Pior Dia do Ano: Ibovespa Despenca com Varejo e Bancos em Queda Livre

O Ibovespa registrou a sua maior queda diária do ano nesta quarta-feira, 4 de fevereiro, despencando 2,14% e fechando aos 181.708,23 pontos, uma perda de 3.966,20 pontos em relação ao pregão anterior. O tombo foi o mais acentuado desde 16 de dezembro, quando o índice havia recuado 2,42%. O movimento de forte correção no mercado acionário brasileiro foi puxado principalmente pelas ações dos setores bancário e de varejo, em um dia marcado pela realização de lucros após sucessivas altas recentes e renovação de recordes.
Realização de Lucros e Início da Temporada de Balanços
Especialistas apontaram que o recuo expressivo foi impulsionado por um incentivo à realização de lucros, uma reação natural após o mercado ter atingido patamares máximos nos dias anteriores. Este movimento de venda para embolsar ganhos se intensificou com o início da temporada de balanços do quarto trimestre de 2025 (4T25) do setor financeiro.
Impacto do Setor Bancário
O setor financeiro foi o principal vetor da baixa. Os resultados divulgados pelo Santander (SANB11), que abriu a rodada de resultados do setor, serviram como gatilho para uma correção mais ampla no segmento. Embora o Santander tenha reportado um lucro líquido gerencial positivo, preocupações sobre a piora nas provisões e o aumento da inadimplência nos dados apresentados levaram suas ações a recuar 2,70%.
A correção se alastrou rapidamente para outros grandes bancos listados no índice:
- Itaú Unibanco (ITUB4), que divulgou resultados após o fechamento, liderou as perdas do setor, caindo 3,29%.
- Bradesco PN cedeu 3,23%.
- Banco do Brasil (BBAS3) registrou uma baixa de 2,30%, a menor entre os grandes bancos.
O setor de varejo também sentiu o peso da realização de lucros e do clima de aversão ao risco. Ações de peso como Magazine Luiza recuaram 3,85%, e Lojas Renner caiu 2,50%. O setor de shoppings, apesar de dados positivos de faturamento, também sofreu com a tendência geral, com a Multiplan registrando leve queda.
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Fatores Macroeconômicos e Cenário Externo
Além da correção técnica, o mercado doméstico reagiu a fatores macroeconômicos e políticos que aumentaram a percepção de risco. Um dos pontos de atenção citados por analistas foi a preocupação com a independência do Banco Central (BC), especialmente após indicações de novos diretores, como a de Guilherme Mello, que gerou apreensão por ser visto como um nome heterodoxo, levantando temores de uma guinada mais suave (dovish) na política monetária.
O dia também foi influenciado pelo cenário internacional. As bolsas dos Estados Unidos apresentaram um dia mais negativo, com temores sobre as avaliações de papéis de tecnologia, apesar do fim do shutdown de três dias no Congresso americano. A queda no mercado acionário brasileiro refletiu um movimento global observado em outros mercados emergentes, como o México, mostrando a sensibilidade da B3 ao humor externo.
No mercado de câmbio, o dólar comercial encerrou praticamente estável, cotado a R$ 5,25, acompanhando a estabilidade do dia anterior, o que representou uma espécie de alívio em meio à turbulência na bolsa. Os juros futuros (DIs) terminaram mistos, sem um consenso claro de direção.
Desempenho do Índice
Apesar da forte baixa, o Ibovespa conseguiu limitar a perda semanal a um ganho modesto de 0,19% e manter o acumulado do mês de fevereiro em patamares positivos. No ano, o índice ainda acumulava uma alta significativa de 12,77% até o fechamento deste pregão. Apenas sete ativos do índice fecharam no campo positivo, com destaque para a Vale (ON), que demonstrou resiliência e conseguiu se descolar do movimento negativo no fechamento, enquanto Petrobras registrou leve queda.
O mercado agora aguarda os próximos desdobramentos sobre as indicações no BC e a continuidade da temporada de resultados corporativos para definir os próximos rumos do índice B3.
