Ibovespa Despenca: Queda de Bancos e BC Pressionam Índice

O Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira (B3), registrou uma queda acentuada nesta quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026, revertendo o otimismo dos dias anteriores, quando o índice chegou a renovar máximas históricas.
A forte desvalorização, que levou o índice a cair mais de 2% e a operar abaixo dos 181 mil pontos no meio da tarde, foi motivada por uma combinação de fatores domésticos e internacionais. Entre os principais catalisadores da pressão vendedora estão a repercussão das indicações para a diretoria do Banco Central (BC), a realização de lucros após recordes recentes e o início da temporada de balanços corporativos, com destaque negativo para o setor bancário.
Principais Fatores da Queda do Ibovespa
O mercado financeiro reagiu com apreensão a eventos específicos que aumentaram a percepção de risco e pressionaram as ações brasileiras.
Indicações para o Banco Central e Temores de Política Monetária
Um dos pontos centrais que pesaram sobre o humor dos investidores foram as indicações feitas pelo Ministro da Fazenda, Fernando Haddad, para cargos de diretoria do Banco Central. O nome do economista Guilherme Mello, em particular, gerou apreensão no mercado.
Mello é visto por parte do mercado como um economista heterodoxo, o que levanta temores de uma possível guinada dovish (mais suave) na condução da política monetária do BC. A expectativa de uma postura menos rigorosa em relação à inflação pode impactar a trajetória esperada para a taxa básica de juros no futuro, o que é sensível para a avaliação de ativos de risco como ações.
Temporada de Balanços e Setor Bancário
A quarta-feira marcou o início da temporada de divulgação de resultados corporativos do quarto trimestre de 2025, e o setor financeiro foi o primeiro a apresentar seus números, exercendo grande peso sobre o índice.
O Santander Brasil (SANB11) divulgou seu balanço, reportando crescimento no lucro no último trimestre de 2025. Contudo, o resultado parece não ter agradado plenamente o mercado, que pode ter percebido uma ausência de surpresas positivas ou sinais de pressão nas margens financeiras em um cenário de juros ainda elevados. As ações do Santander figuraram entre as maiores pressões negativas do pregão, contaminando o desempenho geral do índice, já que os bancos são considerados “pesos-pesados” na composição do Ibovespa.
Os investidores também estavam no aguardo dos resultados de outros grandes bancos, como o Itaú Unibanco (ITUB4), que seria divulgado após o fechamento do mercado.
Correção Pós-Recordes e Cenário Fiscal
Após dias de euforia que levaram o Ibovespa a superar a marca dos 187 mil pontos em novos recordes históricos, a sessão desta quarta-feira foi marcada por um movimento natural de realização de lucros. Investidores que estavam posicionados em alta aproveitaram o momento para liquidar posições e garantir ganhos recentes.
Adicionalmente, houve uma retomada da cautela em relação ao cenário fiscal doméstico. A aprovação, no dia anterior, de medidas como o programa Gás do Povo e um pacote de propostas que amplia a remuneração e bônus de servidores do Legislativo foram vistas como fatores que podem elevar os gastos do Executivo, aumentando as preocupações com o equilíbrio das contas públicas.
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Influências do Cenário Internacional
O ambiente externo também contribuiu para a aversão ao risco no mercado brasileiro.
Dados de Emprego nos EUA
Os mercados globais estavam atentos à divulgação de dados de emprego privado nos Estados Unidos, medidos pelo relatório ADP. O dado mostrou a criação de apenas 22 mil vagas em janeiro, um número abaixo das expectativas do mercado, que esperava um número significativamente maior.
Embora um enfraquecimento do mercado de trabalho americano possa reforçar apostas em cortes de juros futuros nos EUA, o dado veio em um contexto de volatilidade e reforçou um sentimento geral de cautela global, o que tende a reduzir o fluxo de capital para mercados emergentes como o Brasil.
Comportamento das Moedas e Juros
Em meio à queda da Bolsa, o dólar americano apresentou um movimento misto. Embora tenha havido um fortalecimento da moeda norte-americana ante boa parte das divisas globais, no câmbio doméstico, o dólar à vista oscilava com leves altas, acompanhando a deterioração do sentimento de risco no pregão acionário.
As taxas futuras de juros (DIs) no Brasil sustentaram altas, indicando que os investidores estavam realizando parte dos lucros recentes também na renda fixa, em um movimento coordenado de ajuste de carteiras.
Perspectivas para o Próximo Pregão
Com a pressão vinda dos balanços bancários e das incertezas fiscais/políticas domésticas, o Ibovespa encerrou a sessão em forte baixa. Os investidores seguem monitorando de perto os próximos resultados corporativos, especialmente os grandes bancos que ainda divulgarão seus números, e a reação do mercado às indicações políticas recentes. O comportamento do mercado externo e a continuidade do fluxo de capital estrangeiro serão fatores cruciais para definir a direção do índice nos próximos dias.
