desde 2015. Analistas consultados pela Reuters apontaram que este resultado estava em linha com a projeção de R$ 12,3 bilhões, indicando que a solidez dos números do Itaú sustentou o otimismo de longo prazo para a instituição.
Contexto Macroeconômico e Incertezas
Além dos balanços, o mercado acompanhou o cenário macroeconômico. A ata do Comitê de Política Monetária (Copom) sinalizou um ciclo de corte de juros mais cauteloso, o que tende a impactar as expectativas de crescimento econômico e, consequentemente, o setor de crédito.
No cenário internacional, os mercados operavam sem direção definida, com a aversão ao risco prevalecendo em alguns momentos, o que também contribuiu para a correção observada no Ibovespa. Houve ainda o adiamento de dados cruciais de emprego nos Estados Unidos devido a questões políticas internas (shutdown parcial), adicionando uma camada de incerteza global.
Perspectivas para o Setor Bancário em 2026
Apesar da correção momentânea impulsionada pelos resultados do Santander e pela cautela pré-Itaú, o setor financeiro mantém um otimismo cauteloso para o ano, baseado em premissas macroeconômicas favoráveis.
Instituições como Itaú e Santander indicaram que, se o cenário macroeconômico se mantiver positivo, com a perspectiva de queda da taxa Selic e o desemprego em patamares baixos, a inadimplência tende a arrefecer.
- O Santander, por exemplo, observou um aumento na inadimplência acima de 90 dias em carteiras de pessoas físicas e PMEs, citando pressão da macroeconomia em alguns subsegmentos de pequenas e médias empresas. O banco sinalizou o foco em aumentar a participação de clientes de alta renda para melhorar os indicadores de risco e rentabilidade.
- Para o Itaú, o mercado aposta na retomada da concessão de crédito em segmentos específicos e na expansão de dois dígitos da margem financeira, impulsionada pela melhora dos spreads (diferença entre o que o banco ganha ao emprestar e o que paga para captar).
Adicionalmente, notícias sobre a resolução de passivos tributários trouxeram um alívio em termos de incerteza jurídica. A PGFN fechou acordos relevantes com Itaú Unibanco, Santander e Citibank, que resultaram no pagamento de valores significativos à vista, antecipando receitas para o governo e reduzindo pendências para os bancos.
Em resumo, o dia (4) foi marcado pela volatilidade decorrente da temporada de balanços, com o Santander ditando o tom inicial de cautela, enquanto o Itaú trouxe números fortes para sustentar a visão de resiliência do setor financeiro no longo prazo, fatores que continuam a ser o principal foco dos investidores no Ibovespa.
